HISTORIAS DE CACHORROS

Já dizia Colette Audry que um cachorro pode ser um abrigo mais secreto e seguro que o coração de nossa própria mãe. Minha mãezona, certamente não iria concordar. Ela logo poria Colette no rol das heréticas mal-amadas e diria que esta escritora francesa contemporânea realmente exagera.

Feito o devido esclarecimento, é preciso reconhecer que, para muita gente, o bicho de estimação é ponto de referencia especial. Eu mesmo sou bom exemplo. Quando me lembro de Tâmega, um belo Fox que me acompanhou durante alguns anos e que, um dia, o tempo levou para o paraíso dos cachorros, ainda sinto um ligeiro nó na garganta. Fizesse calor ou frio, chuva ou sol, chegasse em casa cansado, irritado ou triste, Tâmega  me recebia em festa, rabo abanando, a demonstrar sem nenhum pudor que, para ele, nada no mundo era mais importante que a minha pessoa. Muitas vezes bastava essa manifestação de amor canino incondicional para que meu humor mudasse da água para o vinho. Tâmega possuía tal poder mágico. Como não retribuir o afeto de uma criatura dotada de rara e preciosa capacidade de nos amar exatamente como somos?

Ulisses, o herói grego da Odisséia de Homero, também teve um cão fiel, chamado Argos. Por mais de dez anos ele aguardou a volta do dono, mas em condições bem menos favoráveis de que as da rainha Penélope, esposa de Ulisses. Por fim, apos uma longa e aventurosa viagem o herói voltou a seu reino, disfarçado de mendigo, Argos foi o único a reconhece-lo. A cena desse reencontro inspirou o poeta Homero alguns dos mais belos versos de toda a obra: "Esquecido agora, na ausência do dono, diante do portal do palácio, Argos permanecia a vigiar, quase cego, coberto de sarnas e pulgas. Ele reconheceu Ulisses no homem que chegava e, movendo o rabo, baixou as duas orelhas: faltaram-lhe forças para correr em direção ao dono. Ulisses o viu: ele voltou a cabeça e enxugou uma lagrima...

VALOR TERAPÊUTICO

Ulisses combateu na guerra de Tróia, enfrentou o gigante Ciclope, venceu os feitiços da maga Circe, resistiu ao canto das sereias. Mas apenas seu cão, fiel e amigo por tantos anos, foi capaz de lhe arrancar uma lagrima solitária...

Dos tempos gregos de Homero a nossos dias, e apesar de a civilização moderna nos distanciar cada vez mais da vida natural, o significado e a importância dos bichos em nossa vida aumentam mais e mais. A pesquisa científica confirma inclusive o valor terapêutico da relação com animais. Descoberta exemplar:  o cão Labrador do psiquiatra americano Boris Levinson estava no escritório quando ele recebeu um menino autista acompanhado pelos pais. Levinson propôs ao garoto que brincasse com o cão enquanto os adultos conversavam. Uma interação nasceu pouco a pouco entre o menino e o animal, enquanto os demais, observavam, estupefatos. Ao final da sessão o garoto autista falou pela primeira vez e pediu para voltar a ver o "DOUTOR TOTÓ", como ele passou a chamar o Labrador de Boris Levinson.

Esse episódio foi um dos ponto de partida de uma nova abordagem terapêutica baseada na relação com bichos e batizada de zooterapia.

ESPONJAS EMOCIONAIS

O principal fator psicológico que leva tanta gente a apegar-se a um animal domestico é, simplesmente, o bom e velhíssimo fenômeno da projeção. O cão e o gato, principalmente, possuem uma capacidade natural de serem "esponjas emocionais" de seus donos e de refletir, como um espelho,  as características anímicas e de personalidade de quem os comandam. Mas a preferência por um ou por outro denota tipos humanos diferentes. Quem gosta de cachorros projeta sobre seu companheiro todos os tipos de qualidades e de sentimentos próprios do ser humano: uma projeção facilitada pela diversidade de raças e variação de tipos. Em outras palavras, quando o dono de um cachorro descreve seu animal, ele na verdade esta descrevendo a si próprio. "O cão se torna um delegado narcísico, um representante de seu intimo".

COMPANHIA HUMANA

Solícito e solicitador, expressivo, pouco amante da solidão, o cão gosta da companhia dos humanos e sabe demonstrá-lo. Animal de matilha, acostumado a viver em grupos, ele precisa de um líder. Seu dono exerce sobre ele uma forma de dominação, e a relação é de quase absoluta e total dependência. Como uma criança o cão faz seu dono se sentir indispensável para sua existência e sua felicidade. E isso para o homem pode ser muito gratificante...Em anos passados, mostrou-se pesquisa científica que este comportamento instintivo de acariciar tem benefícios de saúde positivos, causando a baixa na taxa de doenças cardíacas, relaxamento e redução em tensão: uma tônica sem o risco de efeitos colaterais desagradáveis associado com algumas drogas! Os cães também desfrutam isto!

COMO CUIDAR DE SEU CACHORRO

Os veterinários costumam dizer que um cachorro que não foi socializado e educado até doze semanas de vida dificilmente poderá sê-lo a partir daí. Portanto, comece cedo a ensinar seu animal. A partir da sexta semana um cão estará apto para aprender hábitos de higiene e a obedecer ordens. Estas deveram ser muito simples expressas com palavras curtas e claras: vem, sentado, não, etc. Os principais conselhos de adestradores são: 1)Utilize sempre as mesmas palavras. 2)Mostre-se paciente e atencioso com o bicho. 3) Seja firme mas com doçura. Toda brutalidade constrói no animal um caráter medroso, inquieto ou agressivo. Ele será reflexo desses ensinamentos . 4) Adote sempre uma atividade coerente. Por exemplo nunca bata num animal com as mãos, elas devem apenas acariciar. Se necessário, faça-o com um objeto macio, um jornal, um tecido, um chinelo.

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