Paisagismo: solução para uma cidade humanizada 

Existe hoje uma relação direta entre arborização e qualidade de vida. Não é por acaso que várias Prefeituras Municipais espalhadas pelo país têm investido na busca de uma boa  arborização para as  suas cidades. Essa intervenção tem sido feita  por meio de projetos que visam melhorar a qualidade de vida ambiental, procurando criar uma “nova cidade” onde o paisagismo nas suas mais variadas formas, tem o seu expoente máximo centrado no equilíbrio ecológico e no desenvolvimento sustentável do ambiente natural.

          Cada vez mais os habitantes de cidades não arborizadas estão procurando desenvolver uma consciência crítica, buscando alternativas para fugir da dureza das praças concretadas, sem jardins e nenhuma atração por menor que seja, e especialmente, sem vida.

          Nossa cidade está incluída no grupo de cidades que precisam cuidar melhor do seu meio ambiente, criando parques para o lazer e descanso da população, arborizar suas ruas e incentivar projetos paisagísticos de pequenas áreas  em frente  ou nas fachadas de suas residências. Há soluções bastantes práticas, uma delas é a adoção de espaços vazios pela comunidade, num trabalho conjunto com a municipalidade. Outra, com custos maiores, como pude observar em Palmas, capital do Estado do Tocantins,  onde visitei a convite da Prefeitura local, uma escola da natureza. Essa escola é responsável pelo fornecimento de mudas para o plantio nos logradouros e praças da cidade, e os seus alunos são crianças e adolescentes oriundas de famílias de baixa renda, que se dedicam  parte do dia quando não estão na escola regular,  a produzir mudas e a aprender técnicas de manejo de solo, tudo, auxiliado por uma equipe multidisciplinar envolvendo profissionais em arquitetura na formulação de projetos urbanísticos, professores de botânica para escolha adequada de plantas e outros profissionais de apoio, na busca de mostrar a importância do ambiente natural na educação destes alunos, ocupar o seu tempo disponível e ainda favorecer com uma cesta de alimento, para que os alunos levem para casa, como ajuda para suas  famílias.

            Entretanto, se faz necessário reconhecer, que nossa cidade está longe de poder adotar um programa como acima descrito.Não há recursos para financiar um protejo desta envergadura.  Mas há um campo inicial a ser trabalhado. A discussão nas escolas sob variados temas envolvendo sempre a necessidade de ser ter uma cidade mais humana e aconchegante, é o primeiro passo. O tema poderia ser explorado pelos professores em sala de aula ou através de trabalhos para casa.Aos poucos os alunos iriam perceber que é parte do problema, que a sua intervenção se faz necessária e a partir daí surge uma visão correta da situação, para ser apresentada às autoridades municipais, na busca de soluções. O segundo passo é conseguir a adesão da sociedade organizada, ou seja, das associações comunitárias e religiosas, clubes de serviço, sindicatos, grêmios estudantis, etc. para mostrar à população os enormes  benefícios que  uma arborização planejada poderia trazer para a cidade.

           Finalizando, acho tudo isso possível. O que é difícil é a mobilização da comunidade para conseguir  junto ao Poder Público tamanho benefício. Seria um avanço muito grande nas relações comunidade e municipalidade, esta sempre alheia as reais necessidades e anseios da comunidade.

Rui Alencar Andrade                

 

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F O L H A   D E   M O M B A Ç A - Nº 14 - OUTUBRO/2002