Diga não as Drogas

Texto Sobre Drogas, feito por Sweet Girl(Lívia)

O que é Droga?
Estamos habituados a associar a palavra droga apenas a substâncias como maconha e cocaína; há uma convenção sócio-cultural de droga é algo ilícito ou muito chato. Na verdade, droga é um conceito muito mais amplo. Nas definições contidas no dicionário Aurélio, droga significa:
1.Qualquer substância ou ingrediente que se usa em farmácia, em tinturaria, etc. 2.Medicamento.
3.Produto oficinal (3), de origem animal ou vegetal, no estado em que se encontra no comércio.
4.Medicamento ou substância entorpecente, alucinógena, excitante, etc. (como, por exemplo., amaconha, a cocaína), ingeridos, em geral, com o fito de alterar transitoriamente a personalidade.
5.Fig. Coisa de pouco valor.
6.Coisa enfadonha, desagradável.
Compreendendo a Dependência: (Uma estória, história)
Flodoaldo é um rapaz de 16 anos como tantos outros, e tem seus problemas como tantos outros rapazes de 16 anos. Um deles porém é particularmente especial: Flodoaldo tem vergonha do próprio nome. Isto transformou-o em alguém tímido, retraído, quase sem amigos. E tudo isto acabou impedindo-o de conseguir o que ele mais queria neste momento especial de sua vida chamado de adolescência: uma namorada. Mas eis que um dia Flodoaldo vai a uma festa, e lá encontra Kátia, uma bela morena que há muito despertara sua atenção. Depois de vários sorrisos e olhares de parte a parte, ele decide que precisa fazer alguma coisa, mas sua timidez o impede de se aproximar. Nisto, alguém lhe oferece uma cerveja, que ele prontamente aceita para impressionar sua deusa. Uma verdadeira mutação ocorre em Flodoaldo a partir deste momento. Sente-se eufórico, livre de todas as barreiras que até alguns minutos atrás eram o empecilho entre ele e Kátia. Aproxima-se dela, conversam sobre quase tudo sem dizer quase nada e terminam a noite como dois apaixonados cujo amor era inevitável. Final feliz? Talvez, se a estória terminasse nesta festa, ou se Flodoaldo e Kátia se casassem daqui a mais alguns anos, teríamos um final assim. Mas este é um relato sobre drogas, e não a sinopse da novela das oito. A saga de Flodoaldo, infelizmente, precisa seguir em frente. O namoro durou apenas alguns meses. Sozinho, Flodoaldo resolveu repetir a experiência que já havia dado certo, e desta maneira, toda vez que queria ficar com alguém, bebia. Caso contrário, apoderava-se dele uma sensação de completa incapacidade para relacionar-se com quem quer que fosse. Adquiriu o que chamamos de dependência psíquica. Alguns precisam fumar um baseado para enfrentar uma prova na escola, por exemplo. Executivos dependentes psiquicamente de cocaína necessitam cheirar algumas carreiras para fechar um negócio. A sensação que se tem é de que a droga acaba se tornando a base da personalidade da pessoa que a utiliza, e que sem ela tudo torna-se muito difícil, quando não impossível. Voltemos a Flodoaldo. Alguns anos passaram-se, e seu consumo de bebidas alcoólicas tornou-se cada vez maior. Para tentar alcançar a desenvoltura que conseguiu na primeira vez em que bebeu, ele consome mais e mais doses. Esta tolerância aconteceu porque seu organismo acostumou-se com a droga, respondendo cada vez com menor intensidade aos seus efeitos. O mundo de Flodoaldo já não é mais o mesmo. Afastou-se dos antigos amigos; o relacionamento com a família tornou-se difícil, tenso, quase impossível; não faz novas amizades e desinteressou-se completamente pela faculdade. No emprego as coisas estavam de mal a pior; Flodoaldo tornou-se um funcionário relapso, que sempre chega atrasado e nunca consegue cumprir as metas que lhe são impostas. Não foi demitido apenas porque ocupava um cargo público, apadrinhado por um político local, e, afinal, as coisas públicas neste país, ao invés de serem de todos, não são de ninguém. Beber tornou-se a única coisa importante na vida de Flodoaldo, o resto era apenas o resto. Isto é conhecido como relevância do beber. Deixou de selecionar o que bebia; o que tinha para beber estava bom. E num dia em que havia bebido ainda mais do que de costume, e que estava particularmente orgulhoso da quantidade de álcool que havia consumido sem sequer vomitar, Flodoaldo entrou