Antes de sentir-se chocado, pare e preste atenção na foto.
Extraia dela um momento de lucidez para sua própria vida.
A cena é triste, mas nela também
pode-se ver muitas outras coisas.
A lente do fotógrafo captou mais que um momento comovente.
Um abutre observa, esperando o momento
desta alma se entregar definitivamente.
Não, a criança não está morta.
Seu corpo fraco, desnutrido,
ainda porta uma chama de esperança.
Implora bem menos que nós,
diante de nossos abutres de brinquedo.
Talvez mais cinco minutos de vida.
Talvez que um anjo desconhecido
com uma câmera fotográfica na mão,
que chute esse abutre e lhe dê a certeza
de que vale a pena ter esperança.
Ela não tem um Deus dogmático, fé escrita nem nada a
que possa agarrar para espantar o abutre que a espreita.
Tem dentro de si apenas um coração de criança.
Tem ainda dentro de si a vida.
E o abutre respeita porque na natureza,
alimenta-se dos que se entregam.
Nada pode contra a vontade de viver...
Autor Anônimo
Texto dedicado a todos que reclamam da vida
fartando-se dela.
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