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Extraído do Manual Merck de Veterinária (7a Edição) - Ed. Roca (1997) |
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COMPORTAMENTO REPRODUTIVO NA FÊMEA
O estado de acasalamento das fêmeas obviamente possui fatores fisiológicos e comportamentais. O termo estro é freqüentemente reservado para descrever componentes comportamentais e não fisiológicos. Os ovários podem passar por mudanças associadas com o estro sem que a fêmea apresente sinais de comportamento estral.
Rotinas comportamentais normais são alteradas durante a estro manifestado, e existe tipicamente uma diminuição nos comportamentos de alimentação e descanso, enquanto os comportamentos locomotor, agonístico, investigativo e vocal aumentam. Estas respostas são secundárias em relação ao caráter essencial do estro, isto é, a disposição da fêmea para aceitar o acasalamento.
O comportamento de monta entre fêmeas é típico do estro de vacas de grandes rebanhos e algumas vezes é observado em cadelas, mas raramente em éguas, gatas ou ovelhas. A égua no cio geralmente assume uma postura particular, que envolve freqüente afastamento dos membros posteriores, enquanto a urina é eliminada em pequenas quantidades e o clitóris é exposto em eversões rítmicas repetidas. A égua procura a companhia de outros eqüinos e exibe um interesse particular pelo macho. Na presença do garanhão, a égua no cio direcionará seus quartos traseiros para ele e assim permanecerá. As porcas começarão a seguir os cachaços ou quase qualquer coisa que se mova.
Os períodos e ciclos estrais variam consideravelmente nas éguas, possivelmente porque são selecionadas para ovular no começo de fevereiro - uma época não natural do ano. O período estral geralmente dura de 4 a 10 dias e os ciclos se repetem a cada 28 dias. Um período de anestro ocorre tipicamente durante a estação de menor período de luz do dia, embora algumas éguas possam exibir estro comportamental e/ou fisiológico.
O estro na maioria das cadelas ocorre em intervalos de 6 meses, independentemente da época do ano. Algumas das raças toy ciclam 3 vezes por ano. O sangramento pró-estral e o linhaço vulvar são características exclusivas da cadela.
O estro nos gatos tem uma periodicidade de 3 semanas, com picos no início da primavera ou verão. A receptividade dura de 4 a 6 dias se ocorrer o acasalamento, ou de 6 a 10 dias se não ocorrer. A vocalização do cio ("choro") é usada para atrair os machos, e uma vez que estejam por perto, os comportamentos de rolamento, esfregação e lordose indicam o estado hormonal da gata.
Acasalamentos repetidos em ambientes naturais tendem a diminuir a duração de estro nos bovinos por até 8h. Algumas fêmeas estimuladas por machos vasectomizados mostram uma duração menor de estro. Estes exemplos confirmam a visão moderna de que o estro não está somente sob controle endógeno e que sua manifestação está sujeita, em parte, a fatores ambientais, inclusive bioestimulação.
As duas condições naturais comuns responsáveis pelo anestro, por exemplo, em éguas e jumentas, são a sazonalidade e a prenhez. Cerca de 2% das vacas prenhes apresentam estro durante a gestação e quase a mesma proporção exibe cios silenciosos enquanto cicla.
COMPORTAMENTO REPRODUTIVO NO MACHO
A libido no animal macho se desenvolve na puberdade e persiste, em certos níveis, por toda a vida do animal. Ela depende da produção de testosterona e sua manifestação é determinada por características herdadas. Pode ser alterada como conseqüência de ações físicas ou inibida como resultado de situações adversas. Sob condições naturais, um macho de baixa libido deixa pouca prole, porém em situações domésticas, uma baixa libido pode ser perpetuada. Evidências experimentais e circunstanciais indicam certa base genética para a libido. A nutrição exerce uma influência leve; entretanto, um alto padrão nutricional pode inibir a produção de testosterona em alguns machos jovens, enquanto uma subnutrição intensa pode prejudicar a libido.
Desde que não haja correlação significante entre comportamento sexual e qualidade do sêmen, uma avaliação adequada da habilidade de procriação do reprodutor deve assegurar ambos os fatores.
A libido se manifesta durante a corte do macho. O "dobramento do lábio", ou "flehmen", é demonstrado na maioria dos ungulados. O macho estende a cabeça e o pescoço, contrai as narinas e levanta e enrola o lábio superior. Isto geralmente ocorre após ele cheirar a urina ou o períneo da fêmea e envolve o olfato.
Refências Bibliográficas
21/04/00
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