em coma alcoólico. No dia seguinte acordou no hospital, onde uma enfermeira tentava com paciência explicar-lhe o que havia acontecido. Na verdade, Flodoaldo sofrera o que chamamos de overdose, ou seja, ingeriu uma quantidade de álcool maior do que a suportada por seu organismo. Içami Tiba, em 123 Respostas Sobre Drogas, explica muito bem esta questão, ao referir-se que "o organismo humano tem um limite na sua capacidade de metabolização (eliminação) da droga ingerida, que geralmente é feita pelo fígado. A metabolização é a maneira pela qual a droga é decomposta, resultando em outros compostos mais simples que são menos tóxicos que a droga. Quando a velocidade da metabolização for menor que a da ingestão (aquisição), a droga vai-se acumulando no organismo, chegando a níveis que provocam parada cardíaca e/ou parada respiratória e/ou depressão geral do sistema nervoso central...", muitas vezes podendo levar a morte. Ao ser perguntada por Flodoaldo sobre o que ele poderia fazer para que isto não acontecesse novamente, a enfermeira sorriu e disse-lhe que bastava apenas que ele parasse de beber. Claro que ele já pensara muitas vezes em parar. Mas quando isto acontecia, parecia que todo seu corpo pedia apenas mais um copo, e um desconforto enorme apoderava-se dele enquanto este desejo não fosse saciado. Flodoaldo era praticamente impelido até o bar onde, é claro, não bebia apenas uma dose. Não sabia, mas este conjunto de reações tem um nome: compulsão. Mais alguns anos se passaram, a vida correndo assim, apenas espiada por Flodoaldo pela janela de um bar. Até que um acidente de carro mudou o rumo das coisas. Não que isto nunca tivesse ocorrido antes; na verdade ele já perdera as contas de quantas vezes tinha batido com o carro, sempre embriagado, sempre (ao menos para ele) inocente. Mas nunca ninguém se havia machucado antes, não como desta vez. Ele havia atropelado uma senhora com mais de sessenta anos, e fugira sem sequer perceber direito o que havia acontecido. Foi preso em sua casa algumas horas mais tarde, e o teste a que foi submetido demonstrou que o nível de álcool no seu sangue era cerca de três vezes o limite máximo permitido para dirigir. Flodoaldo teve sua licença de motorista apreendida e começou a responder um processo criminal. Desta vez ele estava realmente decidido a parar. As humilhações que sofrera na delegacia, as agressões dos parentes da velha senhora, o descaso da sua própria família para com toda a situação impeliram-no a fazer alguma coisa. Ainda sob o efeito das doses que havia tomado no dia anterior, resolveu que pararia de beber durante algum tempo. Para tanto, muniu-se apenas de sua força de vontade. O que Flodoaldo não sabia é que força de vontade é o elemento principal na recuperação da dependência de qualquer pessoa, mas nem sempre funciona sozinha. A primeira noite foi particularmente terrível. Uma insônia cavalar o fez fritar na cama durante toda a madrugada, virando de um lado para outro como se fosse um bife na chapa. Ao escovar os dentes pela manhã, notou uma grande tremedeira em suas mãos, o que só fez aumentar a irritação que sentia com tudo aquilo. O resto do dia não foi diferente; um Flodoaldo nervoso, inquieto e mau-humorado tentava desesperadamente atravessar as horas que faltavam para o expediente terminar. Estava atravessando uma síndrome de abstinência, que é uma característica da dependência física. A grosso modo pode-se dizer que o organismo necessita da droga (no caso, o álcool) para continuar funcionando direito, e sofre com sua falta. Isto acontece porque a droga entra no metabolismo do corpo, passando a fazer parte das reações bioquímicas deste. Alguns meses depois, na saída do trabalho ao passar pelo bar onde sempre dava uma paradinha para tomar umas e outras, Flodoaldo pensou que apenas uma dose não faria mal algum; afinal de contas, já estava há quase vinte e quatro horas sem beber. Entrou no bar e bebeu até a hora de fechar, e durante os dias seguintes voltou a mesma rotina de sempre, bebendo para esquecer que bebia. Havia tido uma recaída. Voltou a beber como antes, o que tecnicamente é conhecido como reinstalação da maneira de beber, continuando assim por algum tempo, até que...
