Música No Planeta Terra


21/Maio/2004

ALMIR CHEDIAK

Tem vezes que eu fico tonto com a quantidade de novidades.

Teve o festival de jass – oops – jazz (esse era mesmo com “zz”), teve a Bienal do livro...

(Leitor impaciente) “Lá vem você falar de outro assunto que não música!”

Perdão impaciente leitor, mas é que a Bienal também foi música. Lá estavam várias editoras que publicam partituras, métodos e o que mais você quiser. Estava a Jobim Música, a Irmãos Vitale,  a Lumiar...

(Leitor impaciente) “Lá vem ele outra vez!”

É mesmo caro leitor, dessa vez vou mudar o tom e o som, porque o que aconteceu nesse mês de Junho foi para não nos deixar apenas de luto, mas realmente tristes. A violência desenfreada no Rio de Janeiro fez mais uma vítima: ALMIR CHEDIAK. Como não estamos na página policial, vou pular tudo aquilo que você com certeza já leu.

AC era daqueles que não se esquece. Quem o conheceu o tem na mais alta estima como aquele amigo pra toda hora. Podíamos contar com ele fosse para o que fosse.

Mas ele nos deixa uma grande obra. Uma obra de uma humildade sem par. Depois de passarmos muitos anos tendo apenas a revista VIGU (Violão e Guitarra) como fonte dos acordes das nossas músicas favoritas, eis que ele surge com a sua série Songbooks. A VIGU deixava muito a desejar. Desde a escolha do repertório, até os próprios acordes. Não havia nenhuma garantia de que aquilo era o certo. Acontece que nunca era. A VIGU tinha como “ideal” ser a revista pra quem está começando. Era pra “principiantes”, “amadores”, etc. Eles facilitavam muito os acordes de cada composição. Tanto, que algumas nem se pareciam com as originais.

Eis aí que nos aparece o AC com essa idéia dele. Ele ouvia as gravações, conversava com os compositores ou vice versa, ou seja, alguns davam as partitura, que ele levava pra casa, tocava, ouvia a gravação e...tem um caso interessante dele com o CARLINHOS LYRA, que ele chegou pro CL e disse que aquela nota não estava certa. O CCL tocou a música e disse, “Não, é isso aí!” o AC pediu que ele repetisse e mostrou que durante uma passagem de acordes, CL incluía uma nota diferente.

Esses preciosismos, nos deixaram com uma coleção maravilhosa de partituras tremendamente acuradas. Nos últimos Songbooks, ele lançava também um CD com algumas das músicas ali transcritas. Um trabalho hercúleo, que ninguém até então tinha conseguido realizar com a disposição dele.

Hoje vou ser curto, e ficar por aqui. Essa história do AC realmente mexeu comigo.
Acho que está mais do que na hora de pensarmos o que queremos.

Valeu
T+


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Alex e seus instrumentos

Alex Saba é músico, compositor,
arquiteto, fotógrafo, escritor e muitas outras coisas dignas ou não de serem mencionadas aqui...