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do Rui
A
carreira de professor está em Declínio
Uma pesquisa inédita divulgada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) revela que os professores brasileiros são uma espécie em declínio.O estudo mostra que daqui a dez anos, as escolas de ensino médio e fundamental sofrerão com a escassez de educadores.
O estado brasileiro não tem investido o suficiente em educação, principalmente no item salário do professor. Este sobrevive, em média, com cerca de seiscentos reais por mês e não tem dinheiro para manter a sua família com dignidade, dentro do contexto da sociedade em que vive.Acrescente-se a isso, a falta de tempo e disposição para a leitura, o lazer e atividades culturais..
Em tese, a maioria dos educadores trabalha quarenta horas semanais. Na prática, à jornada oficial, somam-se quatorze horas de trabalho extra remunerados ( aulas particulares, venda de confecções ou cosméticos, etc.) e outras oito horas para finalizar o planejamento das aulas em casa. No final das contas a carga de trabalho chega a 62 horas semanais. São cerca de doze horas diárias de atividade mal remunerada, o suficiente para estressar e desanimar qualquer profissional.
A pesquisa mostra ainda que a maioria absoluta da categoria pertence ao sexo feminino (85%) e tem entre 40 e 59 anos (53,1%). São educadores próximos da aposentadoria e que deixarão dentro de poucos anos uma lacuna que, se mantida a situação atual de baixos salários dos professores, dificilmente será preenchida por profissionais competentes e preparados. Hoje, a maioria dos alunos dos cursos de licenciatura do país não pensa exercer a profissão. Estão fazendo um curso superior para ter acesso aos grandes concursos públicos ou de empregos bem pagos no setor privado.Trabalhar em sala de aula fica como a última opção, caso não tenha sucesso em outras áreas.
O mais interessante de tudo isso é que esses alunos se formam para serem professores, gostam de dar aulas, têm a preferência por esse tipo de atividade, adoram viver próxima da juventude, transmitindo ensinamentos e ajudando na escolha de um melhor caminho na vida. Entretanto, viver do pó de giz é impossível.
O resultado dessa política educacional em vigor no país é medida pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) que avalia os conhecimentos de português e matemática de alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio. A última avaliação mostrou que 59% dos alunos que chegam à 5ª série do ensino fundamental não entendem o que lêem e 12,5% não sabem fazer operações de soma e subtração. A situação na região Nordeste torna-se mais crítica. Apenas 2% dos alunos demonstraram habilidades de leitura compatíveis com a 4ª série.
Para enfrentar o problema o Ministério da Educação começou a traçar medidas para melhorar o conhecimento dos alunos do ensino básico. A principal meta é investir pesado na formação de professores em 5000 municípios brasileiros com recursos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Escola (FNDE). Além disso, pretende-se criar um piso nacional para o salário do professor, vinculando o aumento dos vencimentos dos educadores, aos dos poderes executivo e legislativo do município. Assim, cada vez que o prefeito e vereadores aumentarem os seus próprios salários, os professores indiretamente seriam beneficiados. Se a proposta será aprovada pela classe política, é outra história.
Portanto, se as propostas do Ministério da Educação forem implementadas dentro de pouco espaço de tempo, a escola brasileira estará se preparando para receber crianças e adolescentes, despertando o interesse deles para a educação e preenchendo as lacunas cognitivas que tiveram durante a infância.
Rui Alencar
Andrade
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O L H A D E M O M B A Ç A - Nº 21 - MAIO/2003 |