Seu organismo começou a dar sinais de que alguma coisa estava errada. Uma azia muito forte, que parecia imune a qualquer remédio, chá ou sal de fruta que Flodoaldo tomasse, começou a ficar cada vez pior, até que tornou-se impossível beber sem muito sofrimento. O uso da droga resistia mesmo com todos os prejuízos que ela causava em seu organismo. E foi por este motivo que ele acabou procurando um médico. Depois de vários exames, descobriu-se que Flodoaldo estava com gastrite, acompanhada ainda de pressão alta, ambas decorrentes do consumo exagerado do álcool. O bom doutor deu-lhe, junto com o receituário, o nome e endereço de um psiquiatra especialista em "problemas deste tipo". Evitou utilizar-se da palavra alcoolista, pois a negação da doença é comum a quase todos os dependentes de qualquer tipo de droga. Afinal, ele já fizera o que podia, tratando as consequências de seu alcoolismo. O psiquiatra trataria de ajudá-lo a parar de beber. A princípio bastante reticente com os resultados práticos que obteria com aquelas sessões, Flodoaldo começou a tomar os remédios que o psiquiatra lhe indicava para reduzir os efeitos da síndrome de abstinência. Estes, aliados a sua força de vontade, tornaram mais fácil ficar longe da bebida. Claro que as coisas não foram tão fáceis, mas (vamos usar uma frase feita) nada na vida que realmente valha a pena o é. Algumas vezes, ao passar na frente dos locais onde bebia ou ao encontrar antigos companheiros de copo, Flodoaldo sentia uma necessidade quase incontrolável de beber novamente. Depois de uma ou duas recaídas, aprendeu que este desejo intenso tinha o nome de fissura, e acabou transformando-as em aprendizado. Assim, passou a evitar estes locais que lhe traziam tantas recordações, bem como as pessoas com quem bebia antes. Passou a não levar mais dinheiro consigo, aposentando também o talão de cheques, pois sabia que ter dinheiro no bolso facilitava as coisas, e afinal de contas ninguém vendia bebidas no cartão de crédito. Passou, enfim, a aprender com seus próprios erros, sempre buscando fórmulas para não repeti-los. Vale ressaltar que a estória acima procura apenas tornar mais fácil a compreensão da evolução da dependência de drogas, bem como ilustrar alguns termos utilizados neste meio que nem sempre são de compreensão do público em geral. As situações e a rapidez dos sintomas variam de acordo com a droga utilizada, sendo que algumas drogas não produzem determinados tópicos aqui abordados (a overdose pelo uso de tabaco, por exemplo, é praticamente nula). Há ainda uma grande variabilidade pessoal a ser considerada, sendo importante ainda destacar o meio social do usuário. Não procuramos fazer uma análise exaustiva de todos os problemas e implicações do uso específico da droga que utilizamos como exemplo (o álcool), até porque a finalidade do texto é abordar o assunto de uma maneira prática e clara. Sobre o tema, bem como qualquer outro, não existe uma obra definitiva, mas o leitor poderá encontrar na bibliografia alguns volumes onde informações mais técnicas e precisas estarão a sua disposição. Ah, quanto a Flodoaldo, ele tornou-se um novo homem. Para reforçar seu tratamento, ingressou também no Alcoólicos Anônimos, casou-se e tem três filhos. Mudou também o nome que tanto lhe incomodava, e se você algum dia passar na rua por alguém de bem com a vida, pisque-lhe um olho. Pode ser Flodoaldo, ou melhor, o novo Flodoaldo...
Como identificar um usuário de drogas?
Por agir no sistema nervoso central, as drogas modificam o psiquismo do usuário. Estas modificações começam a repercutir em seu comportamento, alterando o relacionamento dele com amigos, familiares e colegas. Por este motivo, alguns sinais podem ajudar a identificar se uma determinada pessoa é usuária. Mas é importante salientar que alguns destes sinais podem existir sem o uso de drogas. Eles devem ser observados em seu conjunto. Por exemplo, se seu amgo, filho, ou etc. chegar uma noite em casa usando óculos escuros, isto não significa necessariamente que ele está se drogando. Mas se alguns outros sinais listados a seguir surgirem juntos, a probabilidade de que isto esteja acontecendo aumenta consideravelmente.
