A INSOSPEITADA TRILHA À TAGANGA
Às vezes o alojamento pode ser um grande problema, e isso aconteceu quando cheguei à Santa Marta.
Às 18 hs já estive na cidade mas já era noite, pois no Caribe o pôr-do-sol é cêdo. Eu tinha chegando cansado demais: após fazer 121 km entre montanhas, as minhas pernas só pediam repouso. Quando atraquei no corpo de bombeiros, em vez de ser recebedo com curiosidade fui recebedo com indiferência: já fiquei com dúvidas da minha sorte., pois isso quer dizer problemas. De fato, comecei a perguntar pelo comandante mas ele não aparecia. Após esperar duas horas, olho um cara grosso indo embora no seu carro, e logo depois aproxima-se um bombeiro e fala para mim que o comandante diz que não esta permitido a permanência de extranhos no quartel.
Com tristeza fui embora direito ao quartel da polícia, mas lá o problema repete-se, pois o chefe geral não encontrava-se. No entanto, fiquei falando com um policial que estava de centinela, armado com fuzil, e o cara permitiu-me dormir perto do quartel, no chão na fronte duma casa. Essa noite só tive um litro de leite como jantar, mas ao menos pude dormir perto da seguridade.
Ao dia seguinte falei com o coronel , o comandante geral, mas não diu permissão nenhuma de ficar pelos problemas de seguridade que vive o país. Infelizmente o meu caderno carimbado de registro de alojamento não diu certo com ele.
O próximo passo foi procurar o quartel da Defesa Civil, mas eles estavam pobres demais e não tinham local próprio siquer.
Só assim foi que decidi pegar do meu bolso os endereços que tinha-me entregado a minha namorada em Riohacha, que não queria usar até o momento por orgulho: eram dois contatos, uns caras amigos dela que poderiam me ajudar. Fui ao local de trabalho do primeiro deles, mas o cara tinha a visita da sua mãe e o seu pai, então não tinha lugar na sua casa para mim. A seguir fui para Taganga, o pequeno povoado de pescadores na beira de Santa Marta, para ver ao outro cara. Ele era dono dum pequeno hotel, e falou que ele tinha que cobrar pelo seu trabalho.
Foi assim que fiquei em Taganga, sentado na beira da estrada, sem local nenhum onde ficar, com meu bolso quase vazio já que o dinheiro que ficava era só para dois o três almoços: estava pobre mesmo!
Mas, hoje em dia que estou aqui escrevendo, começo a pensar que o meu Anjo Guardião gosta demais das brincadeiras pesadas... é que era muita má sorte mesmo! Sinão, olhar o qué aconteceu depois:
Eu estava assim, mergulhando infelizmente na minha desgracia, quando escuto um barulho forte chegar da praia; era um carrinho puxado por três caras, um deles totalmente cuberto de tatoos. O carrinho estava cheio de botelhões de oxigênio, e após um momento ficou detido na porta duma escola de mergulho. A escola tinha muitas placas publicitárias da sua atividade na fronte, mais só uma delas foi do meu interesse: "oferece-se alojamento". Eu não tinha dinheiro, mas tinha um plano e coisa nenhuma que perder.
Fui a falar com os donos...
... e diu tudo certinho!!
Eu fiquei finalmente 15 dias na escola. A unica coisa que tinha que fazer em trocca era pintar umas grades e o carrinho dos botelhões de mergulho. O local tinha muita comodidade e eu fez muito amigo dos donos, um casal da cidade de Medellín que fazia tempo moravam em Taganga. Até poderia ter tido a oportunidade de mergulhar, mas... não se nadar! Podem acreditar??
E aos poucos dias, recebi a surpresa da visita da minha namorada, que ficou três dias comigo.
Foi, na verdade, uma boa experiência ter estado em Santa Marta porque, apesar dos primeiros problemas, achei de Santa Marta e Taganga uns locáis muito bons aonde o pessoal é muito aberto e gosta muito das aventuras... o pessoal apaixonava pelas minhas fotos da minha travessia! As contribuições foram muitas, e Santa Marta foi um dos locáis onde mais patrocínio achei.