| Música No Planeta Terra |
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THE PHIL COLLINS BIG BAND PHIL COLLINS. Diante deste nome existem algumas reações previsíveis. A primeira (e a da maioria dos mortais) seria: “Eu gosto dele. É um bom cantor, faz umas músicas bem legais.” A segunda (dos iniciados em Erodor) seria: “Esse cara já foi bom. Antes dele enterrar o GENESIS com aquela ‘baba-pop’ até que era um bom baterista, mas depois largou tudo (...) ficou no lugar do PETER GABRIEL (...)”. Bem, isto poderia continuar indefinidamente e com certeza chamando a atenção para o lado menos positivo do músico. Mas existe alguma unanimidade (por favor esqueçam Nelson Rodrigues – “Toda unanimidade é burra” – um pouquinho só) em relação a PC? PC é um ótimo baterista, daqueles que conseguem ter um som próprio. Bem, essa é uma frase um tanto inadequada, pois PC andou tocando com bastante gente, incluindo aí ERIC CLAPTON, de quem é fã declarado e produziu um discutível disco, cujo maior mérito era ter apenas um guitarrista, fazendo com que EC se desdobrasse nos shows, o que foi ótimo. Além disso tocou com JIMMI PAGE & ROBERT PLANT e mais um bando de gente. Bem, isso torna o som do baterista PC não tão único assim. Algumas vezes lembra BILLY COBHAN, outras BILL BRUFFORD, com quem fez duos na época do GENESIS – vide SECONDS OUT. Mas PC é um bom baterista. WATCHERS OF THE SKY é um marco, onde na introdução há uma sutil “levada” dele emulando código Morse. Um primor. Mas a questão é que desde que começou a cantar como vocalista principal no GENESIS, despertou polêmicas. Muitas polêmicas. Começando pela substituição do insubstituível. Logo de cara, não deu pra perceber nada. O GENESIS ainda era o mesmo. Afinal de contas havia o HACKET, o BANKS, o RUTHERFORD e o COLIINS. A maioria estava lá; os discos ainda eram inspirados. Mas de repente eles eram só três. Parece que aí a “vaca foi pro brejo”. Apesar de ainda comporem alguns temas inspirados, as outras faixas começavam a beirar a “baba-pop”. Foi o período de maior sucesso do grupo desde o fim do interesse da grande mídia no progressivo. Culminou com WE CAN’T DANCE, uma sátira (levemente) interessante, mas que pouco lembrava a banda de MUSICAL BOX ou NURSERY CRIME. Parecia que o sujeito que cantou MORE FOOL ME havia tomado conta da banda. Será? A culpa recaiu pesadamente sobre PC. Mas analisemos com calma alguns outros fatores. O primeiro e mais importante é o de que ele não era o líder da banda. Era o homem de frente, mas os outros dois eram tão antigos quanto ele e aceitavam o que acontecia. Aceitavam? Será que não eram os três dando um novo rumo ao grupo? Vamos por partes. Se alguém já ouviu MIKE & THE MECHANICS ou algum disco solo do TONY BANKS, sabe que nenhum dos dois fez um disco progressivo. Ambos tentavam aproximar-se de algo pop. Pegue agora os discos do HACKET. Além de boas releituras do próprio GENESIS, suas composições fogem do estiloso “baba” das rádios. Seu trabalho é tão coerente com a sua saída da banda quanto são os dos dois citados anteriormente com sua permanência. O mesmo se dá com PETER GABRIEL. O álbum THE LAMB LIES DOWN... parece mais o primeiro disco solo do que um disco do GENESIS. Levando isso tudo em conta, me parece que PC não foi o único responsável pelo que aconteceu com o GENESIS. Quando ele saiu e foi lançado CALLING ALL STATIONS, havia uma grande expectativa, mas (apesar do disco ser razoável) não decolou e é o fim do grupo. Ficamos pois com um compositor que virou sucesso mundial e que de repente não precisa mais dos velhos companheiros. O cara tem uma fórmula para compor, escreve letras simples que o público gosta, apresenta-se como se estivesse tocando em um pequeno night-club, vende bem, faz grana e... Com tudo isso ele poderia seguir na fórmula, mas eis que ele inventa a THE PHIL COLLINS BIG BAND. Pra que? Porque? No encarte PC explica: “Foi em 1966 quando ouvi BUDDY RICH SWINGING NEW BIG BAND. Todas as outras coisas que eu estava ouvindo nessa época, tiveram que dar espaço a este maravilhoso ruído que eu tinha descoberto. Eu saí procurando por mais e descobri COUNT BASIE WITH SONNY PAYNE, HAROLD JONES and JO JONES... então DUKE ELLINGTON, e muitos mais. Eu decidi que um dia eu iria formar minha própria Big Band. Trinta anos depois eu fiz. Em 1996 excursionei com QUINCY JONES conduzindo e TONY BENNETT como nosso vocalista convidado, e minha banda! Eu estava no paraíso. Tendo experimentado uma vez, não podia esperar para fazer de novo. Em 1998 eu levei a banda para uma excursão