• Mudanças bruscas no comportamento.Repentina mudança de personalidade e acessos de mau humor sem explicação.
• Falta de motivação para as atividades comuns.
•Queda no rendimento escolar ou abandono dos estudos.
•Queda na qualidade do trabalho ou seu abandono.
•Abandono da companhia de outros. Encerra-se sozinho no quarto, etc.
•Perda de interesse por atividades favoritas. Hobbies, esportes e passatempos são deixados de lado.
•Inquietação, irritabilidade, insônia ou, ao contrário, depressão e sonolência. Nestes últimos casos, não é incomum a menção freqüente ao tema suicídio.
•Aumenta o número de infrações de trânsito. Pequenos acidentes começam a ocorrer com demasiada freqüência. O uso de maconha no carro também pode causar pequenos buracos no estofamento, devido a explosão e queda das sementes contidas no baseado.
•Mudança de turma. O jovem afasta-se dos antigos amigos para procurar um grupo da pesada. Podem surgir telefonemas de pessoas desconhecidas.
•Clima difícil em casa. Aumentam as hostilidades com os familiares.
•Espaçamento ou ausência de vida sexual. O usuário pode começar a ter dificuldades em manter relacionamentos afetivos prolongados.
•Olhos avermelhados ou dilatados (arregalados). Compra freqüente de colírio para os olhos. •Alteração no aspecto físico, desleixo.
•Presença de instrumentos necessários para consumir drogas. Cachimbos, maricas, comprimidos, colírios, seringas, xaropes, colheres sem cabo ou com cabo torto (para consumir drogas injetáveis), etc
•Alterações acentuadas no apetite. Algumas drogas como a maconha causam uma grande sensação de fome conhecida por larica. Outras, como a cocaína e as anfetaminas, diminuem o apetite do usuário.
•Atitudes furtivas ou impulsivas. Uso de óculos escuros mesmo sem excesso de luz, camisas de manga longa mesmo no calor.
• Falta de motivação. Incapacidade de cumprir com as responsabilidades ou falta de vontade para fazer as coisas.
•Excesso de distração, rir em demasia.
•Reação defensiva quando se mencionam as drogas e o álcool na conversação. •Desaparecimento de objetos de valor em casa ou no local de trabalho.
•Lesões e irritações nasais constantes. O uso contínuo de cocaína produz lesões no septo nasal que podem inclusive sangrar.
•Ausências do trabalho ou de casa inusitadas e por longo período.
•Afecções nos brônquios e outros problemas de saúde incomuns.
•Dívidas em casa e no trabalho.Telefonemas e ameaças de credores e agiotas.
•Cheiros estranhos na roupa e na boca, troca do dia pela noite.
Principais Drogas Consumidas Atualmente:
1. LSD,Ecstasy, Chá de cogumelo e Santo Daime
2. Cocaína
3. Crack
4. Cheirinho de Loló, Benzina, Lança Perfume, Cola de Sapateiro, Clorofórmio, Éter
5. Maconha
Veja:
1. LSD,Ecstasy, Chá de cogumelo e Santo Daime
Dietilamida do ácido lisérgico. Este nome tão estranho encerra dentro de si uma das drogas mais cultuadas de todos os tempos, conhecido pela abreviatura do seu correspondente em alemão, LysergSaureDiathylamid, ou LSD O LSD é talvez a mais ativa das substâncias que agem sobre o cérebro humano. Pequeníssimas doses, de 20 a 50 milionésimos de grama, já produzem alterações mentais, como delírios, ilusões e alucinações, que duram de quatro a doze horas.
2. Cocaína
Pó branco, normalmente inalado (cheirado) ou diluído em água para ser injetado nas veias (administração intravenosa). Quase sempre vendida em pequenas quantidades (aproximadamente 1 grama), embrulhada em pedaços de plástico ou papel alumínio, conhecidos como papelote. Em doses reduzidas ocorre euforia, excitação, inquietação, confusão, apreensão, ansiedade, sensação de competência e habilidade, diminuição da fome e da sede. O tempo de duração destes efeitos é de uma a duas horas.
