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QUATERNA RÉQUIEM LIVRE
QUATERNA REQUIEM LIVRE, foi comentado em uma edição
da revista francesa HARMONIE e o comentarista achou que LIVRE era a
palavra brasileira para LIVE, ou seja, AO VIVO. Bem, a desinformação
do crítico não invalida a bem feita análise, mas é uma baita falha
“lingüística”. LIVRE foi gravado no SCALA, Rio de Janeiro em
dezembro de 1997 no RIO ART FESTIVAL realizado lá e que contou com
outras boas bandas (mas isso é pra outro comentário). Um disco ao vivo traz no mínimo dois desafios para o
artista. O primeiro de ordem técnica: “Será a gravação tão boa
quanto o álbum de estúdio?”. Graças a tecnologia, hoje isso não
é mais um grande problema. LIVRE é perfeito nesse ponto. O segundo
desafio (também de ordem técnica, mas “pessoal”) é: “Serão
eles capazes de tocar ao vivo o que fizeram no estúdio?”. Aí a
coisa complica. As vezes, maravilhados pela capacidade de se fazer o
“impossível” em um estúdio, a apresentação ao vivo fica
integralmente comprometida. Quanto ao QUATERNA, parece nem ter tido
esse tipo de preocupação. A execução é impecável. Normalmente, um disco desse tipo, é lançado com as
melhores execuções realizadas em vários shows. Mas nem sempre se
pode contar com todo o aparato tecnológico para ser realizar uma boa
gravação. O que reforça ainda mais a qualidade dos músicos é ser
este LIVRE, o documento de uma apresentação única. Não havia como
(nem porque) escolher entre diferentes versões. Todas “valeram”. O grupo é formado por ELISA WIERMAN (teclados),
CLAUDIO DANTAS (bateria & percussão), JOSÉ R.CRIVANO (guitarra)
e enriquecido pelas participações especiais de FRED FONTES (baixo) e
KLEBER VOGEL (violino). Poderia ficar escrevendo parágrafos e mais parágrafos
sobre o fato de ser liderado por uma mulher, mas seria machismo demais
da minha parte. Como não sou dado a isso, apenas saliento o fato, já
que são poucas as mulheres instrumentistas nesse mundo
(pretensamente) capitaneado pelos homens. LIVRE é o terceiro disco da excelente carreira do
grupo, que fez sua estréia com VELHA GRAVURA (1992) seguido por
QUASIMODO (1994). QUATERNA é daquelas bandas que parece ter nascida
“pronta”. Essa é uma característica muito comum no rock
progressivo, mas que não encontra similar nos outros estilos. VELHA
GRAVURA é um disco, que após a primeira audição, nos perguntamos:
“Como será o segundo?”. “Terão eles idéias, imaginação,
capacidade, para outro tão bom?”. A resposta é simples: tiveram.
QUASIMODO é tão bom quanto o primeiro. Este ao vivo, abre com FANFARRA e QUASIMODO (em versão
reduzida de 19 minutos) do segundo álbum. Depois a inédita TRÍADE,
IRMÃOS GRIMM e VELHA GRAVURA. As duas últimas do primeiro álbum.
Entre elas um solo de bateria. Preciso abrir um parênteses aqui. Não espere um
solo muito convencional, pois a exemplo de outros bateristas contemporâneos,
DANTAS é capaz de ser melódico e usar sintetizadores acoplados a
seus tambores – lembram de CARL PALMER? Fazia algo inovador,
pioneiro e semelhante pelos idos dos anos 70. Dantas é inclusive, um excelente pintor são de sua
autoria as belas gravuras usadas nas capas dos dois primeiros álbuns.
Tal diversidade nem um pouco incompatível, confirma a sensibilidade
do artista. Fecha parênteses. EW por sua vez é uma tecladista que sabe muito bem
como colocar seus instrumentos. Seja fazendo base para os solos da
guitarra de CRIVANO ou nas boas passagens de solo. Seu mérito não
acaba aí, pois também são dela (em parceria com DANTAS), as composições
e arranjos. Minha música favorita é a romântica VELHA GRAVURA,
que conta com o belo violino de VOGEL, integrante da primeira formação
do QR, líder do grupo KAIZEN (que espero estar comentando nas próximas
colunas) e que lançou junto com EW um novo CD. O QR é sinfônico sem ser megalômano, romântico
sem ser piegas, uma excelente banda que merecia ter mais espaço, mas
não é tão ouvida porque o público (em geral), tem pouca (ou
nenhuma) chance de ser apresentado a eles. Falha que não é culpa do
grupo. Culpa sim, de um “sistema”, que segrega bons músicos e
boas músicas, enchendo nossos ouvidos com um lixo desagradável. QR tem um lugar assegurado no cenário artístico
brasileiro e mundial. Como outros tantos, merecia maior e melhor e
destaque. Pra isso, é preciso que você ajude a mudar o
“sistema”. Na próxima ... mais nacionais! Valeu |
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Alex Saba é músico, compositor, |