nos EUA e Europa. Gravamos alguns shows e o resultado está aqui para ser ouvido. Para mim é um prazer, estou de volta ao meu lugar, atrás da bateria, tocando música. Eu espero que ela mexa com você como faz comigo. Se fizer, venha nos ver algum dia.” Modesto o rapaz. Mas ele realmente fez. O lado triste da história da vida dele foi terminar um casamento de muitos anos. Contam que o público inglês gostava dele como um superstar exatamente por defender valores...etc, etc. Enfim, o cara seria o genro que minha avó gostaria de ter. Quando ele se separou e casou com uma moça muito mais nova do que ele fez-se o drama. Como superstar pode, ele pegou suas coisas e mudou-se para a Suíça. Parece que resolvido a dar um tempo nas letras melosas das baldas formou a PCBD. No especial que passou na GNT, ele mostrava como foram feitos os arranjos. Havia uma fita gravada com outro músico tocando bateria. PC não lê partitura e muito menos sabe usar escovinha ao invés de baqueta. Tudo isso dito por ele mesmo. Em uma revista KEYBOARD de alguns anos atrás, li a carta de um músico reclamando não ter tido crédito no disco da PCBD. Ele queria os créditos por ter sido o baterista que gravou a fita guia para PC. Como eu não lembro o nome do cara, não posso minimizar a falha, mas não importa. Vamos ao disco. A faixa de abertura é SUSSUDIO uma daquelas coisas animadinhas com arranjos de metais que ele fazia e estremecia os fãs mais ardorosos do GENESIS. Ela abre com bateria e percussão dando o clima do que é uma Big Band liderada por um baterista. O negócio é que a música cresce muito durante o solo de sax de GERALD ALBRIGHT. As intervenções dos metais são realmente de Big Band e não de grupo de soul tipo BLOOD SWEAT AND TEARS. Palmas para MIKE BARONE que arranjou esta aqui. A seguinte é THAT’S ALL, irreconhecível na introdução. Na exposição do tema pelos metais, mais rápido que o original, é que descobre-se qual é. Legal a exposição da segunda estrofe pelo baixo, que por sinal: DOUG RICHESON faz um belo WALKING BASS nessa aqui. O arranjo de JOHN CLAYTON JR logo abre espaço para o solo de trombone de ARTURO VELASCO. PC conduz no RIDE com um estilo mais GENE KRUPA do que BUDDY RICH, mas sai-se bem. O solo de sax tenor por CHRIS COLLINS é interessante, mas um pouco exagerado, com excesso de técnica. Quem está bem também é o pianista BRAD COLE, que mantém uma harmoniosa base. A insuportável (é pessoal) INVISIBLE TOUCH foi completamente transformada por SAMMY NESTICO. Abre com trio, piano, baixo e bateria. Aqui percebe-se que PC realmente não sabe usar a escovinhas (ou Brushes, você escolhe), pois ele não está usando e o arranjo com certeza era pra ser com ela. Após o solo de piano, DARYL STUERMER (guitarra) expõe o tema em oitavas e não parece a mesma música (graças a Deus). Está absolutamente jass (com dois “s” mesmo e se quiser me escreve que eu explico). Os timbres escolhidos a dedo para não soar o pop que era, pois acho que isso tocou muito na rádio. O solo de sax tenor de LARRY PANELLA é curto e dentro do contexto de uma orquestra. HOLD ON MY HEART começa lentamente com os metais e baixo, prenunciando a lenta balada que está por vir. O flugelhorn de HARRY KIN é suave e meloso (aqui no bom sentido), apropriado até demais. A música, com esse arranjo de JOHN CLAYTON JR ficou parecendo coisa de CHUCK MANGIONE, muito por causa do solo, belíssimo, de flugel. Segue-se CHIPS & SALSA, uma música do saxofonista GERAL ALBRIGHT arranjada por ele e HARRY KIM e com solos de GA (alto), BRAD COLE (piano) e LUIS CONTE (percussão). Essa música desperta a platéia que acompanha com palmas. Não acho que o público estivesse dormindo durante o show, mas o clima foi ficando mais intimista e essa é mais pra cima, com baixo e percussão latinizados, como se pode supor pelo título. O solo de BC poderia ser chamado de “saudades de MICHEL CAMILO”, mas felizmente podemos ouvir MC ainda. A sexta faixa é I DON’T CARE ANYMORE, com arranjo de JOHN CLAYTON JR e solo de trombone de ARTURO VELASCO. A introdução é legal, mas o tema não funciona bem. A melodia é claramente para ser cantada. Quando os metais ficam “roucos” e duelam um pouco, a coisa melhora. O piano introduz o solo de trombone, que funciona pra “acordar” todo mundo. Bem, a essa altura do disco surge MILESTONES do príncipe negro MILES DAVIS. O arranjador é o mesmo da anterior. Dois tenoristas solam aqui: LARRY PANELLA e CHRIS COLLINS, logo na introdução, como gostava o próprio MD. Quem se sai bem é o trompetista ALAN HOOD, afinal está solando um tema do