Reprodução em Pacas (Agouti paca)
Lorivaldo Paz Landim Júnior

mestrando em Medicina Veterinária, Área de Concentração: Reprodução Animal

Departamento de Reprodução Animal - FCAVJ - UNESP


A importância de se promover e ampliar a utilização da paca como modelo experimental, se aplica a sua característica de um animal prolífero, de fácil manejo e que oferece condições de aproveitamento racional como fonte de proteína animal, uma vez que dentre as carnes de caça, é uma das mais apreciadas.

Depois da capivara (Hidrochoerus hydrochaeris), a paca (Agouti paca) é o maior roedor da região neotropical. No Brasil, a ordem Rodentia estaria representada por três subordens: Sciumorpha, Myomorpha e Hystricomorpha, nessa última, se inclui, entre outras, a família Caviidae, na qual pertence a paca.

A espécie possui corpo robusto e vigoroso, especialmente a garupa e os membros pélvicos, que são notadamente musculosos. Os machos adultos medem em média 60 a 80 cm do focinho à ponta da cauda; as fêmeas, um pouco menores, medem em média de 55 a 70 cm e o peso corpóreo varia de 5 a 10 kg, podendo chegar até os 14 kg (MATAMOROS, 1985).

Quanto aos seus hábitos, as pacas são animais noturnas e terrestres, permanecendo em tocas durante o dia. As pacas são monogâmicas com machos e fêmeas compartilhando o mesmo território, compreendendo uma área de aproximadamente dois hectares e alimentando-se de grande diversidade de frutas, sementes, raízes, grãos e folhagens.

NOGUEIRA (1997) trabalhando com pacas em cativeiro, relata para esta espécie reprodução do tipo poliestral, com estimativa de produção de duas parições anuais por fêmea e apenas um produto por cria, observações estas semelhantes aos relatos para a espécie na natureza, fato que segundo o A., sugere aptidão à domesticação e adaptação desta espécie ao cativeiro.

Ainda caracterizando os aspectos reprodutivos MATAMOROS & PASHOV (1984) estudando pacas em cativeiro na Costa Rica observaram um período médio de duração do ciclo estral de 31,16 dias, com amplitude de 12 a 67 dias, assemelhando-se ao que foi relatado por PEREIRA et al. (1995) que observaram uma média de 30,42 ± 4,56 dias, variando de 24 a 39 dias. Os estudos de MATAMOROS & PASHOV (1984) consideraram a duração do ciclo estral como sendo o período compreendido entre o primeiro dia de abertura de um ciclo e o dia anterior da abertura do ciclo seguinte. O período médio de abertura calculado foi de 13,97 dias. Estes autores observaram três fases do ciclo estral: proestro, estro e metaestro identificando, à citologia esfoliativa vaginal, células parabasais, intermediárias e superficiais, citando ainda que pacas, durante o intervalo entre cios, permanecem com a vagina fechada pela membrana. Destacando a análise colpocitológica, PEREIRA et al.(1995) descrevem uma predominância de células superficiais nucleadas e anucleadas com discreta invasão leucocitária durante o proestro; células superficiais anucleadas no estro; células intermediárias e parabasais, com expressiva invasão leucocitária no metaestro e células basais com leucócitos durante o diestro. Quanto aos aspectos clínicos observou-se: início da abertura vaginal, com vulva rosada e pouco úmida no proestro; vulva totalmente aberta, hiperêmica com abundante extravasamento de muco cristalino no estro; durante o metaestro observou-se a vulva fechando, coloração hiperêmica e rosada e pouco úmida e no diestro observou-se a vulva completamente fechada e seca.

Alguns estudos descrevem quatro fases durante o ciclo estral, diferentemente de METAMOROS & PASHOV (1984), provavelmente estes autores identificaram a fase seguida ao estro de proestro, por não terem distinguido bem as diferenças entre essas fases.

O estudo demonstra uma média de duração do ciclo estral de 33,4 ± 4,4 dias. Mas nem sempre se observa a formação de um "plug" copulatório, pois a fêmea, após a cópula, lambe o órgão sexual (autogrooming), provavelmente, impedindo então a formação deste "plug" (NOGUEIRA, 1997).

As pacas apresentam ovulação espontânea e podem se reproduzir o ano todo, ocorre cio pós-parto e anestro por lactação. As fêmeas podem ter o primeiro cio com aproximadamente um ano de idade e a atividade sexual nos machos também pode ter início nesta idade.

Na literatura não há um consenso quanto ao período de gestação das pacas: variando de 115-116 dias até 150 dias a 155 dias.

Geralmente nasce um filhote por gestação e raramente dois ou três. Ao nascer, o filhote apresenta pelagem totalmente formada, olhos abertos e condições de caminhar logo após o nascimento, apresentando um peso médio de 500 a 700 gramas.O período lactacional é de aproximadamente 90 dias. A fêmea possui dois pares de glândulas mamárias, um auxiliar e outro inguinal.

Na Colômbia, pesquisadores observando fêmeas de vida livre, descreveram um intervalo de partos de 191 dias; todas as gestações envolviam uma única cria e o primeiro parto ocorreu aproximadamente à idade de um ano. Na Costa Rica, fêmeas mantidas em cativeiro, apresentaram intervalos entre partos de 97 a 101 dias. Para mais quatro fêmeas, o intervalo foi de 178 a 190 dias e para outras três fêmeas foi de 240 a 268 dias. NOGUEIRA (1997), trabalhando com pacas em cativeiro, encontrou uma média e desvio padrão do intervalo entre partos seis gestações observadas em uma fêmea, sendo de 195,80 dias ± 6,2 e para quatro gestações observadas m outra fêmea, 251 dias ± 11,7. A diferença de dois meses de uma para outra média pode estar relacionada com o aproveitamento do cio pós-parto, resultando em um intervalo menor.

Dentro das propostas de pesquisa estamos desenvolvendo no Setor de Animais Silvestres da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal - UNESP, estudos relacionados a dosagem de hormônios sexuais (progesterona e estradiol) através de amostras fecais, pelo método de radioimunoensaio (RIA), em colaboração com a equipe da Dra. Alzira Amélia R. e Silva da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, com objetivos de traçar uma curva de concentrações hormonais ao longo do período do ciclo estral, contribuindo portando, para estudos posteriores relacionados à biotecnologia e oferecendo suporte científico para preservação desta, e outras espécies.


Refências Bibliográficas

MATAMOROS, Y., PASHOV, B. Ciclo estral del tapezcuinte (Cuniculus paca) en cautiverio. Brenesia, San Jose, n.22, p.249-60, 1984.

MATAMOROS, Y. Fauna: el tapezcuinte. Biocenosis, San Jose, v.1, n.5,p.21-2, 1985.

NOGUEIRA, T.M.R. Alguns parâmetros fisiológicos e reprodutivos da paca (Agouti paca, LINNAEUS, 1966), em cativeiro. Dissertação (Mestrado) Universidade estadual paulista – faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. Jaboticabal, São Paulo, 1997.

PEREIRA et al. Algumas características do ciclo estral de Agouti paca, criadas em cativeiro na região amazônica. In: XI Congresso Brasileiro de Reprodução Animal. Anais. Belo Horizonte-MG, 1995.

19/04/00


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