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ED
MOTA x DJAVAN Essa
inusitada comparação foi o ápice de uma discussão em uma lista
sobre sintetizadores da qual participo. Tudo começou quando elogiaram
e elevaram o talento de ED MOTA. Avisei que tinha problemas pessoais
com EM e não gostava. A partir daí tentaram mudar a minha opinião e
me chamaram até de cabeça dura (bem, esse foi o mais simples). Cabeça
dura eu sou mesmo, até porque quando divulgo uma OPINIÃO, é porque
já pensei muito sobre isso. Não se trata de não querer mudar, mas
de estar vendo as coisas por um outro ângulo. A argumentação
da outra parte (que chamarei aqui de Eduardo) era de que se o EM era
mesmo ruim como eu falava, como tantos músicos queriam tocar com ele? Misturou-se
portanto a minha opinião (pessoal como disse) com o desejo dos
trabalhadores (músicos) em trabalharem (tocarem) com um chefe
(artista) capaz de lhes arrumar vários projetos (shows/gravações) e
fazerem bom dinheiro (dinheiro). Caramba, ta na cara que qualquer um
quer tocar com EM, XITÃOZINHO & XORORÓ, SANDI & JUNIOR,
VANESSA CAMARGO, ZEZE DI CAMARGO E LUCIANO, ROBERTO CARLOS, etc. Quem
não gostaria de ganhar bem? Mas ser este seu sonho...aí é outra
coisa. Se você
fosse um tecladista, você com certeza gostaria da “segurança” de
tocar com RC do que com JORGE MAUTNER, que faz show esporádicos. Mas
muito provavelmente, você vai se divertir muito mais tocando com JEAN
MICHEL JARRE do que com CLEONILDO MALTA. E ainda na hipótese de que
se você fosse um tecladista, o que você mais gostaria: tocar com JMJ
ou te-lo tocando no SEU show? O PRAZER de
tocar pelo PRAZER de tocar não existe segundo a Epistemologia. O que
há é o prazer de estar tocando com quem te paga bem, prazer de tocar
com um grupo que te trata bem, prazer de tocar por gostar muito do
artista....e em momento algum isso foi dito. Tomei a
liberdade de transcrever abaixo, um e-mail do (chamemos de) PILOTO em
resposta ao do EDUARDO (as frases dele começam com o sinal
“>”). ABRE ASPAS >
Sei que isso é meio incerto para julgar, mas pq o Ed faz turnês
de 30 shows pela Europa e pelo Japão??? Bota incerto
nisso. Afinal, muita gente ruim é um sucesso lá fora e vice-versa. > O É O
TCHAN foi uma vez e não voltou nunca mais. Posso estar
errado, mas ACHO que O TCHAN e Ed Motta não foram disputar o mesmo
mercado lá fora, não. Nem foram tocar para o mesmo público. A não ser
que seja justo comparar as turnês no Brasil de MICHAEL JACKSON nos
estádios, JOE SATRIANI no Credicard Hall e algum jazzeiro num Bourbon
Street, sõ porque todos vem dos EUA. > Pq ele
tem seus cds considerados (lá fora e aqui dentro)
como um dos melhores no mercado ??? E pq a nata dos
músicos aqui do Rio e de São Paulo almejam tocar com
ele ??? Peraí!
Gosto é como banda, cada um aqui tem a sua, e não deve impô-la ao
outro que as vezes não a aceita (hehehe). Sou mineiro, já morei no
Rio e em Sampa, fiz música nos 3 estados, acho que posso falar com um
pouco de isenção: Já toquei com amigos no Rio. E eles idolatravam o
Ed. Eu era bem relacionado em minha fase carioca de uns anos atrás, e
tive a oportunidade de conhecê-lo, ver alguns backstages de apresentação,
na época. Ele era quase um cult no rio. Era bom, claro, mas
sinceramente, não me emocionou, nem vi nada a altura do andar que o
colocavam. Pode ter
algum músico bom de Sampa que queira tocar com ele, mas GARANTO que
aqui ele não é este cult todo. Nem imagino a turma da Teodoro
Sampaio procurando ou discutindo o último CD de Ed Motta - a não
ser, no máximo, como mais um. Nem vejo grande furor entre músicos
daqui quando há uma apresentação dele - não mais do que qualquer
outra das INÚMERAS boas opções do mundo todo que se apresentam
sempre por aqui. Sampa é
muito universalista, boa arte aqui é respeitada, venha do Rio ou de
Moscou. Ele também terá seu público aqui. Até porque ele é bom,
mas não só por isso. Afinal, uma orquestra da transilvania também
teria, porque, pra começar, há MUITOS transilvânicos e cariocas por
aqui, assim como lituanos, gaúchos, nordestinos, suíços, japoneses,
italianos. Legal, o Ed.
