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Hoje
Hoje o homem evolui tanto, que se
distanciou do homem. Os valores invertidos são manchetes nos principais
jornais. A violência campeia as cidades levando os cidadãos de bem
a loucura. E como falar de felicidade? Hoje não há sorriso, só formalidades, honra ou compromisso, só egoísmo, ganância em monte de um poder perigosamente decadente. Hoje quem atende aos apelos dos necessitados? Em vez da esmola, os impropérios. Em vez da ajuda a indiferença. Hoje no mundo não existem flores nos campos, só na floricultura, que por trás dos vidros impedem de sentir seu perfume e como pássaros engaiolados, cantam mudos, cumpre para uns a missão que a natureza legou a todos. Hoje o louvor é ovação. Hoje o hoje é a tortura da espera do amanhã, crianças são especulações sentimentais criminosas e elas crescem saboreando o legado pior dos adultos, a desumanidade, que gerará nelas o caos total da existência. Hoje não haverá bandas nas praças, só concertos em portas fechadas. Não há pobres, só ricos e poderosos, porque pobres não constam na lista dos convidados. Hoje não abrirei a porta para ninguém porque tenho medo e o medo me levará algum dia a loucura e aí a comédia humana estará representada na grande tragédia que ontem alguém deixou de prever. Evelyn Moreira Mota
E-mail: hpmombaca@zipmail.com.br WebMaster: David Elias N. Sá Cavalcante Editor/Redator: Elias Eldo Sá Cavalcante F O L H A D E M O M B A Ç A - Nº 18 - FEVEREIRO/2003 |