Os Caminhos da Educação

 

Uma das tônicas da discussão educacional no Brasil é a melhoria na qualificação dos professores e sua capacitação sistemática. E aqui, não poderíamos deixar de abrir um parêntese para falar da LDB 9394/96, quando esta veio exigir a formação superior para a educação básica e até mesmo para a pré-escola e creches. E voltando agora para a educação mais especificamente no Estado do Ceará, nasceu então um dilema: o que fazer com o sem número de professores sem a qualificação exigida? Ora, a demissão seria inconstitucional e inviável, por conseguinte, a saída foi a criação dos Cursos para Formação de Professores em Regime Especial para o Ensino Fundamental e Médio, nomenclatura correta e expressa nos diplomas expedidos, mas, erroneamente e popularmente conhecidos como “Faculdades Breves de Pedagogia”, com o objetivo de qualificar os professores que estivessem em sala de aula. Porém, hoje é notória a presença de pessoas estranhas à educação e muitos indivíduos que nunca ministraram um dia de aula sequer, cursando as “licenciaturas breves”. Aqui começa a destoar da intenção inicial de qualificar aqueles professores que efetivamente estivessem em sala de aula. Agora vejamos o que diz Maria Luíza Barbosa Chaves, Doutora em Educação e Presidente da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE), ao ser indagada em entrevista sobre a maneira adotada pelo Ceará para especializar os seus professores com cursos ministrados em finais de semana: “Depende quantos finais de semana (risos). Se tiver enes finais de semana, qual é o problema? O problema é estudar com seriedade e ensinar com seriedade e, não fazer de conta. (...) Infelizmente, nós aqui no Brasil, nunca, ou raramente, expandimos o nosso ensino de maneira bem planejada. Quando digo bem planejada significa planejar bem os recursos humanos, as instalações físicas, mobiliário e material didático. O planejamento nunca foi um forte no nosso Brasil, embora a tendência seja naturalmente a melhora. Aliás, essa é uma das características de países de Terceiro Mundo, a falta de planejamento adequado”. Mas, que critérios são utilizados para o acesso às breves, ou não passa de faz de conta a prova de seleção e acesso e que “planejamento” implementado na implantação destes tais cursos de finais de semana? Será que apenas em finais de semana, o aproveitamento será pelo menos razoável, se num curso tradicional de Pedagogia, com duração de quatro anos e meio e aulas diárias, muitas vezes o tempo torna-se exíguo para que o programa seja visto na íntegra? Se a partir de 2006, segundo a própria LDB, todo professor deverá ter nível superior, pressupõe-se que as breves apresentam tempo determinado para acabar. Será que acabarão? Claro, se não houver interesse comercial por trás, afinal não são cursos gratuitos. Diante de fatos como estes, é imperativo que se comece a repensar os critérios e a metodologia de ensino das breves, além dos resultados qualitativos, pois não adianta distribuir diplomas, se os portadores destes diplomas são despreparados. E a educação continua vista com desdém pelos dirigentes destas plagas terceiro-mundistas. Afinal, educação é coisa séria e, só a educação levada a sério pode resgatar do atraso um indivíduo ou uma nação.

Raugir Lima Cruz

Pedagogo e Oficial de Justiça da Comarca de Quixelô

 

 

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F O L H A   D E   M O M B A Ç A - Nº 26 - OUTUBRO/2003