Poesias
POEMA
Antônio
Mendes Cardoso - de Cabo Verde
Na espuma verde
Do mar
Desenharei o teu nome
Em cada areia
Da praia
Em cada pólen
Da flor
Em cada gota
Do orvalho
O teu nome
Deixarei gravado
No protesto calado
De cada homem ultrajado
Em cada insulto
Em cada folha caída
Em cada boca faminta
Hei-de escrever
O teu nome
Nos seios férteis
Das virgens
Nos sorrisos perenes
Das mães
Nos dedos dos namorados
No embrião da semente
Na luz irreal das estrelas
Nos limites do tempo
Hei-de uma esperança semear.
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SMILE
Poesia de
autor desconhecido
Not too far from our
gray cities
There are skies so clear and blue
There are beaches, there are valleys
Where the sweet sun shines on you
So, count your garden by the flowers
Never by the leaves that fall
Count your days by golden hours
Don't remember clouds at all
Count your night by stars, not shadows
Count your life with smiles, not tears
And with joy through all your lifetime
Count you age by friends, not years
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SONETO
Gregório
de Matos - Obras Completas
Anjo no nome, Angélica
na cara
Isso é ser flor, e Anjo juntamente
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, se não em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda
Posto que os Anjos nunca dão pesares
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda
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ANOS
Luiz Carlos
Vieira
Muito do amor me é
sincero
O amor que nem sempre é facilmente vivido
Segue Rumando como um sentimento eterno
Imaginando ser um único amor sentido
Antes fosse único.
Celestial é a origem de tudo
E de onde a beleza única emana
A Loucura ao vento e ardente chama
Equivalente a todos os anos de nosso mundo
Anos que passam alegres
Tratando com carinho aqueles entes queridos
Com palavras nunca antes entregues
Lembram agora as palavras desejadas
E os momentos em que poderiam ser ditas
Agora talvez não possam mais ser pronunciadas
Lembradas sim e para sempre queridas
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SENTIMENTOS
Luiz Carlos
Vieira
Sentimentos são como a
bruma
são águas da cachoeira
Um branco véu de espuma
fluindo em uma vida inteira
Sentimentos são liberdade
o cantar de uma paixão
Uma pontada de felicidade
num cantinho do coração
Sentimentos são luzes contentes
carregadas de brilho ofegante
A face de um lindo sol poente
a presença de alguém tão distante
E se reduzir fosse possível
as palavras em uma canção
Sentimentos seriam algo plausível
além da pura emoção.
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SEMPRE
Luiz Carlos
Vieira
As belas tardes de
domingo
alternam-se entre desejos
Mantêm sempre alguém sentindo
mantêm sempre alguém correto
As noites tão iluminadas
os limites de um firmamento
Mantêm sempre alguém sonhando
mantêm sempre alguém desperto
Todo abraço apertado
toques cheios de carinho
Mantêm sempre alguém sorrindo
mantêm sempre alguém bem certo
Um coração apertado
vontade de um beijo doce
Mantêm sempre alguém amando
mantêm sempre alguém por perto
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O SOM DE
UMA LÁGRIMA
Giovanna
Carla Oliveira - Fevereiro 1994
Lágrima, pura lágrima...
Ela escorregou, juntamente dela vieram outras
Tristeza, pânico, obceção...
Lágrimas deslisando pela a pele
descuidada e queimada do sol
Lágrimas que jorram como uma cachoeira,
Com águas límpidas e verdadeiras
Sonhos esquecidos, tudo acabado
Todos quietos, todos concentrados a espera de uma lágrima
Pois só assim podferemos saber o som que fazem as
lágrimas e desvendar assim seus mistérios
Lágrima, pura lágrima...
Gosto salgado lembrando o imenso mar
Com a beleza de um pôr do sol refletido nas águas
E a pureza de uma singela flor de maracujá
Palavras podem explicar a pureza de uma lágrima,
Mas ninguém jamais ouviu o som que elas fazem
ao deslisarem pelos os olhos e em seguida escorregarem pela a face
Ninguém jamais irá ouví-las, apenas sentí-las
E por onde essas lágrimas escorregarem deixarão
suas marcas e seus mistérios...
E acaso um dia vc conseguir escutar o som que elas produzem,
saberá então que você já não é mais você,
e sim uma lágrima!
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SONETO DO
INFINITIVO
Luiz Carlos
Vieira
Saber o sentir do
desejo
vestir o cantar do calor
Ouvir o rossar de um beijo
sorrir o sentido do amor
Pensar o sonhar da beleza
orar o querer da emoção
Evitar o chegar da tristeza
correr os caminhos do coração
Conhececendo o alcançar de um olhar
escrevendo o não-falar do sentimento
Encontrando o esconder de um sorriso
Buscando o não-cansar do almejar
alcançando o distanciar do firmamento
Desejando o agradar de estar contigo
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SONS
Luiz Carlos
Vieira
Conhecer os prazeres da
vida nunca é o bastante
para aquele que os encontra nas esquinas da vida.
Eu sempre quis encontrá-los, você sabe.
Mas aquele que não os encontra em várias tentativas
pode temer ficar sem eles quando mais deles precisa
e assim desistir de buscá-los com voracidade inigualável.
Conhecer o amor profundamente é algo mais distante
mas que com algum esforço pode tornar-se real
e trazer a algum coração vazio um vasto arsenal de prazer.
E então o prazer será uma série de conseguências efetivas
de um grande sentimento compartilhado por dois amantes
que tornam os momentos juntos um prazer imensurável.
Quem sabe um dia palavras tolas possam valer muito
a alguém que procura este grande amor
pois então as palavras serão de ambos.
Ou quem sabe um dia não sejam mais pronunciadas
para que percam-se com a chuva,
pois os olhares dirão tudo.
Tudo o que queremos ouvir.
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VERDADEIROS
DESEJOS
Luiz Carlos
Vieira
As vezes eu temo
acordar
e deixar de lado seu mundo
Não poder mais te abraçar
nem ficar ao seu lado um segundo
As vezes eu temo que a lua
não brilhe mais para mim
Temo cair pela rua
em uma tristeza sem fim
As vezes eu sinto seu beijo
e aquele abraço apertado
O doce sabor do desejo
deixando-me apaixonado
As vezes uma simples verdade
ou mesmo nenhuma certeza
Apenas uma grande vontade
eternamente admirar sua beleza
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Este
inferno de amar
Almeida
Garret. Porto, Lello e Irmão, 1963. P.177.
Este inferno de amar
– como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... – foi um sonho –
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...
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Preciso aprender a ser só
VALLE,
Marcos & VALLE, Paulo
Ah! Se eu te pudesse
fazer entender
Sem teu amor, eu não posso viver
Que sem nós dois, o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou
Ah! O amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei, sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê...
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses seus olhos que foram tão meus
Por Deus entenda
Que assim eu não vivo
Eu morro pensando
No nosso amor
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