NOSSAS FIGURAS FOLCLÓRICAS - 3
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Nesta oportunidade, falaremos de algumas das nossas figuras folclóricas que aqui viveram num passado recente. Vamos iniciar pelo Fumaça. Ele era um caboclo de uma inteligência privilegiada e com grande presença de espírito, tendo estudado até o 3ª ano do curso primário, no Grupo Escolar Padre João Antonio, que ficava localizado onde hoje são os prédios dos cartórios e Telemar . Fumaça era exibido e sempre que era solicitado para demonstrar seus conhecimentos, não se fazia de rogado e respondia com relativa desenvoltura a perguntas diversas que lhe eram feitas, aproveitando-se inclusive da ignorância dos seus ouvintes. Afinal, "em terra de cegos, quem tem um olho é REI".Em se tratando de história e geografia, dava um show. Residia num sitio bem próximo da cidade e por isso mesmo toda noite vinha dar umas "voltinhas pela rua" e, quando o avistavam, alguns jovens freqüentadores de bares não lhe davam tréguas, começando "a puxar" pela sua sabedoria. Pensando estar ficando sabido, Fumaça, aos poucos, foi exigindo recompensas pela aula popular. Pedia cachaça e era atendido. Vale ressaltar que Fumaça já tinha muita intimidade com a bebida, vez que tanto seu pai, Chico quanto sua mãe, D. Maria, eram chegado "a mavada" , consumindo-a com a constância correspondente ao ganho de "algum tostão". Como se espera que aconteça nesses casos, não foi difícil que Fumaça se tornasse um alcoólatra passando a fazer de tudo - menos roubar- para conseguir uma bicada para saciar a sua sede. Certo dia ele encontrou um viajante em uma mercearia, dessas que também vende bebidas, e pediu para que o viajante pagasse "uma terça" de cachaça para ele. O viajante disse: ora, do jeito que você está bêbado, se beber mais uma terça, você vai cair. Fumaça prontamente rebateu: não se preocupe não moço, pois antes de cair, eu me deito.
Outro que também reinou suas esquisitices por algum tempo, foi ZENÁIDO, um caboclo meio graúdo, que tinha como principal característica física, o chamado "pé de macaco", que, estranhamente não parecia lhe produzir dores quando caminhava, como é comum nos portadores de pés chatos. Costumava, para chamar a atenção para si, caminhar sobre as calçadas, batendo fortemente os pés no chão, fazendo um barulho bem característico, que produzia nos assistentes, risadas e gritos de incentivo para a continuidade da ação. Pedia esmolas, mas não bebia , pelo menos, essa é nossa lembrança. Também não era de índole violenta e não costumava ameaçar quem quer que fosse, mesmo provocado, como era de costume de algumas pessoas, principalmente meninos desocupados. O fato mais pitoresco com a figura de Zenáido foi quando o mesmo teve uma parada cardíaca, em um sitio onde morava com a família. Foi dado como morto e portanto, providenciado o respectivo enterro, sendo seu corpo conduzido em um caixão por um grupo de amigos da família. No meio do trajeto para o cemitério, Zenáido levantou a tampa do caixão onde estava sendo conduzido, e sentado, perguntou: ei machos veios, pra donde vósmincês estão me levando ? Como era de se esperar, as pessoas que seguravam as alças do caixão funerário, soltaram-nas, partindo em desabalada carreira seguindo os outros acompanhantes que corriam cada vez mais com o barulho de pisadas atrás deles. Quase que o pobre do Zenáido morre mesmo é dessa queda.
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