Música No Planeta Terra


01/Abril/2004

ANO NOVO

Bem, a cada início de ano as expectativas parecem ser maiores do que as do ano anterior. Tratando-se de um país como o Brasil, onde um metalúrgico foi eleito presidente depois da terceira (?) tentativa, a coisa pode ser bem pior (ou melhor).

Não adianta fazer um balanço do que aconteceu. Deixo isso para as inúmeras publicações que irão polemizar o assunto à exaustão. Teremos como sempre as listas dos melhores e dos piores e como fecho de ouro (dos trouxas) o afamado programa “jornalístico” da Rede Globo Retrospectiva 2002. Pra mim chega disso.

O ano de 2002 deixou muito a desejar e acredito que 2003 não seja diferente. Pode ser que 2004 veja um novo país emergindo na ordem social, mas isso é muito otimismo da minha parte.

Gostaria mesmo é de ver os artista fazendo arte. Músicos compondo, cantores cantando, pintores pintando, escultores esculpindo, bailarinos dançando e escritores escrevendo.

Gostaria de que o sucesso e a exposição pública acontecessem porque o trabalho daquele artista foi ouvido, visto, enfim, apreciado e o público interessou-se em saber mais sobre ele. Chega de programas como o Fama e um outro que passou no SBT mas nem sei o nome, onde rapazes e moças são adestrados em um sistema de internato típico de séculos passados, a cantar e dançar como acham (os produtores) que é o certo.

Estamos a precisar de um novo movimento Punk, para rompermos com as estruturas e as regras, ou talvez com um que dance sobre as mesas da aristocracia (como em Hair, símbolo dos hippies).

Precisamos de qualquer coisa, mas acima de tudo, precisamos sair da toca. Precisamos parar de achar que o “meu som é melhor”, “que eu toco mais que o fulano” e colaborar. Buscar associações entre os amigos, não para formar agremiações ou conjuntos, mas para formar laços de amizade e fraternidade.

Precisamos romper a casca do ovo e colocar a cara pra fora. Precisamos nos fazer ouvir, nem que seja na calçada. Se não dá pra colocar o piano no meio da rua, leve o acordeom; se a extensão do amplificador é curta, peça ao porteiro do prédio ao lado. Toque. Faça-se ouvir.

Os executivos estão elegendo quem eles querem como desculpa para seu péssimo desempenho à frente de suas empresas. Quando um músico toca mal, o público vira as costas. Quando um executivo erra, inventa teorias econômicas e fantasmas.

É preciso mostrar que existe talento de sobra nessa cidade e nesse país. Quanto mais vocês  quantos mais grupos se unirem, mais chance haverá de fazermos realmente de 2003 um ano novo.

Valeu
T+


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Alex e seus instrumentos

Alex Saba é músico, compositor,
arquiteto, fotógrafo, escritor e muitas outras coisas dignas ou não de serem mencionadas aqui...