| Música No Planeta Terra |
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YES!
OH NO! O YES é um daqueles grupos que não possui meio
termo. Ele é odiado ou amado em igual intensidade. O grande sucesso
“Owner Of
a Lonely Heart”
jogou-os na grande mídia e no colo do grande público (mais uma vez),
mas o mais importante é que ele deu ao grupo a chance de chegar até
hoje. Não existiria mais o YES sem “OWNER”. Mas nos anos 70, tudo era diferente. JON ANDERSON e
CRIS SQUIRE resolveram formar uma banda que explorasse os vocais de
uma dupla de americanos que eles gostavam muito: SIMON &
GARFUNKEL. Havia também uma estética neo-psicodélica. Um
psicodelismo místico adaptado. Capas e cenários, sempre de autoria
de ROGER DEAN, e letras “viajandões”. Cinco cabeludos com batas,
franjas e calças bocas de sino... Cabe aqui um parênteses, pois as
capas que RICK WAKEMAN usava eram tão chamativas, que dificilmente
alguém seria capaz de lembrar de mais algum detalhe. Mas, capa à
parte, o grupo era formado por grandes figuras: um vocalista com voz
de falsete; um baixista inovador (CHRIS SQUIRE); um guitarrista
inquieto (STEVE HOWE), que não parava de solar sua Gibson mais usada
por músicos de jazz; um baterista ao mesmo tempo sutil e poderoso
(BILL BRUFORD) e o homem da capa, o megalômano
RW, o músico que inovou o uso dos teclados. Muitos anos se passaram e o YES
é um dos grupos com maior entra-e-sai de músicos. TONY KAYE,
tecladista na primeira formação, voltou para dois álbuns: 90512 e
TALK. RW substitui TK, mas não fez DRAMA, 90512 e TALK, voltou em
KEYS TO ASCENTION e saiu de novo, voltando agora, depois que tivemos
que aturar o fraquíssimo russo IGOR ALGUMA COISA. O primeiro
guitarrista era PETER BANKS, que saiu dando lugar a SH que saiu em
90512 e TALK para dar lugar ao neozelandês que se achava dono da
banda mas que, como disse o próprio JÁ (que quase fica de fora em
90512) “Quando comecei a cantar ele percebeu que o YES sou eu!”
(muito modesto!). Não cito a substituição de BB por ALAN WHITE pois
este veio para ficar. Nesse entra-e-sai, acabaram
fazendo um disco onde estavam as “duas gerações”. Os dissidentes
que formaram o ABHW e o YES propriamente dito. Dois guitarristas, dois
tecladistas, dois bateristas. Tinha tudo para dar errado e não foi à
toa que deu. Eram muitos egos reunidos, mas o pior é saber que a
maior culpa reside nos produtores. A turnê foi fantástica (dê
preferência aos BOOTLEGS) mas o álbum não. Os músicos ao ouvirem o
resultado, estranhavam por não lembrarem de ter tocado certas partes.
Os produtores encarregaram-se de acrescentar uma guitarra aqui, um
teclado ali e no final ficou uma confusão. Mas foi a rotatividade que
manteve o grupo vivo. Tentou manter a integridade, no desprezado
DRAMA; reinventou-se, no álbum 90512, onde está o já citado
“OWNER”, quase naufragou em LADDER e está aí, com um novo disco. Antes um parênteses. Na última
saída de RW, ele foi substituído pelo tal russo, que dói
apresentado à imprensa por JON, que dizia ser ele um grande fã que
sabia tudo do grupo. Parecia ser só isso mesmo. Ele parecia ser mais
inglês do que seus companheiros naquela frieza que caracteriza o
estereótipo. Mas chegava a beirar a falta de educação a sua postura
nos palcos. Você pode conferir em HOUSE OF BLUES. Talvez ali, já
estivesse demitido e apenas cumprisse o contrato, mas no show no Rio
de Janeiro, não foi muito diferente. O fato é que livraram-se dele
e os quatro remanescentes gravaram um disco sem tecladista. Assim que
soube disso, fiquei escandalizado. A notícia soava como uma heresia.
YES sem teclados é como cachorro quente sem salsicha, coca-cola sem gás,
etc. Nas listas de discussão, o
disco não agradava nem um pouco. A maior crítica era de que a
orquestra era sub utilizada e fazia as vezes de um tecladista medíocre.
Drástica observação. Tecladista como RW tinham a função de trazer
o som das orquestras para o grupo, com um toque de grandiloqüência
característico do rock sinfônico. Tive que ouvir para tirar minhas
próprias conclusões. A expectativa não era das mais
positivas, mas é preciso esquecer um pouco os “entendidos” e os
“especialistas”, porque alguns parecem congelados no tempo, mais
especificamente nos anos 70. Diante disso, encomendei o disco e quando
finalmente chegou, tive que me contentar em ouvi-lo no carro, o que
convenhamos não é o melhor lugar para se ouvir uma orquestra. Mas
apesar de tudo, fiquei agradavelmente surpreso. Não era tão ruim
quanto falavam. Sequer o achei ruim. A faixa título (MAGNIFICATION)
começa devagar com a orquestra enfeitando as coisas no fundo, JA
& CIA fazendo seus esperados e tradicionais vocais, para logo em
seguida “esquentar” levada pelo ótimo baixo de CS e pela incansável
guitarra de SH. Tudo muito uniforme, coerente e ... sem teclados. Segue-se SPIRIT OF SURVIVAL
abrindo com voz, baixo e guitarra. A bateria chama a orquestra com uma
batida seca e rock. LARRY GROUPÉ foi o responsável pelas orquestrações
e como sua visão musical é completamente diferente da dos
tecladistas que passaram pelo grupo, contribui para uma boa reciclagem
sonora. DON’T GO poderia ser a música
de trabalho para as rádios. Tem tudo para agradar aos não fãs, mas
é muito boa. Os vocais são o mais puro YES, mas sem rebuscamentos.
