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No ano de 1999 houve a liberação de vários
projetos apícolas, não sendo poucos os indivíduos que “lavaram
a burra” às custas de tais projetos. Devido à má coordenação
e a quase total ausência do agente financiador na fiscalização
dos mesmos, alguns técnicos, alguns dirigentes de associações,
vendedores de materiais apícolas, dentre outros, “pintaram e
bordaram” com o dinheiro liberado para a efetivação dos
projetos, havendo de se destacar entre as distorções, as abaixo
enumeradas:
1)
material que deveria ser para determinada associação era
desviado para privilegiar outra;
2)
Quando chegava um produto de melhor qualidade logo era
destinado ao favorecimento de membros “da panelinha”;
3)
Quando chegava o refugo
que não foi pouco - aí então era que as associações
menos favorecidas recebiam, muitas vezes chantagiadas, pois logo
alguém dizia que era “pegar ou largar”, pois se não recebessem
naquele momento ficariam fora dos beneficiamentos;
4)
E o pior de tudo, em várias associações o material que
vinha era insuficiente e os associados ficaram prejudicados e
incapacitados de produzir por falta de material adequado. O restante
“está chegando”, assim diziam, numa piada de mau gosto que
tantos prejuízos e desilusões acarretou.
Mas é bom lembrar que durante o curso básico de apicultura,
um dos técnicos alertou os participantes para que tivessem cuidado
com o que assinavam. Entretanto, prevaleceu a intervenção maldosa
de um presidente de associação, que inclusive contribuiu para que
esse técnico fosse alijado do projeto. Motivo: infidelidade para
com os corruptos.
Como participante desse projeto presenciei muitos dos fatos
citados, e os que não presenciei, senti na própria pele, pois na
época entrei num desses projetos, que na verdade foi um dos mais
prejudicados. Logo no início tentaram barrar minha inclusão por
ter sido indicado pelo técnico acima citado, mas apesar de tudo
consegui ingressar, cioso de que não seria atingido por essas
falcatruas. PORÉ, grande foi o desfalque. O material necessário
tinha qualidade inferior, fora dos padrões e insuficiente. O
restante nunca foi entregue. No entanto a dívida junto ao Banco
permaneceu integral, mesmo com esse banco tendo tomado conhecimento
desses atos falcatruosos, muitas vezes com o gerente à época
“fazendo vista grossa”.
Tudo isso contribuiu para o insucesso de alguns
participantes, havendo boatos de que até um namoro contribuiu para
facilitar essas irregularidades. Os culpados nunca foram punidos,
ficando assim sub tendidos que atos dessa natureza podem ser
repetidos.
ATENÇÃO!
Novamente estão sendo liberados pequenos projetos, não só
para a apicultura, como para os setores de avicultura,
ovinocaprinocultura etc. Como não é de surpreender, muitas
oportunistas já estão antenados e munidos de suas artimanhas
costumeiras para lograr vantagens de formas, muitas vezes, ilícitas.
No caso apícola já começaram a botar em prática suas
“munganguices” abre alas, dizendo que as colméias terão de
serem compradas fora do município, pois as aqui produzidas estão
fora do padrão, o que é uma grande inverdade, para não dizer, uma
“mentira cabeluda”, pois o material local, como já pude ver, é
de excelente qualidade e perfeitamente dentro dos padrões técnicos
exigidos, com madeira de boa qualidade e inclusive com aramação
inox. Pergunta-se então por que certos técnicos e projetistas e
outros que estão à frente dos projetos são capazes de tais
atitudes? É simples, estão defendendo suas “fatias do bolo”.
Materiais complementares, como indumentárias, cera alveolada,
garfos, fumegador etc também fazem parte do rol do que só pode ser
comprados por intermediação dos membros dos seus grupinhos, o que
também lhes trará vantagens pecuniárias.
Já no caso da aquisição de ovinos e caprinos, a situação
não é muito diferente. Em recebimento de alguma galinha, de algum
trocado ou até mesmo de um carneiro cevado, e alguns casos para
beneficiarem amigos e parentes, os mesmos técnicos logo aprovam e
inserem rebanhos muitas vezes fora dos padrões e que não fazem jus
aos preços que por eles serão pagos. Aliás alguns rebanhos não
deveriam nem sequer passar por fora dos currais onde são expostos,
tão ruins são, quanto mais serem empurrados em pessoas
inexperientes e inocentes da fraude que estão sofrendo.
É por essas e outras que aqui faço meu alerta aos bancos
financiadores para que como órgão determinante não permita
novamente que mais e mais pessoas sejam ludibriadas por certos indivíduos
espertalhões e oportunistas. Por isso todos esses projetos devem
ser fiscalizados seriamente pelas entidades bancárias, mantendo
assim a integridade dos benefícios, como realmente deve ser e
evitando novos prejuízos aos que realmente devem ser beneficiados.
Os beneficiados também devem fazer sua parte, não se
permitindo enganar por chantagistas e denunciando qualquer
irregularidade visível. E diante de qualquer dúvida mais séria ou
mesmo alguma desconfiança, procurar imediatamente esclarecimentos
diretamente na agência bancária.
Devemos estar alerta, pois nem sempre as coisas são como
vemos e ouvimos.
“A verdade é sempre revolucionária. Expor
aos oprimidos a verdade
sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução”.
(Leon Trotsky)”
Autor : Paulo Geovane
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