| ESCRITORES | MATERIAL | ESTILÍSTICA | GRAMÁTICA | LEGISLAÇÃO | DOWNLOAD | MAPA | |
| JORGE SANTOS • BRAGA • PORTUGAL |
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Narrativa |
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ÍNDICE DOWNLOAD HISTÓRICO |
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COMUNICAÇÃO LITERÁRIA
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| Autor | 8 | Texto literário | 8 | Leitor |
Ao distinguirmos uma variedade específica de comunicação – comunicação literária – caracterizada por uma mensagem diferenciada, estamos implicitamente a estabelecer uma oposição entre o texto não literário e o texto literário. Vejamos então de forma sintética quais são esses traços distintivos.
| Texto não literário | Texto literário |
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Dissemos atrás que a literatura, entendida como a busca do prazer estético através da linguagem, é tão antiga como o homem. É uma afirmação arriscada, porque não existem documentos que a comprovem. Dado que a invenção da escrita é relativamente recente na história da humanidade, os registos literários mais antigos têm escassos milhares de anos. Mas sabemos todos que a linguagem oral precede a escrita e, por isso, não corremos o risco de errar ao afirmarmos que antes de as primeiras narrativas serem registadas pela escrita já existiam contos que os mais velhos transmitiam aos mais novos; antes de a poesia circular em cancioneiros já existiam canções; antes de Ésquilo e Aristófanes escreverem as suas tragédias e comédias já havia certamente representações por ocasião das festividades.
Tradicionalmente distinguem-se três géneros literários: o lírico, o narrativo e o dramático. Os seus traços distintivos podem ser apresentados da seguinte forma:
| Expressão do mundo interior (emoções, sentimentos, estados de alma) |
Expressão do mundo exterior (acontecimentos envolvendo personagens) |
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| Carácter estático (suspensão do fluir do tempo) |
Carácter dinâmico (os acontecimentos sucedem-se no decorrer do tempo) |
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| Género lírico | Acontecimentos narrados | Acontecimentos vividos |
| Género narrativo | Género dramático | |
As formas narrativas mais frequentes são o romance, a novela e o conto. De forma algo simplista podemos dizer que do romance para o conto há uma progressiva redução na complexidade da acção, no número de personagens, na diversidade de espaços e na duração temporal.
Menos frequente, a epopeia é uma narração, geralmente em verso, de acontecimentos grandiosos com interesse universal ou nacional (p. ex. Os Lusíadas).
A narrativa, como qualquer outro texto literário, obedece ao esquema apresentado atrás: pressupõe sempre a existência de um emissor (autor) e de receptores (leitores), enquanto o texto narrativo é a mensagem.
Mas a narração é também ela um acto comunicativo. Encontramos aí um emissor (designado narrador), receptores (os narratários), uma mensagem (o discurso narrativo que recria a história). Essa história recriada pelo discurso do narrador contempla uma acção, envolvendo personagens e decorrendo em certos espaços e ao longo de um certo período de tempo. Narrador, narratário, acção, personagens, espaço e tempo são as chamadas categorias da narrativa.
Portanto, no género narrativo encontramos de facto dois actos comunicativos, estando um encaixado no outro. É o que se pretende mostrar com o seguinte esquema:
| Autor | 4 | Narrativa
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4 | Leitor |
Analisemos mais pormenorizadamente cada uma dessas categorias.
É a entidade responsável pelo discurso narrativo, através do qual uma "história" é contada. O narrador nunca se identifica com o autor: este é um ser real, enquanto aquele é um ser de ficção, uma "personagem de papel" que só existe na narrativa. Pode ser exterior à "história" que narra ou identificar-se com uma das personagens (presença) e só pode contar aquilo de que teve conhecimento (ciência).
Presença
| NARRADOR PARTICIPANTE | |
| Autodiegético | O narrador identifica-se com a personagem principal. A narração é feita na 1ª pessoa. |
| Homodiegético | O narrador identifica-se com uma personagem secundária. A narração é feita na 1ª pessoa. |
| NARRADOR NÃO PARTICIPANTE | |
| Heterodiegético | O narrador é totalmente alheio aos acontecimentos que narra. A narração é feita na 3ª pessoa. |
Ciência (ponto de vista)
| Focalização omnisciente | O narrador revela um conhecimento absoluto, quer dos acontecimentos, quer das motivações. É capaz de penetrar no íntimo das personagens, revelando os seus pensamentos e as suas emoções. |
| Focalização externa | O narrador é um mero observador, exterior aos acontecimentos. Narra aquilo que pode apreender através dos sentidos: descreve os espaços, narra os acontecimentos, mas não penetra no interior das personagens. |
| Focalização interna | Este tipo de focalização distingue-se da "focalização externa, porque o narrador adopta o ponto de vista de uma personagem, narrando os acontecimentos tal como eles foram vistos por essa personagem. |
Enquanto a existência do narrador é evidente, a do narratário é menos visível. É que o narrador revela sempre a sua presença, através do discurso que elabora (se existe uma narração, ela é da responsabilidade de alguém), enquanto o narratário pode ser explicitamente identificado pelo narrador, ou, o que é mais frequente, ter apenas uma existência implícita. Normalmente, não encontramos ao longo do discurso do narrador nenhuma referência ao destinatário do discurso (narratário), o que leva a que a sua existência seja frequentemente ignorada. Mas na realidade existe sempre um narratário, cuja existência é exigida pela própria existència do narrador, já que quem narra narra para alguém. O narratário nunca se confunde com o leitor/ouvinte.
