Akita - 20 Perguntas e Respostas sobre a Raça
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Discreto e eficiente guarda, o Akita é uma raça recente e ainda pouco conhecida no Brasil. Conheça-o melhor através das respostas de 10 criadores às perguntas que formulamos, procurando traçar um perfil dessa raça
Por: Roberto Simões de Carvalho
Quem vê um cão Akita na rua, no Brasil, quase nunca sabe que ali se encontra um representante de uma raça japonesa de mais de trezentos anos, antigo cão de combate e de caça, além de grande guarda. Durante boa parte desse tempo, a raça esteve restrita ao Japão, correndo, inclusive, sérios riscos de extinção. Símbolo de saúde e felicidade para o povo japonês, o Akita é hoje criado em muitos outros países, entre os quais, os Estados Unidos. Os americanos dividem com os japoneses o papel de maiores criadores da raça, desenvolvendo uma linhagem distinta da japonesa, isto é, maior em tamanho e menos agressiva. No Brasil, desde 1970, segundo as informações que se tem a respeito, o Akita ainda é desconhecido da maioria dos brasileiros. Seus criadores, no entanto, apostam no futuro da raça no País, afirmando ser o Akita um cão ideal para nossas condições de vida, principalmente nas metrópoles, pois requer pouco espaço, é um guarda eficiente e só late quando realmente necessário, o que lhe dá uma maior credibilidade. Descubra o Akita através do depoimento de 10 criadores que respondem a uma série de perguntas que tratam desde o temperamento e o físico até outras particularidades da raça.
O que se sabe a respeito do passado do Akita?
É a partir do século XVII que as raças japonesas começam a ser identificadas e reconhecidas como diferentes umas das outras, e teria sido então que um nobre interessado em cães estimulou a criação do Akita, no distrito de mesmo nome, no Japão. Desde este marco, o Akita alternou momentos de projeção com fases de quase extinção. Em 1931, passou a ser considerado monumento nacional, pelo governo japonês, que ainda hoje se encarrega de sustentar um campeão Akita quando seu proprietário não tem condições de mantê-lo. Nos Estados Unidos, atualmente detentor de um grande plantel de Akitas, a raça surgiu a partir da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados americanos levaram muitos filhotes do Japão para o seu país. Criado como cão de caça nas montanhas ao Norte do Japão, o Akita, segundo criadores, foi também um cão de combate até o século passado, quando foram proibidas as lutas entre cães no Japão. No Brasil, acredita-se que a raça chegou em 1970, ano da primeira importação de um Akita, conhecida pela maioria dos criadores.
Como conhecer um bom filhote?
Para Quirino F. de Castro Cotti, do Canil Morito Shinagawa, de São Paulo, SP, "proteger o prato de comida, empurrar os irmãos para comer, e ser independente da mãe são características do temperamento do Akita que já se nota num filhote, a partir de 30 dias de idade. Fisicamente, também nessa época, a cauda já é virada para cima e o focinho deve ser curto, com aproximadamente 3 dedos, da ponta até a inserção. Entre os 50 e 60 dias, as orelhas devem começar a levantar, e, antes dos 120 dias devem estar eretas". Roberto Takashi Yoneda, dos canis Japan Dog Kennel e Kirishima of Akita Kennel, de São Paulo, SP, acrescenta que o filhote deve ter a cabeça grande, patas grossas e peito largo. Quanto ao temperamento, ele afirma que, com seus cães, apenas a partir dos 3 meses é possível observar algumas características no filhote, como sua desinibição ou timidez, por exemplo.
Como deve ser o Akita ideal?
O padrão da raça, que corresponde ao exemplar poderia ser condensado assim: o cão deve ter um aspecto sólido e forte. A cabeça deve ser larga, formando um triângulo, olhando-se por cima: as orelhas em pé e discretamente inclinadas para frente, os olhos escuros e triangulares e o focinho potente e afilado, com a cana nasal reta e curta. O macho deve ter a altura aproximada de 64 a 71cm e a fêmea de 58 a 61cm. O corpo deve ser relativamente quadrado, com o peito aberto, pernas anteriores retas, e posteriores fortes, com pouca angulação, e cauda de inserção alta, fazendo duas voltas. O cão deve ter o pescoço grosso e apresentar pêlo e subpêlo - ainda que, em países quentes como o Brasil, possa acontecer o nascimento de filhotes sem subpêlo, que é uma proteção natural do animal contra a temperatura fria de seu país de origem.
