Ganha
importância crescente o fragmentado, a descontinuidade, a sobreposição de
combinações em tempo real que desafiam padrões ao mesmo tempo que acenam com
novos controles. O que tem a Geografia a dizer sobre a Internet? As análises
atuais mostram como o meio técnico-científico
resulta de um processo de mudança acelerado, em que uma nova
forma de produção - baseada na informação e no conhecimento - está
redefinindo as relações de poder no planeta.
Tornou-se
um imperativo dispor, cada vez mais rapidamente, de informações (em quantidade
e qualidade). Graças à explosão das telecomunicações, uma nova geografia
das redes se afirma - a informação se tornou cada vez mais uma mercadoria de
compra e venda, e a organização social e territorial da informação está
sofrendo transformações profundas nos dias atuais.
Mas
isso tudo vem acompanhado de um reverso da medalha. Três ou quatro grandes agências
internacionais de notícias produzem 80% das informações mundiais, graças a
uma rede planetária de correspondentes. Que responsabilidades e quanta influência
possuem essas agências sobre a tomada de decisão de milhões de pessoas
espalhadas pelo mundo?
Tomando
como exemplo a gigantesca Agência Reuters norte-americana, a primeira agência
de notícias de televisão, vê-se que possui mais de 10 mil assalariados
distribuídos em 160 países, e que é responsável também pela circulação de
informações sobre o comportamento dos mercados financeiros internacionais.
A
agência Dow Jones, grande rival da Reuters, difunde seu índice de cotação de
bolsas de valores em qualquer parte do planeta, influindo em operações de
compra e venda de ações e em moedas nos mais distantes lugares.
Da
mesma maneira, a CNN (Cable News Networks) é mundialmente conhecida por suas
reportagens diretas, como na Guerra do Golfo, na queda da União Soviética, nos
massacres da Somália ou da Libéria, que apareceram nas telas de televisão de
milhões de pessoas espalhadas nos mais diferentes lugares do mundo.
Nessas
redes, constituídas de milhares pessoas com meios técnicos de produção e
difusão de informações, seus agentes são muitas vezes mais bem informados do
que a maioria dos funcionários dos Estados. Seu papel político (manipulação
de opiniões), econômico, financeiro e cultural introduz fortes diferenciações
e hierarquias entre os lugares e seus habitantes.
A
dominação maciça da mídia norte-americana e inglesa “deforma” a Terra:
seu centro situa-se entre Londres e Nova York, enquanto a maioria do Sul – que
significa a metade da superfície da Terra e cerca de 80% de sua população –
fica esquecida entre uma guerra e outra, e os eventos que aí ocorrem não
passam de “acontecimentos” transitórios e distantes, como se ocorressem em
outro planeta e em outra era histórica.
Isso
traz como conseqüência mudanças importantes na composição técnica do
território, graças à cibernética, às biotecnologias, às novas químicas,
à informática e à eletrônica.
Tudo
isso faz com que um território vá abrangendo, a cada dia que passa, mais e
mais ciência, mais e mais tecnologia, mais e mais informação. Isso se dá de
forma paralela à tecnificação de trabalho. O trabalho se torna dia-a-dia mais
trabalho científico, e ocorre também, em paralelo, uma informatização do
território.
Pode-se
dizer, mesmo, que o território se informatiza mais, e mais depressa que a
economia ou que a sociedade. Sem dúvida, tudo se informatiza, mas o território
se informatiza ainda mais, pois supõe o uso da informação, que está presente
também nos objetos geográficos, a exemplo dos bancos eletrônicos.
Há
estreita associação e interdependência entre esses novos dados, nos quais a
ciência, a técnica, a indústria, a defesa, a administração constituem um
complexo integrado.
Estamos
diante de um novo sistema de técnicas,
pois elas não aparecem isoladas, mas sempre como sistemas. O mundo em que
vivemos nos obriga a reconhecer esse novo sistema de técnicas, suporte para uma
nova rede de relações sociais e, igualmente, suporte para uma nova natureza,
transformado por redes telemáticas, isto é, redes de circulação de informações
à distância.
Em
contrapartida, é imenso o poder das tecnologias avançadas de telecomunicações
para auxiliar o desenvolvimento. Para que esses avanços beneficiem a todos é
necessário democratizar o acesso às informações, garantindo a diversidade de
suas fontes e buscando a máxima participação na transmissão de idéias.
Para
que os países em desenvolvimento possam utilizar plenamente a informação
gerada por satélites e acumulada em bancos de dados não basta apenas garantir
o seu acesso, mas também desenvolver a capacidade de processar e analisar o
grande volume de dados que podem ser obtidos dessas fontes.
No
presente, as informações são trabalhadas e utilizadas principalmente pelas
empresas multinacionais e pelos governos. Eles decidem quais dados devem ser
coletados pelos satélites, como também controlam os meios de sua difusão. No
entanto, a informação utilizada democraticamente previne abusos e encoraja a
participação pública nos processos de decisão.
Netpolis
(em inglês, net = rede; e, em grego, polis = cidade) ou tecnopólos
é o neologismo lançado pela revista inglesa New Scientist, para definir a
comunidade global que começa a se delinear em torno das redes de comunicação
via computador.
Exemplo
disso é a Internet, que hoje interliga mais de 25 mil redes de computadores,
formando uma espécie de biblioteca pública com cerca de 20 milhões de usuários
em 137 países.
Existem
recursos tecnológicos para criar uma rede de informação planetária que
transmita mensagens e imagens com a velocidade da luz, partindo da maior cidade
até chegar ao menor vilarejo de todas as partes do continente.
Essas
novas vias de comunicação nos permitirão partilhar informações em escala
global.
Cada
vez mais o exercício pleno da cidadania vai exigir do cidadão a capacidade de
navegar em infovias de informações. Para isso, é necessário saber
selecionar, ordenar e interpretar a imensa massa de dados existente em circulação
no espaço cibernético mundial, ou infoespaço.
Nesse
sentido, o saber da Geografia pode ajudar a compreender melhor esse espaço de
fluxos, que apesar de tentar se descolar dos lugares de origem, ainda reflete a
desigual distribuição da riqueza na superfície da Terra.
A
democracia representativa repousa sobre o pressuposto de que a melhor maneira de
uma nação adotar suas decisões políticas é garantir ao povo a informação
de que ele necessita. E, mais ainda, que seja permitido a ele expressar
livremente suas conclusões pela palavra e pelo voto.