O JOVEM TAMBOR

 

 

Era guerra. Batalha de Gettsburg. Vocês sabem o que é guerra? Soldados prá baixo e prá cima. Bombas caindo nas casas e acabando com elas. Criancinhas correndo e chorando à procura da mamãe.

 

Em um campo muito grande, os soldados brigavam enquanto as bombas caíam.

No meio da confusão, havia um menino. Era tão novinho para ser soldado, que ficava então com um tambor na mão, para dar avisos. Seu tambor era ouvido lá longe ... Trabalhava no campo de guerra e fazia sempre o melhor. Mas, de repente, ai, ficou ferido, muito ferido. Levaram-no para o hospital. O médico logo veio examiná-lo e o menino o olhou com seus olhos azuis, tão lindos e tão puros, que mexeu no coração do médico.

 

E agora? O menino estava muito mal. O médico tinha que fazer uma coisa muito triste: cortar a perna do jovem tambor. O médico rodeou um pouco e, com aperto no coração, falou:

- Filho, eu preciso operar você agora.

O menino sorriu.

- Eu preciso cortar a sua perna.

O menino sorriu.

O médico nunca tinha visto um sorriso numa hora destas. Ele continuou:

- Então, eu vou dar uma anestesia.

 

Sabem? Anestesia é um remédio que faz a gente dormir. E o garoto respondeu sorrindo:

- Não doutor, eu não quero anestesia. Eu sei que vou morrer logo, e então vou me encontrar com Jesus. Não quero ...

O médico levou um choque.

- Mas você não vai agüentar a dor de cortar o grande osso da perna!

- Como? Eu agüento sim doutor, e prometo ao senhor que não vou dar nenhum gemido!

- Então eu dou a você um pouco de pinga. Isso ajuda a dar coragem.

 

O menino arregalou seus olhos azuis e disse:

- Não doutor, quando eu era ainda um menininho, eu prometi à mamãe que nunca poria na minha boca bebida de álcool. Pode cortar a minha perna doutor, pode cortar. O médico estava acostumado a fazer isso, mas aquele menino era diferente. Que coragem! O médico saiu de perto do garoto porque não agüentava olhar nos olhos do menino.

 
Tomou coragem e depois voltou e disse:

- Pronto. Vamos? Mas que livro é este em que você está agarrado o tempo todo?

- É o livro do meu Jesus. Ele é que vai me dar forças para eu agüentar a operação. Meu Jesus é maravilhoso e é vivo! Veja! Ele está aqui comigo agora.

 

O médico abaixou a cabeça, sério, e disse:

- Eu não creio em Jesus. Sou judeu.

Sabem? Judeu não crê em Jesus. E o médico era um judeu.

 

O menino foi levado para a sala de operação e o médico começou a cortar a sua perna e o menino não gemeu, nem gritou. Mas, quando chegou no osso, o médico olhou e teve vontade de chorar. O menino mordeu o travesseiro e o médico ouviu: "Jesus, dá-me forças agora". Ele não gritou.

 

O médico ficou tão impressionado que naquela noite não pôde dormir. De madrugada, foi ver o menino. Ele sorriu para ele e disse:

- Doutor, eu sei que não vou viver muitos dias. É possível que eu não veja o dia clarear. Fica comigo aqui, doutor, e quando eu for morar com Jesus, mande entregar à minha mãe esta Bíblia e também esta carta. - E olhou o médico com seus olhos azuis.

Quando ele estava morrendo, disse:

- Doutor, quando o senhor estava cortando a minha perna, eu estava pedindo que Jesus entrasse no seu coração e na sua vida. Eu vou embora agora. Quero vê-lo no céu, também, com Jesus. Largou a mão do médico e morreu.

 

Sabem, O médico ouviu aquilo e ficou muito tempo ali sem poder se mexer.

Os anos se passaram. Quinze anos. Em uma cidade, longe, em uma reunião, uma senhora se levantou e disse:

Eu tive um filho que morreu num campo de batalha e, antes de morrer, ele me escreveu uma carta e me pediu que eu orasse pelo seu médico que era judeu. Disse assim: "- Mamãe, eu vou agora com Jesus. A senhora ainda está na terra. Ore para que Jesus entre no coração do meu médico. Eu gosto tanto dele !"

E a velhinha falou:

- Eu tenho feito isso. Sinto tanta saudade do meu filho e, cada vez que a saudade aumenta, eu oro ainda mais pelo seu médico.

Muitos enxugaram as lágrimas e, quando a velhinha ia se assentar, lá no fundo da sala levantou-se um senhor e disse:

- Boa senhora, onde foi a batalha que seu filho estava

- Gettsburg.

- Ele era quase um garoto ?

- Sim.

- Ele tinha olhos azuis?

- Sim.

- Minha senhora, Jesus ouviu a oração do seu menino de olhos azuis, enquanto eu cortava sua perna. Eu sou aquele médico judeu. Eu creio em Jesus agora.

E abraçou a mamãe do jovem tambor, e cuidou dela.

Sim, Jesus ouve as orações.

Texto: Esther M. Pereira

 

 

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