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Crônica
"Causos"
do Padre Zé
Hoje vamos contar outra estorinha do Padre Zé, aquele vigário de uma cidadezinha desse interior brasileiro. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas daqui dessa nossa Mombaça pode considerar como mera coincidência, pois essas coisas de: cornagem, violência, roubos etc não acontecem aqui pra essas bandas, mas só lá pra bem longe...
Pois bem. Correu o boato de que havia na cidade um pistoleiro contratado para matar o Cel. Chico Felix, a mando do Padre Zé. Já o Padre Zé prestou queixa junto ao delegado especial de que havia um pistoleiro na cidade com o intuito de mata-lo e segundo lhe informaram isso acontecia a mando do Coronel Chico Felix. Pronto! Isso foi o bastante para a cidade entrar em polvorosa, com toda a população vendo um pistoleiro em cada rosto estranho que lhe aparecesse a frente. E esses rostos não eram raros, face a localização daquela cidadezinha que era entroncamento de várias estradas que demandavam de outras cidades circunvizinhas para a capital.
O delegado se fez acompanhar do destacamento de polícia local e não se sabe com que indícios, logo prendeu um suspeito, que era um senhor de trinta e poucos anos, moreno claro e estatura acima da média interiorana. O pobre sujeito, sob a ameaça de armas e dizem, até um pouco de “peia”, confessava tudo que lhe era perguntado ou atribuído. Você veio para matar o Coronel Chico Felix a mando do Padre Zé? “Sinhô sim”, respondia ele.
Ou o senhor veio foi matar o Padre Zé a mando do Coronel Chico Felix? Foi “sinhô sim”. Aquelas respostas enfureciam cada vez mais o delegado, que em, brados voltava a perguntar: “afinal de contas, o senhor veio para matar o Coronel Chico Félix ou o Padre Zé?”. “Sinhô sim”, continuava sendo a resposta..
Essa situação perdurava já por vários dias, com a multidão acorrendo para a frente da cadeia publica, na tentativa de vê o perigoso pistoleiro, pois como sempre acontece, as notícias foram sendo distorcidas e corria solta a afirmação de que o pistoleiro viera para matar o Coronel Chico Felix, o Padre Zé e outros políticos locais, tendo feito a “empreita” sorrateiramente com alguns políticos para matar seus adversários e vice-versa, o que constituiria uma grande traição aos empreiteiros. A falta de segurança na cadeia local foi o suficiente para que fosse construído às pressas uma pequena cela no prédio da delegacia, localizado no centro da cidade. Esse cubículo media aproximadamente 2,80m X 1,40, sendo colocado na sua porta de estrutura bem sólida um X e um 1, motivo pelo qual esse xadrez passou a ser denominado de X-1.
Para variar, o delegado era também um político local e como político não queria perder a oportunidade de “aparecer”. Fazia de tudo para atrair público para o espetáculo que estava sendo apresentado diariamente a custa do pobre sujeito que recebeu então a alcunha de Manoel Piauí. Foi instalado no alto do prédio da delegacia de policia local uma “radiadora” (sistema de alto-falante) com o intuito de que fosse transmitido para o publico postado na pracinha em frente todo o interrogatório (agora oficial) do “perigoso bandido”.
(continua no próximo número)
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O L H A D E M O M B A Ç A - Nº 21 - MAIO/2003 |