Quais as cores do Akita?
O padrão aceita todas as cores, inclusive o branco, o rajado e o malhado. Esse último deve apresentar uma malha grande cobrindo quase toda a cabeça e mais de 1/3 do corpo com malhas grandes e bem distribuídas, num fundo branco. As cores são brilhantes e definidas e as marcações são bem equilibradas, com ou sem máscara ou faixa branca entre os olhos. Os Akitas brancos não possuem máscara, e o subpêlo pode ser de uma cor diferente da do pêlo.
Como o Akita se relaciona com o dono?
Elisabeth de Souza Leão, do canil Ichi-Ban, do Rio de Janeiro, RJ, e Ovídio Richard Crnkovic, do canil Fugihikari, de São Carlos, SP, dizem que o Akita é um cão muito fiel e carinhoso com o dono, ainda que suas manifestações sejam comedidas - não faz muita festa, é um cão reservado. Kirinju, um dos Akitas de Roberto Yoneda, por exemplo, acompanha-o silenciosamente durante todos os momentos em que o criador está em casa, permanecendo a seu lado até nas horas das refeições. Cão de um único dono, o que significa que ele se apega mais a uma pessoa, a qual obedece, a raça no entanto, eventualmente, pode aceitar um novo dono, como aconteceu com Ovídio: "comprei uma fêmea preta de 3 anos e a coloquei sozinha no quintal. No primeiro dia só rosnou, no segundo comeu alguma coisa e no terceiro dia se alimentou nas minhas mãos. Depois de 15 dias já éramos amigos e ela me obedecia". Para Leila de Carvalho, do Leaf Oak's Kennel, Jundiaí, SP, porém, a preferência do Akita por uma pessoa em especial é muito discreta. "Ele se apega e obedece a todos os membros da família, apresentando uma leve inclinação por algum deles, para o qual se dirige com mais frequência".
Como o Akita se relaciona com os familiares
Roberto Yoneda diz que "mesmo escolhendo um dono, o Akita se relaciona muito bem com a família, como se fizesse parte dela, sendo carinhoso com todos". Leila de Carvalho acrescenta que a raça se sociabiliza com todas as pessoas da casa, manifestando seu carinho, porém, da forma comedida que lhe é característica. Elisabeth de Souza Leão faz uma distinção: "Em casa, somos três: eu, meu irmão e minha mãe que quase não se relaciona com os cães. Sou a dona "eleita" dos 4 Akitas; meu irmão gosta muito deles, que retribuem - mas de forma talvez menos entusiasmada do que o fazem comigo. Noto isso, por exemplo, quando saio para passear no sítio e eles ficam: todos saem atrás de mim. Quando é meu irmão, eventualmente um ou dois vão junto", lembra Leila de Carvalho.
Como se relaciona com as crianças? Gosta delas?
Segundo Segiu Shimaya, do Canil S. Shimaya, de São Paulo, SP, e Ovídio Crnkovic, o Akita se relaciona bem com as crianças. "O Akita é muito acessível a elas, permitindo que brinquem com ele. É afetuoso, porém não costuma pular nas crianças, devido a seu caráter reservado, e quando não quer mais brincar apenas se retira calmamente". Paulo Cesar Pires, do Nippon Ken Kennel, de Florianópolis, SC, diz que seu filho pequeno brinca com os Akitas tirando ossos de suas bocas e eles não reagem agressivamente. "O Akita adora crianças e sabe lidar com elas, dosando sua força na hora de brincar e não mordendo à toa. Quando passeio com uma de minhas fêmeas Akita, sempre que passamos próximo a um parque onde há crianças, ela chega junto a elas ou fica olhando-as atentamente. Às vezes entra deliberadamente na brincadeira", conta Leila de Carvalho.
Qual a sua primeira reação frente a estranhos?
Carla Ismael, do Canil Narayama, de Petrópolis, RJ, e Segiu Shimaya, dizem que a primeira reação a estranhos que entram desacompanhados no lugar onde o Akita vive é um breve latido e, logo em seguida, o ataque. Com os estranhos acompanhados por pessoas da casa, ambos concordam, ele normalmente, não se altera, permanecendo praticamente indiferente às suas presenças. Se estiver passeando com o dono, é possível que apresente, conforme a sua índole mais ou menos agressiva e a educação que recebeu, dois tipos diferentes de reações: ou permite a aproximação, mas não corresponde a convites para brincadeiras, ou não permite, e demonstra isso rosnando baixinho, caso o estranho ultrapasse o limite de sua privacidade.
