Da Surpresa Donots à loucura incontrolável provovada pelos Guano Apes, no encerramento do Festival Marés Vivas
Não podia terminar da melhor maneira o
Festival Marés Vivas 2001, realizado nas areias da Praia
do Areinho, Oliveira do Douro ,Vila Nova de Gaia...Pese
Embora as excelentes actuações dos Costeau, Yo La
tengo, Xutos & Pontapés e sobretudo de Jon Spencere
dos Blue Explosion foram sém duvida, os Guano Apes que
mais gente atraíram ao Marés Vivas 2001. Já ao cair da
Noite, afluênçia era tanta que algumas estradas tiveram
que ser cortadas...Ás 23:15 quando foi anunciada a
entrada em cena dos Alemães Donots, cerca de 25 mil
pessoas já se espalhavam pelas areias daquele solene
local bordeado por árvores, rio e pontes.Dos Milhares de
Pessoas eram rárissimos os que conheçiam a música dos
Donots, pelo que a recepção ao grupo alemão excedeu
todas as expectativas. O Vocalista Ingo, que se
apresentou como "cheirando a peixe podre",
t-shirt dos AC/DC, provou ser um excelente comunicador,
interagindo constantemente por um completo alucinado
guitarrista, Guido, que durante todo o concerto nem parou
nem um segundo. Baseando o espectáculo no álbum
"Pocketrock", os Donots Apresentaram temas
punk-rock do calibre de "I quit",
"Today" e "In too Deep", dando a
conheçer canções ainda não editadas e algumas
versões, nomeadamente dos New Order, que lhes abriram as
portas de Portugal.A Expectativa em torno da actuação
dos Guano Apes era mais do que muita, pelo que,assim que
os Donots acabaram a sua actuação, um enorme coro de
vozes levantou-se em uníssono para gritar o nome da
banda. Assim que Sandra Nasic e companheiros deram
entrada em palco, com "Open Your Eyes" centenas
e centenas de adolescentes começaram a lançar-se no ar,
corpos em desvario, pontapés e murros no vazio, crowd
surfing, mosh, adrenalina descarregada a velocidade
estonteante, o que levou algumas familias a afastarem-se
em aflição das proximidades do palco. "Ai Meu Deus
que está tudo doido" dizia um Senhor com a filha de
3 anos às costas com ar de quase pánico em passos
apressados rumo à tranquilidade das margens do rio. No
Palco "Mine all Mine", "Crossing the
Deadline", "Gogan" e os delireantes
"No Speech","Living in a Lie","
We Use The Pain" e já com uma nuvem de poeira por
cima dos suados troncos nus, "Big in Japan".
A música, obedecendo à dinâmica
depressa-devagar-depressa, agressiva-suave-agressiva,
intensa-emotiva-intensa baseada em esquema musical pouco
complexo mas pujante musculado mas com melodia, foi
provocando manifestações tribais em gente na sua
maioria entre os 13 e os 18 anos em estado de rara
euforia. Toxinas saltaram dos corpos em convulsão,
gritou-se "Portugal, Portugal, Portugal",
ergueram-se no ar bandeiras do nosso país. Às quatro da
manhã o transito continuava congestionado na margem
esquerda do Rio Douro.
Portugal é a Segunda Casa dos alemães Guano Apes.
Já Não é de agora que
consideramos o público português o mais
especial do Mundo. Já aconteçeu esqueçer-me
das letras e quando reparei estava toda a gente a
cantar por mim" afirma Sandra Nasic ao JN
sem encontrar explicação razoavel para essa
empatia. " Só sei que os concertos em
Portugal são sempre fantásticos. O Porquê é
uma interrogação. Não vejo razão logica
plausivel para isso capaz de justificar tal
interacção."
Na mémoria mantém-se, contudo os problemas
levantados no último concerto em Lisboa,
realizado em Outubro do ano passado, por um fã
dos Oasis que lançou um boato na internet
afirmando que havia uma bomba no Coliseu dos
Recreios." Foi um Terrivel Incidente.
Confesso que tive medo e que me enchi de
paranóias. Isso acabou por nos obrigar a sair do
palco, sem sequer fazermos um encore",
Lembra Sandra Nasic, que confessa que os Guano
Apes aceitaram encerrar o Festival Marés Vivas
por ser em Portugal e por o festival ter entrada
livre. " Os Nossos fãs mereçem que a gente
tenha aberto esta excepção. Estamos Numa fase
de Muita calmaria, queremos relaxar, estar em
casa com as famílias, começar a compor para o
proximo disco que deve sair no proximo Verão. As
Tournés são cansativas, a rotina das viagens é
horrivel, as esperas são tão frequentes que a
gente chega a desesperar". Foi por isso,
para descansarem em paz, que pensaram comprar uma
casa em Caminha?" Isso passou-nos pela
cabeça, até porque Portugal é a Nossa Segunda
Casa,mas confesso que ainda é muito cedo para
viver como uma avozinha que fica à janela a
apanhar sol."
José Manuel Simões
In JN
30 July 2001