Por acção, entendemos o conjunto de acontecimentos que se desenrolam em determinados espaços e ao longo de um período de tempo mais ou menos extenso.
Acção principal – É constituída pelo conjunto das sequências narrativas que assumem maior relevo.
Acção secundária – É constituída por sequências narrativas consideradas marginais, relativamente à acção principal, embora geralmente se articulem com ela. Permitem caracterizar melhor os contextos sociais, culturais, ideológicos em que a acção se insere.
Sendo a acção um conjunto de sequências narrativas, existem vários possibilidades de articulação dessas sequências.
Encadeamento – As sequências sucedem-se segundo a ordem cronológica dos acontecimentos:
| S1 | 4 | S2 | 4 | S3 | 4 | S4 | 4 | Sn |
Encaixe – Uma acção é introduzida no meio de outra, cuja narração é interrompida, para ser retomada mais tarde:
| A | 4 |
|
4 | A |
Alternância – Duas ou mais acções vão sendo narradas alternadamente:
| A | 4 | B | 4 | A | 4 | B | 4 | A |
As personagens suportam a acção, visto que é através delas que a acção se concretiza. Elas vão adquirindo "forma" à medida que a narração evolui, num processo designado por caracterização.
Caracterização directa – Os traços físicos e/ou psicológicos da personagem são fornecidos explicitamente, quer pela própria personagem (autocaracterização), quer pelo narrador ou por outras personagens (heterocaracterização).
Caracterização indirecta – Os traços característicos da personagem são deduzidos a partir das suas atitudes e comportamentos. É observando as personagens em acção que o leitor constrói o seu retrato físico e psicológico.
Relevo
| Personagem principal (protagonista) |
Assume um papel central no desenrolar da acção e por isso ocupa maior espaço textual. |
| Personagem secundária | Participa na acção, sem no entanto desempenhar um papel decisivo. |
| Figurante | Não tem qualquer participação no desenrolar da acção, cabendo-lhe apenas ajudar a compor um ambiente ou espaço social. |
Composição
| Personagem redonda (modelada) |
É dinâmica; possui densidade psicológica, vida interior, e por isso surpreende o leitor pelo seu comportamento. |
| Personagem plana (desenhada) |
É estática; caracteriza-se por possuir um conjunto limitado de traços que se mantêm inalterados ao longo da narração. Frequentemente assume a forma de personagem-tipo, na medida em que representa determinado grupo social ou profissional. |
| Personagem colectiva | Representa um conjunto de indivíduos, que age como se fosse movido por uma vontade única. |
Funções (estrutura actancial)
| destinador | 4 | objecto | 4 | destinatário |
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| adjuvante | 4 | sujeito | 3 | oponente |
| Destinador | Entidade ou força superior que permite (ou não) ao sujeito alcançar o objecto. |
| Destinatário | Personagem ou entidade sobre quem recaem os benefícios ou malefícios da decisão do destinador. |
| Sujeito | Personagem ou entidade que procura alcançar determinado objecto. |
| Objecto | Personagem, entidade ou aquilo que o sujeito procura alcançar. |
| Adjuvante | Personagem ou entidade que ajuda o sujeito a alcançar o objecto. |
| Oponente | Personagem ou entidade que dificulta a obtenção do objecto por parte do sujeito. |
| Espaço físico | É o espaço real, exterior ou interior, onde as personagens se movem. |
| Espaço social | Designa o ambiente social em que as personagens se integram. A caracterização deste espaço é feita principalmente pelo recurso aos figurantes. |
| Espaço psicológico | É o espaço interior da personagem, o conjunto das suas vivências, emoções e pensamentos. |
| Tempo da história (cronológico) |
Aquele ao longo do qual decorrem os acontecimentos narrados. |
| Tempo do discurso | Resulta do modo como o narrador trata o tempo da história. O narrador pode respeitar a ordem cronológica ou alterá-la, recuando no tempo (analepse) ou antecipando acontecimentos posteriores (prolepse). Pode ainda narrar ao ritmo dos acontecimentos, recorrendo ao diálogo (isocronia), fazer uma narração abreviada (resumo ou sumário), ou até omitir alguns acontecimentos (elipse). |
| Tempo psicológico | É de natureza subjectiva; designa o modo como a personagem sente o fluir do tempo. |
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