No que diz respeito à guarda, qual a vantagem dessa raça sobre as outras do mesmo grupo, de cães de guarda? Em que aspecto ela é mais eficiente?
"A grande vantagem do Akita sobre as outras raças do grupo é o fato de ele não latir à toa. Isso lhe dá uma credibilidade maior, pois ele só se manifesta quando realmente é necessário", revela Carla Ismael. Gervásio Lourenço Júnior, do White Feet kennel de São Paulo, SP, concorda com essa última afirmação, ilustrando: "Numa ocasião, algumas pessoas foram a minha casa para conhecer e adquirir filhotes de Akita. Como desde que chegaram um dos meus cães permaneceu conosco na sala, impassível perante a sua presença, as pessoas desconfiaram da eficiência do Akita como guarda. Sem que eu dissesse nada, e como se tivesse percebido a desconfiança deles, o cão passou a encará-los com os pêlos eriçados e a rosnar baixinho".
Com que idade o temperamento da raça está definido?
Paulo Cézar afirma que os filhotes de sua propriedade com 3 ou 4 meses já latem para os estranhos e têm o temperamento calmo, como os adultos. Gervásio, em compensação, diz que tem cães que pareciam tímidos quando filhotes e hoje são guardas competentes e autoconfiantes. "Conheço exemplares que levaram até 2 anos e meio para definir completamente seu temperamento", conta. Mas, uma boa média fica em torno dos 18 meses de idade, segundo o Dr. Sergio Petini.
Que tipo de adestramento deve ser feito com o Akita?
O fato é que, como o Akita tem uma dificuldade natural em aceitar imposições de estranhos - no caso, qualquer adestrador que não seja o dono ou, no máximo, um membro da família -, a maioria dos criadores prefere ministrar-lhe a educação básica em casa e dispensar o ataque defesa, já que acredita que o instinto é suficientemente desenvolvido para que ele cumpra bem seu papel de guarda sem obrigatoriedade de necessitar desses comandos. O único tipo de adestramento do qual não abrem mão é o para exposições, possivelmente porque uma boa apresentação na pista pode ser decisiva para que o cão acumule vitórias. Neste caso, e também se o proprietário fizer questão de qualquer outro tipo de adestramento, Maki sugere iniciar aos 4 ou 5 meses, de modo que o cão se acostume com o adestrador ou handler. Ele precisa ganhar a sua confiança, senão não o aceitará, e consequentemente não o obedecerá", enfatiza. Mesmo assim, Elizabeth tem uma cadela que iniciou o treino para exposições aos 4 meses, aprendeu tudo, mas fazia sem vontade. O resultado é que suas apresentações em pista não eram bonitas, e hoje em dia é a própria Elizabeth que a apresenta.
O Akita é uma raça que aprende com facilidade?
Segundo o testemunho dos criadores, sim. "Por volta dos 6 meses de idade coloquei, pela primeira vez, um de meus cães para fora de casa e disse NÃO. Ele nunca mais entrou. Ou seja, não é preciso ficar repetindo uma ordem muitas vezes, pois ele logo capta a mensagem", exemplifica Crnkovic. Paulo César diz que ensinou seus Akitas a deitar, rolar, sentar e dar a pata, além de instruí-los a caçar tatus, lagartos e saracuras, por volta dos 6 meses, e a procurar rastros aos 8 meses - uma proeza considerável, se levarmos em conta que a raça não é empregada na caça desde o final do século XIX.
Qual a melhor alimentação para o Akita filhote?
Segundo do Dr. Sérgio Petini, médico-veterinário, a partir dos 20 dias o filhote deve ser alimentado com: carne (50%), arroz (30%) e legumes (20%), ou ração balanceada (100%). A quantidade inicial deve ser de 100 gramas, aumentando gradativamente, enquanto que o número de refeições por dia diminuirá da seguinte forma: dos 20 dias aos 3 meses, 5 refeições; dos 3 meses aos 6 meses, 4 refeições; dos 6 meses aos 9 meses, 3 refeições, e daí em diante 2 refeições por dia. Além da comida, o Dr. Petini lembra que é importante para o filhote um suplemento vitamínico e um suplemento mineral, ministrados diariamente.
Qual a melhor alimentação para o Akita adulto?
