Teve
por Márcia Mendes Ribeiro

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10/Março/2001

Andar com fé eu vou...

Quem poderia unir a canção mais batida do universo com o cantor mais cara de pau do universo? A Globo, ora!! Lá vem Estrela Guia, com abertura musical de Paulo Ricardo cantando (irgh) Imagine.

Poderia ser pior. Sempre pode. Poderiam ter gravado Imagine com Paulo Ricardo e... Sandy.

E o que esperar de uma novela cujo galã é Guilherme “Chatô” Fontes? Os pais da Sandy tinham uma lista de galãs para escolherem aquele que faria par com a pimpolha e optaram por Guilherme Fontes. Imaginei que estivessem preocupados com a imagem da moça...

Segundo um amigo meu aí tem. A Globo agora se mete neste negócio de cinema... Guilherme Fontes ressurgindo... investimentos em Sandy... já já rola um filminho unindo os três vértices. E não esqueçam que a carreira de diretor/produtor do moçoilo começou no Multishow, um dos canais Globosat.

E que tal saber que os personagens de Guilherme Fontes, Sandy e Carolina Ferraz formam um triângulo amoroso... ou um triângulo, apenas?

Você, leitor com mais de 25 anos, trocaria Carolina Ferraz por Sandy? Só se for pedófilo... E Sandy “riponga”, o que é pior.

Eu só assisto esta novela se rolar um baseadinho no núcleo “riponga”. Se não rolar é porque a novela não tem mesmo qualquer preocupação com a realidade, o que me parece óbvio. Acabo de descobrir irrefutável argumento para não acompanhar esta trama. Não bastasse a boina “a la Che” incorporada ao personagem de Marcos Winter.

Ops... abro a Folha de São Paulo e vejo que a galera do cristianismo exacerbado já se mobiliza contra a novela. Ponto a favor de Estrela Guia, com seu exoterismo, e de Porto dos Milagres, com Iemanjá.

Não entende este povo das igrejas cristãs. Acham que business é privilégio só deles e não reservam uma graninha para merchandising religioso. Assim não dá!!

Já pensaram?! Depois de vender de tudo na telinha, algo muito mais inovador que o merchandisig cultural de Manoel Carlos... o merchandising de Jesus.

Dá pra imaginar uma cena da família discutindo os cortes no orçamento:

-         Meu bem, precisamos diminuir as despesas.

-         Mas Rodolfo, já não temos mais supérfluos nesta casa há muito tempo.

-         Não, Marilda. Neste mês foi muito difícil pagar o dízimo e bem... você sabe o quanto isso é importante.

-         É meu amor... você tem razão. Lembra como era nossa vida antes?

-         Nem me fale. Só doença... desgraça. Vamos cortar a empregada.

 Alô pessoal da Globo: gostou da idéia? O número da minha conta é...


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Márcia Mendes Ribeiro é jornalista, odeia televisão mas não consegue passar por uma sem dar uma olhada.