Até SH, que costuma precisar de um filósofo para explicar seus solo
está contido (para SH). GIVE LOVE EACH DAY é a
tradicional mensagem romântica de JÁ. Felizmente a introdução da
orquestra não abusa da paciência do ouvinte apesar da duração. O
baixo de CS apresenta o que será o clima de toda a música, mais
sinistro do que o título deixaria imaginar. CAN YOU IMAGINE abre com a
grata surpresa do piano de AW e tem as divisões típicas do YES e
muitos, muitos vocais, mais do que típicos. WE AGREE começa com um solo de
violão acompanhado por um singelo oboé. Apesar da parte da orquestra
estar muito bem escrita, acaba ficando melosa demais pro meu gosto. SOFT AS A DOVE cumpre a
promessa do título e não cai na armadilha da anterior, tem um clima
levemente celta e é curta. DREAMTIME traz a melhor parte
instrumental de todos os envolvidos, principalmente a sinfônica, com
uma extensa “bridge solo” que funciona também como introdução
para IN THE PRESENCE OF, onde o piano simples e sincero de AW e a voz
de JÁ, seguidos do baixo fazem lembrar as típicas baladas dos áureos
tempos do grupo. Poucas palavras sobre cada música
para te dar uma idéia de como é esse disco. Por outro lado, recebi o
email de um amigo português que havia acabado de assistir a um show
deles no dia 5 de agosto. Transcrevo abaixo parcialmente: “Ainda mal refeito dos efeitos do "jet lag", cá estou eu para vos transmitir umas breves impressões do que foi o concerto dos YES no Radio City Hall, na passada segunda-feira. Antes
de mais, a sala. É esmagadora. É considerado o maior teatro coberto
do mundo, (em termos de altura e largura) com uma capacidade
para 6.400 pessoas e profusamente decorado com motivos de arte nova
(foi inaugurada em 1933). Fica sito no quarteirão do Rockfeller
Center, a dois minutos da Broadway e de Times Square. Os mais curiosos
podem fazer uma virtual tour em www.radiocity.com A sala estava esgotada. Fiquei na décima fila da platéia do lado esquerdo com uma visão privilegiada do palco. Felizmente o ar condicionado funcionava na perfeição uma vez que foi uma semana anormalmente quente (mesmo para NY) com temperaturas superiores a 35 graus e umidade elevadíssima. Antes de mais considerações, aqui vai a "set list": 1-
Introdução: Youngs Person Guide O concerto teve uma duração aproximada de 3 horas. Embora
a minha opinião seja suspeita, só vos digo que o concerto foi um
espanto.O som estava excelente, estando a "mix"
bastante equilibrada, ao contrário das últimas digressões onde a
guitarra do STEVE HOWE tendia a abafar os teclados. Apesar de ser apenas o meu 5º concerto dos YES, a verdade é que foi a primeira vez que vi o RICK WAKEMAN. Abençoado regresso! Os pontos altos da noite (em que toda ela foi um ponto alto) foram o REVEALING e o AWAKEN. Esta último sofreu a comparação direta da versão minimalista da LADDER TOUR (que vimos em Portugal). Uma palavra também para o SOUTH SIDE OF THE SKY (que nunca tinha sido tocado em Tours, com exceção de umas experiências efêmeras nos idos 70). Fantástica versão, nomeadamente nas harmonias vocais no segmento central e no diálogo (duelo?) entre a Gibson ES175D do STEVE HOWE e o Mini-Moog do RICK WAKEMAN. Sim! O Mini-Moog foi a estrela da noite. Interessante foram também os temas do MAGNIFICATION que foram compostos para orquestra e que foram substituídos pelos teclados. Embora não seja a mesma coisa, a verdade é que não ficam a perder. A surpresa da noite foi o solo do RICK WAKEMAN que foi tocado no órgão WURLITZER que é o ex-libris da sala. Este órgão está escondido atrás de uma cortina do lado esquerdo da sala. Quando foi anunciado o solo do "WIZZARD" o órgão aparece de trás da cortina com o WAKEMAN a tocar. Diga-se que eu estava apenas a cerca de um metro do orgão... O YOURS IS NO DISGRACE na minha opinião foi superior ao LADDER TOUR ficando mais aproximado à versão do YESSONGS. Os "folks" e os "mates" ovacionaram calorosamente a banda ao ponto de no final do AWAKEN o JON ANDERSON ter ficado com lágrimas nos olhos. Quanto à banda, a boa disposição e a alegria foram umas constantes. Brincavam uns com os outros, grandes e largos sorrisos com o público, enfim, uma química (seja lá o que isso for :-)) como há muito não se via. Parece que esta associação é para durar. Há rumores que se vai seguir em Janeiro uma digressão européia e depois a gravação de um novo disco (já foi assinado um contrato de três anos com uma editora cujo o nome agora me escapa). Como duvido que passem em Portugal, cá temos uma oportunidade para organizar uma "viagem para assistir a concertos..."). Um
abraço Pedro
Fonseca Borges” Como podem ter observado, o amigo é muito mais fã
do que eu, mas digo isso por pura inveja de não ter podido ver esse
show. Para aqueles que estão com o inglês em ordem, aconselho a extensa entrevista de RICK WAKEMAN publicada aqui na rede e disponível em http://nfte.org/current-issue.html. É esclarecedora quanto a muitos pontos bastante obscuros referentes à participação dele no grupo. Valeu |
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Alex Saba é músico, compositor, |