Mas eu também não curto (tanto) o resultado final, nem as bochechações
afinadas dele. Tá, pode ser que o ego excessivo afete negativamente a
avaliação. Sei ver que há afinação, qualidade, mas não vejo isso
tudo. > Se alguém
acha que não, deve estar conhecendo o tecladista do TERRA SAMBA ou
algo assim. Eu não
acho, eu tenho certeza de que não há esta briga entre os paulistanos
pra ver quem tem a honra de tocar com o Ed - que é bom, mas só é
cult no rio. Ah, a propósito: Sou amigo do tecladista do BOM BALANÇO,
e co-autor (eu diria culpado) de alguns axés do tipo "Juliana não
quer sambar". Santista, ele é gente fina pacas, e faz ótimos
new age quando não está TRABALHANDO na Bahia para defender o pão da
sua filha. AH, com certeza ele acharia uma honra tocar com o Ed também.
Mas decerto não o cultua. > Os
melhores instrumentistas da nossa música, sempre dizem que tocar com
o Ed ou com o Djavan, é a melhor gig que pode ter . Porque será isso
??? Porque cada
um tem um gosto. Eu jamais
colocaria Ed no mesmo altar de sensibilidade, romantismo, poesia,
harmonia, composição, inspiração onde eu coloco Djavan. Isso sem
falar na EGRÉGORA formada por tanta gente que fez de suas músicas
trilhas de amor - de bom gosto.Mas isso é tão subjetivo... Sei
lá, talvez eu tenha lido Fernando Pessoa demais e virado um chato.
Mas não vejo termo de comparação entre: “Por ser exato / O
amor não cabe em si / Por ser encantado / O amor revela-se / Por ser
amor /Invade / E fim.” Com as rimas
de: "Mia, arranha o céu / Mia, lua de mel, / ao léo, / well
well" (?) Se for pra
falar de sexo insinuado, eu ainda acho que há uma pequena diferença
entre "O amor e a agonia / Cerraram fogo no espaço / Brigando horas
a fio / O cio vence o cansaço / E o coração de quem ama / Fica
faltando um pedaço / Que nem a lua minguando / Que nem o meu nos seus
braços" e a
"bela" rima de: “Cidade
nua / Noite neon / Gata de rua / faz ron-ron / ao luar ... “ Ou comparar “Amar
é um deserto / E seus temores / Vida que vai na sela / Dessas
dores.../ Você deságua em mim / E eu, oceano (!) / Esqueço que amar
/ É quase uma dor” com “Ia pro
trabalho cansado, às 6 da manhã / Ouvia no seu rádio, calcinhas e
sutiã / No rádio era um funk, o trem tava lotado / Se eu fosse
americano minha vida não seria assim” e a apoteose
poético musical de: “Manuel / Foi pro céu / Manuel / Foi pro céu” Realmente,
uma rima que não vi ninguém aqui em Sampa pensar. Pq não ousaria.
Até aquela piadinha com nome de novos anjos (Abravanel, Motel,
Sarapatel, Aluguel) consegue fazer coisa mais rimada e criativa. Sem
querer tocar fogo na ponte aérea, adivinhe de onde vem o verso: "Eu
não nasci pro trabalho / Eu não nasci pra sofrer / Já descobri que
a vida / É muito mais que sofrer" ??? "Amar
é um deserto / E seus temores / Vida que vai na sela / Dessas dores" Em todo
caso, como muitos aqui gostam de trabalhar - inclusive meu amigo SAULO
CALDERON que toca axé na BOM BALANÇO - se a grana for boa, muitos
daqui, que nasceram para o trabalho, vão querer sim tocar com o Ed.
Que até tem um sonzinho legal. FECHAS ASPAS Concluindo
esse longa coluna: 1)
não levante um assunto polêmico em uma lista de discussão; 2)
se o assunto não for polêmico, mas se tornar...esqueça; 3)
não divulgue sua opinião, a não ser que já saiba que todos
tem a mesma que você, pois caso contrário vai aparecer um querendo
que você concorde com ele. 4)
concorde com aqueles mais enfáticos e que não arredam pé da
própria opinião, pois você não vai muda-lo nem ele a você, ou 5)
não participe de listas de dicussão E
afinal: o EDMOTA é tão “bonzão” assim? O que você acha? Valeu, |
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Alex Saba é músico, compositor, |