Música No Planeta Terra


01/Maio/2004

BACK TOGETHER AGAIN

A prestigiada revista americana DOWNBEAT, tem uma coluna chamada VINYL FREAK, que é escrita por um “tarado” por discos de vinil. O cara aparece com o que há de mais exótico ou bizarro em matéria de música, verdadeiras pérolas.

Sem querer copia-lo, hoje me deu vontade de falar de um LP maravilhoso, infelizmente não convertido para CD – sabe-se lá porque. O ano é 1972 e os titulares são o guitarrista LARRY CORYELL e o baterista ALPHONZE MOUZON. O estilo é definitivamente FUSION, como não poderia deixar de ser nessa época, quando isto era moda. Mas o melhor mesmo do disco é que o segundo guitarrista é PHILIPE CATHERINE.

LC e PC estavam trabalhando juntos em um maravilhoso duo. Haviam lançado o aclamado TWIN HOUSE e SPLENDID. Depois destes álbuns saiu ainda um ao vivo, com a adesão em algumas faixas, do pianista alemão JOACHIM KUHN. Todos os três álbuns são ótimos e acústicos, apenas violões e piano – única exceção é em uma faixa em que PC toca uma guitarra FRETLESS, ou seja, uma guitarra sem trastes.

A pergunta que não queria calar – pelo menos na época – era de como eles soariam em um contexto mais elétrico. A resposta veio neste álbum de LC com AM: BACK TOGETHER AGAIN.

AM nunca foi um baterista discreto. Está mais para CARL PALMER do que para PHIL COLLINS (dos bons tempos). Sua exuberância – patente na contra-capa, onde aparece com um vistoso traje abóbora e dourado – deixa pouco espaço para os dois guitarristas, mas aí surge o quarto músico dessa gravação, o baixista JOHN LEE.

A química dos quatro beira a perfeição. Não há delicadezas. O som é propositadamente pesado, em anteposição ao que faziam no duo. As viradas de AM são de perder o fôlego. Não parece que ele vai conseguir terminar a frase que começou a tempo...mas consegue.

JL não faz o feitio discreto e seu baixo mistura-se com a bateria, criando um intrigante dueto à parte.

Os dois guitarristas são velhos conhecidos e como o disco é de LC, são poucos os solos de PC, mas nem por isso deixa de ser interessante a maneira como ele coloca seu violão ou guitarra dentro desta massa sonora. Claramente exposto na primeira faixa BENEATH THE EARTH, onde um arpejo é repetido “ad eternum”.

As composições são basicamente dos dois titulares do álbum, mas há espaço para TRANSVESTED EXPRESS, um clássico do duo LC & PC e a quase-balada THE PHONSE, de JL.

Só posso entender que esse disco não tenha sido lançado em CD por conta de alguma questão contratual “sinistra”, ou puro desinteresse dos tubarões da indústria fonográfica, para quem um disco desses estaria fora de moda ou ultrapassado. Não há uma justificativa para que não o façam. É uma aula para qualquer músico, independente do gosto.

Bem, essa última declaração é polêmica, pois alguns músicos são chatos e exigentes o bastante para reclamarem de qualquer coisa que não esteja dentro do universo deles, mas aqui estamos entre pessoas abertas e ousadas e é isso o que esse disco é.

O único senão: a gravação. Ouvi várias vezes e acabei sem entender porque resolveram colocar as guitarras tão ao fundo. Ficaram muito emboladas. Pode ser que a culpa seja da versão nacional do meu vinil, mas com certeza não é desgaste de uso, é opção de produção.

Bem, cabe a você dar a sua opinião.

Valeu
 T+

PS1: Caso você tenha um CD e queira vê-lo comentado aqui, entre em contato.

PS2: Depois que essa coluna foi publicada, o CD Back Together Again foi lançado pela Wounded Records, que vem fazendo um trabalho muito legal de recuperação de discos que foram esquecidos pelas gravadoras.


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Alex e seus instrumentos

Alex Saba é músico, compositor,
arquiteto, fotógrafo, escritor e muitas outras coisas dignas ou não de serem mencionadas aqui...