| ESCRITORES | MATERIAL | ESTILÍSTICA | GRAMÁTICA | LEGISLAÇÃO | DOWNLOAD | MAPA | |
| JORGE SANTOS • BRAGA • PORTUGAL |
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| Fernão Mendes Pinto | |||||||||||||||||||
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HISTÓRICO BIBLIOGRAFIA Breve História da Literatura Portuguesa, Texto Editora, 1999 A. J. BARREIROS, História da Literatura Portuguesa, Editora Pax, 11ª ed. A. J. SARAIVA, O. LOPES, História da Literatura Portuguesa, Porto Editora, 12ª ed. VERBO - Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 15º vol., Editorial Verbo, Lisboa LEXICOTECA - Moderna Enciclopédia Universal, vol. 15, Círculo de Leitores, 1987 |
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Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho cerca de 1510. De origem humilde, ainda muito novo c. 1521), foi para Lisboa. Durante algum tempo esteve ao serviço do Duque de Coimbra, D. Jorge, filho bastardo do rei D. João II. Por razões obscuras, a certa altura sentiu-se ameaçado e fugiu num navio com destino a Setúbal (1523). Durante a viagem, foram abordados por piratas franceses, que os roubaram e largaram numa praia alentejana. Em Setúbal colocou-se ao serviço do fidalgo Francisco de Faria. Foi em 1537 que embarcou para a Índia, em busca de fortuna. O que se "sabe" da sua longa estada no Oriente foi-nos transmitido pelo próprio e é quase impossível confirmá-lo com outras fontes. Ao longo de vinte anos percorreu as rotas frequentadas pelos portugueses na região, desde o Mar Vermelho ao Japão. Foi criado, comerciante, soldado e até corsário. Segundo as suas próprias palavras foi "treze vezes cativo e dezassete vendido". Em 1539 encontramo-lo ao serviço do capitão de Malaca, em nome do qual estabeleceu contactos diplomáticos com um potentado da região. Poucos anos depois (1542) fez a primeira viagem ao Japão, acompanhado por outros portugueses. Terão sido eles a introduzir as armas de fogo nesse país. Cerca de dez anos mais tarde (1553), encontrou-se com S. Francisco Xavier no Japão, com o qual terá colaborado. No ano seguinte ingressou na Companhia de Jesus como irmão leigo, tendo distribuído os seus bens entre os pobres e a própria Companhia. No entanto, em 1557, abandona os jesuítas. Em 1558 está de regresso a Portugal. Já casado com Maria Correia Brito, estabeleceu-se numa quinta que adquirira na região do Pragal, perto de Almada (1562). Começa a redigir o relato das suas andanças no oriente (Peregrinação) em 1569. No entanto, a sua obra só será publicada depois da sua morte, em 1614. Ao que parece, a versão impressa não corresponde inteiramente à redacção do autor. Algumas passagens terão sido subtraídas e outras corrigidas. Estranha-se, sobretudo, a total ausência de referências à Companhia de Jesus, tanto mais que ela era, na altura, uma das ordens religiosas mais activas no oriente; além do mais, há indicações fidedignas de relações entre Fernão Mendes Pinto e a companhia. O livro foi escrito de memória, por isso em muitos aspectos não é uma fonte de informação fidedigna. No entanto, documenta de forma extremamente viva o impacto das civilizações orientais sobre os europeus recém-chegados e, sobretudo, constitui uma análise extremamente realista da acção dos portugueses no Oriente, muito mais realista que a visão heróica transmitida por Camões n' Os Lusíadas. Fernão Mendes Pinto, pela origem social, pelo seu percurso biográfico, por aquilo que revela de si na Peregrinação, não teve, certamente, uma educação formal esmerada. Não revela familiaridade com a cultura clássica nem com as normas estéticas do renascimento, ao contrário da maior parte dos escritores contemporâneos. O seu saber deriva directamente da experiência vivida e, nesse sentido, é bem um homem do renascimento, mesmo que disso não tivesse consciência. Foi seguramente um homem inteligente, crítico, atento ao mundo envolvente. A ausência de educação formal, o distanciamento face à cultura dominante, as suas raízes populares são a sua vantagem. Pôde, assim, olhar as culturas exóticas de forma muito menos preconceituosa do que os viajantes cultos que, ao longo dos últimos cinco séculos, olharam de forma superior para tudo o que não era ocidental. Além do mais, trata-se de um testemunho presencial relativo aos comportamentos, atitudes, modos de vida desses povos, e por isso de um valor documental inestimável. Faleceu em 1583, a 8 de Julho, na sua quinta do Pragal. |
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