Nossas Figuras Folclóricas 8

 

Voltamos a ter nesta edição nossas figuras folclóricas como enfoque, descrevendo algumas curiosidades sobre as vidas de dois CIÇOS  (apelido popular para o nome Cícero). Um já é falecido há alguns anos, enquanto que o outro ainda freqüenta assídua e semanalmente as ruas da cidade.

            Comecemos então falando no Ciço Aleijado  o já falecido-, morador do “outro lado do rio”, onde se localiza hoje a Vila São José  ou Vila Batista, como a chamam algumas pessoas. Ciço andava sempre montado em um jumento, já que era deficiente das duas pernas e portanto, aquele era seu mais favorável meio de locomoção. Não tinha acompanhante, já que não precisava “desapiar” de sua montaria durante o trajeto, como seja, percorrendo a cidade diariamente, cada dia em uma rua diferente da do anterior, a pedir esmolas, necessárias à sua sobrevivência, já que naqueles tempos ainda não existia a chamada aposentadoria  - ou pensão?- para deficientes. Era um cidadão bem humorado, tendo sempre um sorriso no agradecimento da esmola e não fazendo cara feia quando essa lhe era negada. Não andava maltrapilho nem tinha a “resposta bruta” característica de alguns pedintes que não têm atendido sua solicitação. Enfim, era uma pessoa querida na pequena Mombaça dos anos sessenta, tendo marcado sua presença cá entre nós.

            O outro Ciço ainda é vivo e reside no Sitio Banquinhas, Distrito de Carnaúbas, vindo uma vez por semana à cidade buscar suas esmolas, sempre na companhia de um “guia”, vez que é “cego de nascença”, o que lhe valeu o  apelido de Ciço Cego. Já pedia esmolas desde o tempo do Ciço Aleijado e continua pedindo até os dias de hoje apesar de receber benefícios do INSS desde que foi iniciada essa modalidade de ajuda para pessoas portadoras de deficiências. Também não é agressivo, chegando mesmo a ser simpático, motivo pelo qual muitos ainda lhe dão esmolas, mesmo sabendo que o mesmo tem seu “dinheirinho certo” vindo da pensão supra citada. Uma das suas características é usar sempre no ambiente em que está pedindo, a frase: “e aquele outro?”, numa fala arrastada, interpelando assim um possível doador, mesmo que no local haja apenas um. Falamos “uma de suas características” porque corre de boca em boca a notícia de que Ciço Cego é um tremendo namorador, sendo sempre muito cortejado até mesmo por mulheres casadas não satisfeitas com o que têm nem casa.

 

 

 

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WebMaster: David Elias N. Sá Cavalcante

Editor/Redator: Elias Eldo Sá Cavalcante

F O L H A   D E   M O M B A Ç A - Nº 23 - JULHO/2003

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