FRANGOGATE
MALUF RETORNA AOS PRIMÓRDIOS

Nem a merenda das crianças escapou das maracutaias de Paulo Maluf. Entre Agosto de 1996 e Março de 1997, a Secretaria Municipal do Abastecimento comprou 829 toneladas de coxas e sobrecoxas de frango para a merenda dos alunos das escolas municipais. Tudo muito bem, não fosse por um detalhe: quem vendia o frango para a Prefeitura era a família do prefeito. Isso mesmo, sua mulher, sua filha, seu cunhado, sobrinhos. A mamata era tão boa que sobrou um dinheirinho - tirado, é lógico, do bolso do contribuinte e da boca das crianças - até para Lélio Ravagnani Filho, o enteado da Hebe Camargo. Não é à toa que ela diz que Maluf foi o melhor prefeito que são Paulo já teve. A galinhagem com o dinheiro da prefeitura funcionava assim: a Obelisco, uma empresa de Sylvia e Lygia Maluf - a mulher e a filha de Paulo - vendia frangos para a AD'Oro, que pertence a Fuad, Marcio, Caio e Fernando Lutfalla - cunhado e sobrinhos de Salim - que por sua vez revendiam para a prefeitura, com a intermediação da AIM, empresa de Lélio Ravagnani Filho, o enteado de dona Hebe. E, do lado da prefeitura, quem acertava o preço era Marcelo Daura, ex-marido de uma sobrinha de Maluf. Como se vê, ficou tudo em família, como na Máfia. O escândalo ficou conhecido como Frangogate e já tem até denúncia na justiça, para que sejam todos obrigados a devolver o dinheiro. Mas o caso não vai parar por aí, porque o Ministério Público continua investigando para processá-los criminalmente. É por isso, aliás, que Maluf estava tão desesperado para ser governador. É que, se fosse eleito, ele escaparia da justiça, já que os processos seriam enviados para o Superior Tribunal de justiça, em Brasília, que está sobrecarregado, o que significa que levariam muito mais tempo para serem julgados. E tem mais! Investigando a AD'Oro, a justiça descobriu que a empresa do cunhado e sobrinhos de Maluf havia recebido 7,0 milhões de dólares de uma empresa do Uruguai chamada Rineos Inversora. A Rineos só existe no papel! Funciona em um escritório de advogados em Montevidéu especializado em administrar empresas fantasmas para lavagem de dinheiro. Depois que o processo de n. 1316/97 começou a correr no Fórum da Fazenda Publica, o Sr. Paulo Maluf, réu citado, começou a fugir dos oficiais de justiça para evitar a citação, chegando ao ponto de o Ministério Público solicitar força policial, como convém a um bandido desse porte, depois de oito tentativas infrutíferas de localizar o meliante. No dia 21 de Abril de 1998, o ofício nº 3.657/98 dizia: "Sr. comandante Geral: requisito a força policial necessária, com ordem de arrombamento, se necessário, para acompanhar o Oficial de justiça deste Juízo, no cumprimento da AÇÃO CIVIL PÚBLICA, promovida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra PAULO SALIM MALUF e outros, nos termos das peças anexas". No dia 26 de Maio de 1998 o Oficial de justiça, acompanhado de força policial, ao tentar entregar a notificação a um segurança que, mais uma vez, se recusou a recebê-la, o meliante foi finalmente dado por citado.