Dr. Petini diz que a alimentação do cão adulto se baseia também em carne, arroz, e legumes, a ração balanceada, nas mesmas proporções da alimentação para o filhote. Em relação à carne, ele afirma que pode ser de boi, de cavalo ou mesmo de peixe, comum na alimentação do Akita japonês; apenas se deve evitar a carne de porco, que desarranja o aparelho digestivo do cão. A quantidade de comida deve variar em torno de 2 a 2,5 quilos por dia. Os suplementos vitamínico e mineral apenas necessitam ser ministrados às gestantes, às mães durante a amamentação, e aos cães idosos.
Ele deverá praticar exercícios? A partir de que idade? Quais os melhores?
"A prática de exercícios é importante para qualquer cão", afirma o Dr. Petini. Porém, ele aconselha que se espere que o cão tome todas as vacinas para começar a exercitá-lo, pois antes disso o filhote pode adquirir alguma doença, no contato com a rua, ou mesmo prejudicar sua estrutura ainda em formação. "Fazer o cão andar, aumentando gradativamente a distância à medida que ele cresce, é suficiente por si só. No entanto, outros exercícios, como pular, correr e nadar são igualmente bons para o cão".
Quais os cuidados que se deve ter com a pelagem? Quantos banhos ele necessita? Qual a maneira de se dar banho num cão dessa raça?
O Dr. Petini recomenda banhos de mês em mês e escovação se possível diária, ou pelo menos de 3 em 3 dias. O Akita não necessita tosa e a ingestão de suplemento vitamínico é boa para a pelagem. Leila de Carvalho observa que a pelagem não embaraça com facilidade. Ela costuma deixar seus cães expostos ao tempo (embora disponham de canil para se abrigarem quando quiserem), com base no fato de considerar a raça bastante rústica, afirmando que isso deixa a pelagem mais bonita. Banhos, ela e Gervásio dão de três em três meses. Leila escova os cães esporadicamente, e com mais assiduidade durante a muda de pêlos, e Gervásio o faz semanalmente. Leila sugere que o banho deve ser dado com água morna - evitar os dias frios -, com sabão neutro e creme rinse. Carla lava o Akita da seguinte forma: molha o cão e passa xampu ou sabão especial. Espera quinze minutos, enxágua bem e corre com ele. Por fim, passa a toalha e o secador, complementando com a escova de cerdas de aço.
Esta raça apresenta algum problema de saúde típico?
"O Akita é um cão muito resistente. Ao contrário de outros cães, ele não apresenta nenhum tipo de doença típica", afirma o Dr. Sérgio Petini.
Como manter a saúde do cão?
Segundo Gervásio, "uma boa alimentação, rica em suplementos vitamínicos e minerais, a manutenção da higiene do cão - banhos e necessidades básicas -, a orientação médica freqüente, com a aplicação das devidas vacinas quando filhote e depois anualmente, e de vermífugos, são fundamentais para manter o cão saudável. É importante também exercitá-lo constantemente".
Qual a situação da raça no Brasil?
Nos últimos 5 anos, a CBKC registrou o nascimento de 2252 Akitas, sendo 596 no ano de 1985. No mesmo espaço de tempo foram importados oficialmente apenas 7 cães, 1 deles no ano passado. Entre títulos de Grande Campeão, Campeão e Jovem Campeão, emitidos pela CBKC, o Akita conquistou um total de 76 títulos, 13 em 1985. Gervásio afirma que entre os cães importados quase não dispomos de exemplares norte-americanos. Ele e Carla Ismael dizem que a qualidade do Akita brasileiro é boa, no entanto, a importação de novas matrizes traria sangue novo para o nosso plantel. Gervásio acredita que o ideal seria continuar trazendo cães do Japão, país de origem da raça e onde se procura restaurar o tipo original do Akita.
Quais os pré-requisitos para o Akita participar de uma exposição?
Para participar de uma exposição, o Akita tem de ter pedigree e idade superior a 4 meses. Não é necessário que o criador seja associado a um Kennel Clube, no entanto os associados têm a vantagem de pagar apenas a metade da taxa de inscrição para cada um dos cães que levar para exposição. Além disso, de preferência não apresentar nenhuma das seguintes características, que são desqualificantes: nariz manchado ou falta total de pigmentação na trufa, orelhas caídas ou quebradas, prognatismo superior ou inferior acentuado, cauda em foice ou sem curvas, machos abaixo de 63,5cm ou fêmeas abaixo de 58,5cm.