TARDE DE CHUVA


Shiva


Aviso : Esta fic se passa durante o episódio 24 “ O Mensageiro Final “ e não segue a ordem cronológica do mesmo.
A autora tomou a liberdade de mudar um pouquinho a história.



Shinji estava sozinho....

O apartamento que antes era ocupado por ele, Misato e Asuka, no momento
estava vazio. Asuka ainda estava no hospital da Nerv, e desde que a situação
havia piorado, com o ataque do último Shitou, que destruíra grande parte do
geo front e de Tokyo-3, Misato praticamente vivia na Nerv.

Parado em frente a janela, Shinji olhava a chuva que caía, desde cedo. Todos
seus amigos partiram da cidade por motivos de segurança. Com exceção de um.
Kaoru Nagisa.

O garoto de pele pálida e sorriso predador, que no primeiro momento o havia
assustado, tornara-se seu único amigo.

O brilho que via nos olhos vermelhos de Kaoru o assustavam, tamanho o desejo
que transmitiam... desejo por ele, Shinji, que toda sua vida havia sido
desprezado.

Perguntava-se agora o que Kaoru vira nele. Quando ele lhe dissera, no dia
anterior, quando estavam tomando banho juntos “ suki” o amedrontara. Nunca
ninguém lhe dissera aquelas palavras. Tinha certeza que seu embaraço e medo
transpareceram em seu olhar, pois logo a seguir Kaoru fingira que eram
apenas bons amigos, e haviam conversado longamente durante a noite em que
passara no quarto de Kaoru.

Voltara cedo ao apartamento de Misato, e pouco depois começara a chuva que
agora contemplava pela janela, fazendo-o sentir-se ainda mais solitário.
De repente, o som da campainha tirou-o de sua apatia. Intrigado,
perguntou-se quem poderia ser aquela hora da tarde. Será que era Misato?
Indagou-se, para logo descartar a idéia. Ela sempre chegava às quatro da
manhã, nunca aquela hora da tarde.

Aproximou-se da porta e abriu-a. Surpreso, viu Kaoru Nagisa, molhado dos pés
à cabeça encarando-o com seus olhos vermelhos, divertidos e maliciosos.

“ Posso entrar ou vai ficar aí olhando? “

“ Des-desculpe Kaoru-san” disse Shinji embaraçado, afastando-se em seguida,
dando espaço para Kaoru entrar.

Com o sorriso divertido ainda a pairar em seus olhos, Kaoru contou-lhe que
viera visita-lo, mas a chuva se recusava a passar, e resolveu vir assim
mesmo. Infelizmente o resultado era estar com frio e molhado até os ossos.
Enquanto escutava Kaoru, Shinji sentiu-se subitamente desconfortável.

Dava-lhe medo ver a determinação de seu amigo, que nem hesitara em enfrentar
a chuva só para vir ve-lo, quando ele era tão covarde.

Dando-se conta de repente, que Kaoru agora parecia tremer de frio e que
pingava água das roupas molhadas, sugeriu um pouco inseguro que tomasse um
banho quente enquanto ele ia procurar uma roupa seca.

Kaoru assentiu e dirigiu-se ao banheiro, mas fazendo-lhe antes uma
embaraçosa pergunta

“ Não quer me acompanhar, Shinji?”

Imediatamente as faces de Shinji ficaram rubras de vergonha e ele respondeu
um “ não” fraco e baixo, o que fez Kaoru rir e ir tomar banho, sozinho.

No quarto, Shinji procurava entre suas roupas uma que coubesse em seu amigo,
mas um barulho atrás da porta o fez voltar-se. Surpreso, ele viu Kaoru nu e
molhado na porta do seu quarto, com um olhar determinado... Como se tivesse
tomado uma súbita decisão.

Sem saber porque, o piloto do eva 1 deu um passo atrás, como um reflexo
inconsciente de medo. Kaoru avançou em sua direção, o que só fez aumentar
seu nervosismo. Ignorando seu ar assustado, Kaoru agarrou seu braço e o
puxou contra seu peito, e, antes que Shinji pudesse esboçar qualquer reação,
sentiu seus lábios sendo tomados em seu primeiro beijo verdadeiro. Ainda
tentou lutar contra a sensação de prazer que percorreu seu corpo, mas antes
que pudesse pensar em resistir, seu corpo foi acariciado por mãos que
deixaram um rastro de fogo onde tocavam, como se Kaoru soubesse
antecipadamente de cada ponto sensível em seu corpo.

Seus pensamentos racionais foram banidos pelas sensações de prazer que Kaoru
proporcionava e já estava sem fôlego, com o beijo exigente e faminto que
recebia, com a lingua atrevida que percorria sua boca, conhecendo cada
recanto. Sua resposta foi tentar retribuir da melhor forma que podia,
explorando também, embora um pouco timidamente, a boca de Kaoru, que gemeu
baixinho e afastou-se um pouco para fitá-lo nos olhos.

“ Você é lindo” sussurrou Kaoru, extasiado.

Shinji engoliu em seco. Seus olhos estavam brilhando, sua respiração era
pesada e o rubor em suas faces, aos olhos de Nagisa, era simplesmente
adorável. Sorriu satisfeito com o resultado de sua decisão. Sabia que Shinji
não resistiria. Podia ver a barreira de medo que ele erguera em torno de si
mesmo ruir, quando retribuíra de forma tão ingênua seu beijo.

Mas ainda não estava satisfeito. Tinha muito para ensinar aquele garoto.
Desde que o vira, esquecera seus objetivos, sua missão, o fato de desprezar
a raça humana. O que sentia por Shinji, desde a noite anterior não era mera
paixão. Amara-o desde o momento em que o vira, como se a vida inteira
estivesse esperando para encontra-lo. Perscrutara a íris azul de seus olhos
e neles perdera-se para sempre, e nem se incomodava. Shinji conquistara-lhe
a alma de uma forma única, com um mero e inocente olhar.

O fogo que queimava em seu corpo pedia por satisfação e Kaoru decidiu que
era hora de satisfazer-se.

Abraçou-o mais forte, voltando a beija-lo com mais ardor ainda, recebendo em
troca os suaves gemidos que vinham do ser amado.

Sem dificuldades, guiou-o até a cama, sentando-o e tirando-lhe a roupa, para
em seguida deita-lo sobre o colchão macio.

A princípio, Shinji mostrou-se tímido, mas Kaoru gentilmente o fez
abandonar-se nas sensações de amor e prazer, que ele tanto queria que Shinji
conhecesse, e finalmente, ambos tornaram-se um, esquecidos da chuva e do
frio lá fora....

Horas mais tarde, deitados abraçados na cama, foram acordados quando ouviram
a porta se abrir e Misato entrar com estardalhaço, como fazia habitualmente
e perguntar :

- Shinji-kun, você está sozinho ?

Shinji sorriu, seus cabelos sendo acariciados pelos dedos longos e finos de
Kaoru, que lhe sorria, cheio de cumplicidade. Respondeu então com uma nota
feliz que surpreendeu Misato

- Não, não estou mais sozinho...
 


Fim ... Será?


Por Shiva
Junho de 2001