Les Incompris / Cochabambas
Ano passado durante o "Festival Up Load" realizado no SESC Pompéia em São Paulo, conheci o multi-baterista Zimmer de Florianópolis, idéias pipocando num micro ondas mental, é a melhor maneira de destrinchar a linha de pensamento do cara, totalmente acelerado ele não para um segundo e nos poucos que conversamos ele deu uma mostra da efervescente cena alternativa da região.
Zimmer pode ser chamado de multi-homem pois se divide em três bandas (ou mais!) entre as quais: "Ambervision", "Cochabambas!" e "Les Incompris", das duas ultimas ele me passou os trabalhos lançados pela coligação: "Monstro Discos" e "Migué Records" (Goiânia e Floripa respectivamente!)
Uma deliciosa viagem às garagens de guetos dos anos 60, seja pelo formato escolhido (ambos lançados em vinil 7"!) ou pelo som apresentado, primeiro "Les Incompris": apesar do nome em francês e tudo na capa estar na mesma língua, não se enganem! É garage-rock sessentista cantado em português, inglês e em algo "parecido" com castelhano (seria o famoso "portunhol" ?..) numa viagem por quatro faixas distintas entre si mas ao mesmo tempo convergindo para a mesma encruzilhada: guitarras, guitarras, barulho, bateria e mais barulho, potente, vigoroso e ao mesmo tempo se cair nas mãos dos pais de qualquer um que esteja curtindo hardcore atualmente servirá como uma doce viagem no tempo! A primeira faixa é uma ode ao "tinhoso" como se houvesse surgido de uma cruza entre "Black Sabbath" e " The Trashmen"; só ouvindo para entender ... as outras três faixas seguem na estrutura de cruzamentos absurdos, passando por rockabilly, jovem guarda e até algo mexicano... diversão garantida, feito para embalar festas desde os anos 60 até enquanto existirem toca-discos!
Praticamente os mesmos componentes: Zimmer e "90", acompanhados de mais alguém; "informações precisas!" mas um resultado diferenciado! É o que nos apresenta "Máquinas quentes a todo vapor, Vol. I" dos "Cochabambas!", a trilha parece sempre levar estes dois malucos para algum lugar ermo no centro da loucura dos anos 60, num trabalho feito para ser levado à sério com "Surf Music" de primeira! Remete ouvidos mais atentos a bandas como "The Shadows of Knigth", "The Ventures" e até "The Monkees" e "The Troggs", totalmente instrumental como dita as regras da boa Surf Music, a banda (ou seria um duo!) esbanja conhecimento na área em quatro petardos batizados com muito senso de humor: "O triste fim de Josefel Zanatas", "Hajii", "Fuca Bala" e "Infernão"! Que venham outros volumes destas máquinas quentes pois o mercado fonográfico esta carente de bons produtos fora do estereótipo modista (acreditem mesmo no underground existe o modismo... basta ver a quantidade de bandas fazendo hardcore melódico!).
Falta conhecer o trabalho dos "Ambervisions"; ao que me parece segue algo na mesma trilha das outras duas, ou seja: um caminho desmembrado em diversos tendões que apesar de divergentes conseguem em algum ponto achar seu lugar em comum: os badalados anos 60! Parabéns Floripa! Tomara que esses doidos de plantão espalhem suas idéias e musicas por todo território nacional!
Contatos: http://go.to/migue ou www.monstrodiscos.com.br
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Toscaria pura
e muita diversão é o resultado deste 7" da dupla (?)
de Floripa!
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Surf Music
anos 60 em pleno século 21 ! E da melhor qualidade ! Outro 7"
da mesma dupla (?) de Floripa mas que leva outro nome!
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O "pequeno" baterista ao lado é a figura carimbada que leva o nome "Zimmer" o multi-baterista que sobrepõe a velocidade do pensamento em suas viagens vocais ! (foto de divulgação do Cochabambas, apropriada do site da Migué Records!) |