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Essa peça foi montada às pressas em
1999, quando a Lúcia substituiu o Artur em julho, e precisávamos
de um espetáculo para participar da SAPO. Ou seja, ensaiamos durante
agosto e metade de setembro a peça que foi sugestão da Lúcia.
Os ensaios foram feitos sob um clima intenso de correria,
além de um "pequeno mal-entendido interno", devido ao mau uso das
modernas tecnologias de comunicação a distância. Ainda
tivemos de fazer ensaios extra em lugares bizarros como a sala de estudos
da Civil (onde tivemos de empilhar mesas e cadeiras) e corredores da Elétrica.
No fim, adaptada e renomeada como "O Fiscal", a peça
arrancou boas gargalhadas e conseguiu muitos aplausos. Foi importante
para o início da "re-projeção" do GTP.
Mudanças do Texto:
O texto original foi alterado principalmente para
trazer à tona a atualidade do tema da obra, que adapta-se perfeitamente
ao contexto brasileiro. Cheio de malícia e subterfúgios,
golpes baixos e picuinhas, os habitantes ilustres da localidade se esforçam
para escaparem de uma auditoria severa. Todos escondem suas irregularidades:
o prefeito e seus desvios de verbas, o juiz e seus bem conhecidos subornos,
a diretora incompetente da escola e suas "manobras" para permanecer
com o cargo, os fazendeiros e seus critérios muito peculiares de
higiene e tratamento dos empregados, o diretor do hospital e seus cadáveres,
a delegacia em péssimo estado, e assim por diante.
Bem poderíamos estar falando de uma típica
cidade brasileira. Pois foi exatamente esta idéia que nos fez alterar
o ambiente da peça, que se passa na Rússia do começo
do século, para o Brasil de hoje. Surgiu então Furafilópolis,
a cidade corrupta do interior. O inspetor geral do título transformou-se
no fiscal da receita, e o resto permaneceu pouco mudado. Nem foi preciso,
já que o tema nos é muito familiar.
A Preparação e a Apresentação:
Os ensaios começaram a partir de improvisação
das cenas da peça. As cenas seriam consolidadas, ao invés
de decoradas, e só dependeria do esforço de cada um em melhorar
os detalhes. Assim, a peça teve um tom bastante autêntico,
e o grupo se soltou no palco, deixando o impulso da história fortalecer
as atuações e conduzir o ritmo do espetáculo.
Cada personagem correu atrás de seu figurino,
e o cenário era muito simples - apenas algumas cadeiras. A iluminação
e a sonoplastia foram problemas à parte, pois o anfiteatro da elétrica
não possuía infra-estrutura para a apresentação
de uma peça. Nem cadeiras havia na platéia! O lugar estava
semi-abandonado, o palco era minúsculo, a acústica era ruim,
e um mau cheiro suavemente tomava os fundos do teatro, pois havia ali
um defeito nos encanamentos da lanchonete que ficava exatamente acima
do local. A trilha sonora foi tocada por um pequeno aparelho portátil,
a luz foi dirigida a partir de um único holofote manejado pela
diretora do cetro da platéia (produzindo assim um efeito péssimo
de sombras ao fundo do palco e ofuscando os atores em cena), e as pessoas
precisaram sentar no chão. Foi um preço a se pagar pelo
pouco tempo de preparação e uma certa inocência do
grupo, que não se preocupou com isso no devido tempo.
Mas o importante foi que todos se divertiram muito,
a peça foi bastante elogiada e os atores ganharam uma boa experiênca
de palco. E mais importante ainda, o grupo começou uma jornada
para obter maior projeção dentro da escola e para amadurecer
artisticamente seus integrantes. Todo mundo lucrou com a peça.
E, é claro, os pais adoraram.
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NEM
AS SÚPLICAS DA GISELI COMOVEM O IMPASSÍVEL FISCAL.
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