mestre, por outro lado já é um standard e ele tem mais é que mandar ver. Os solos voltam aos tenores, que duelam e bem, até a intervenção final de toda a orquestra com um micro solo do líder antes do fim. AGAINST ALL ODDS é outra do band leader PC, das duas só deles que estão no disco. Arranjada aqui por DAVID STOUT e solo do saxofonista convidado do disco GA. Um tanto previsível no começo, parece feita para agradar aos fãs do cantor PC. O solo segue a linha melódica, mas sem a raiva contida na letra. Certeza disso é que quando o resto da orquestra entra, a platéia manifesta-se com aplausos. O solo de GA logo depois, melhora a impressão inicial, pois dá o tom raivoso e irônico. Este é um daqueles arranjos que crescem no final e que você fica com a sensação de que começou ouvindo uma música e terminou ouvindo outra. Passamos para PICK UPTHE PIECES, com 12:09 de duração. Além disso conta com a participação de convidados: JAMES CARTER (sax tenor) GEORGE DUKE (piano) e ARIF MARTDIN (arranjador e maestro). Finalmente “is show time”. A orquestra SWINGA bastante, apesar de estranhamente o líder manter uma batida mais reta e menos quebrada, coisa que ele fazia bem tanto no BRAND-X quanto no GENESIS. Mas temos com o que nos divertir aqui e podemos deixa-lo de lado. JC faz um competentíssimo solo, bem próprio para o tema que está rolando por trás. GD fica na dele, intervindo aqui e ali, brincando em cima do improviso. chega sua vez. Saídas de quatro entre a orquestra e a sessão rítmica dão chance para mais gracinhas de GD. Seu solo é o que se espera. Começa tentando achar o caminho, buscando as notas mais adequadas até que parece achar em uma brincadeira com os baixos o melhor caminho. Não está muito preocupado em manter as coisas dentro de um contexto muito racional e aí se perde um pouco, apelando para algumas escalas até retornar a idéia original. Mas uma convenção e uma cromática o salvam. Se você parar pra ouvir o solo lembrará de coisas melhores dele, mas se estiver dançando nem vai perceber, até porque JC aparece pra solar e bota tudo o que se ouviu até agora no chinelo. Excelente solo, com todos os exageros possíveis. A última (isso está ficando mais longo do que planejei) é THE LOS ENDOS SUITE. No especial da GNT fiquei um pouco decepcionado. Mas não senti a mesma decepção no CD. Não sei se o som estava melhor ou o que era, caiu melhor. O arranjo é do HARRY KIM, que esqueci de dizer é também o diretor musical. Abrimos aqui com um dueto de percussão e bateria. A entrada dos metais no tema, arranca aplausos da platéia. A seguir um outro dueto (piano e baixo) na bridge, prepara o clima latino, bem a LA FIESTA que entra com o solo de trompete de HK, que parece estar muito à vontade. Logo após este solo, intervenções latinas da orquestra fazem uma bela introdução para a mudança do clima, que começa com um belo rufo de PC e a repetição do tema pelos metais até tudo explodir no solo do fiel escudeiro de PC: DARYL STUERMER (guitarra), também produtor desse disco e de muitos outros de PC. Sendo um músico experiente que já tocou com muita gente antes de se tornar “coringa” no GENESIS, seu solo é preciso. Não é um STEVE HACKET, mas funciona. O alto de GA vem a seguir, já um pouco desgastado, porque repete a idéia de todos os outros solos dele, mas como é a última música a gente nem percebe. PC faz umas viradas na bateria, dá um gritinho e fim. Antes da conclusão uma observação. Reparou quão pouco falei do PC durante as músicas? Achei ótimo isso dele estar realmente atrás da bateria. Vale o conceito, o que o band leader tem na cabeça para a orquestra, mas isso não significa que sejam necessários solos em todas as músicas. Essa lição é tão básica que seria safadeza dizer que PC aprendeu. Nisso esse disco é impecável. Mas vamos à conclusão, já que eu preciso escrever uma, o que é sempre complicado quando se trata de um disco de FUSION. (????) “Como assim?” você me pergunta. Veja só: o band leader é um cantor que foi baterista de grupos de rock e progressivo. Só isso já é fusion. Mas deixando a brincadeira de lado, se você gosta do PC, compre porque vai gostar, apesar de não ter a voz dele. Se você é fã de big bands, esqueça. Tem muita coisa melhor por aí. Se você é fã do GENESIS, procure a MP3 da LOS ENDOS SUITE que você estará bem. Agora eu me perguntei porque EU comprei. Acho que minha busca por novidades me leva a certos desatinos, mas não arrependo, é um disco muito produzido. Valeu. |
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Alex Saba é músico, compositor, |