3. Crack
Pequenas pedras de formatos irregulares, fumadas em cachimbos na maioria das vezes improvisados. O crack é uma mistura de cocaína em pó, convertida em alcalóide pelo tratamento com um álcali (amônia ou bicarbonato de sódio). Recebeu este nome porque faz um pequeno estalo na combustão quando fumado. Mais barato que a cocaína, produz um efeito forte que dura muito pouco tempo, aumentando o consumo rapidamente e encarecendo a dependência. Em São Paulo, uma pedra de crack chega a custar 15 reais. Se o dependente fumar cerca de vinte pedras por dia, gastará 300 reais em um único dia. Os efeitos produzidos no usuário são basicamente iguais ao da cocaína, porém muito mais intensos. Causa irritabilidade, depressão e paranóia, algumas vezes levando o usuário a ficar violento. Afeta a memória e a coordenação motora, provocando um emagrecimento acentuado, debilitando o organismo como um todo. Atualmente, é a droga que mais causa devastação no organismo do usuário.
4. Cheirinho de Loló, Benzina, Lança Perfume, Cola de Sapateiro, Clorofórmio, Éter
Estas drogas fazem parte do grupo dos inalantes, assim chamados porque a absorção destas drogas se dá por via pulmonar (entram no organismo aspiradas pelo nariz ou pela boca) que inclui basicamente dois sub-grupos:
•os solventes orgânicos
•clorofórmio e éter
Os primeiros, encontrados em grande quantidade nas atividades domésticas, industriais e comerciais, perfazem um número enorme de produtos, como colas, esmaltes, vernizes, aerossóis, tintas, removedores, propelentes, graxas, ceras, fluídos para isqueiros, azeites, resinas, corantes, soluções para lavagens à seco, perfumes, combustíveis, etc.; que possuem em sua fórmula substâncias químicas voláteis (solventes como o tolueno, xilol, acetona, acetato de etila, estireno, naftaleno, n-hexana, tricloroetileno, tetracloreto de carbono, tricloroetano, cloreto de metileno, entre outros) que, ao se evaporarem à temperatura ambiente, são inalados voluntária (quando meninos de rua cheiram cola, por exemplo) ou involuntariamente (um pintor que permaneça durante muito tempo em um ambiente fechado onde tintas estejam sendo usadas). Além de serem facilmente encontradas, seu baixo custo permite a aquisição pelos principais usuários como drogas de abuso: os meninos de rua e uma considerável parcela dos estudantes de 1o e 2o graus. O uso maciço dos solventes iniciou-se no início da década de 60 nos Estados Unidos, sendo que as primeiras referências sobre seu uso como drogas de abuso no Brasil datam do período de 1965/1970. Inicialmente, os inalantes produzem sensações de torpor, leveza, excitação e euforia, acompanhados de impulsividade e agressividade. Doses maiores podem trazer desorientação do usuário, confusão, visão embaralhada, perda do auto-controle e da coordenação motora, tonturas, sonolência, fala arrastada e andar vacilante. Estágios mais graves de intoxicação podem provocar perda de consciência, alucinações e convulsões. Seu uso crônico acarreta demência; lesões hepáticas, cardíacas, dos músculos e do sangue. Pode ocorrer morte súbita por sensibilidade do miocárdio.
5. Maconha
Derivada de um arbusto da família Moraceae que pode chegar a dois ou três metros de altura chamado Cannabis sativa, também conhecido como cânhamo, a maconha é a droga mais discutida atualmente em nosso país, fortalecendo e aumentando os mitos existentes em torno deste alucinógeno. Cresce praticamente em todos os tipos de solo e clima, e este é um dos motivos pelos quais esta droga tornou-se utilizada em culturas tão diferentes como a África do Sul, os Estados Unidos e o Brasil, entre dezenas de outros países. Aparece no Pen Ts’oo Ching, texto medicinal de origem chinesa e considerado o mais antigo do gênero no mundo (6.000 anos), onde era indicada para asma, cólicas menstruais e inflamações da pele. Ao que tudo indica, também fazia parte do herbário do imperador chinês Nung, há quase 5.000 anos. Outro tratado chinês de 2.000 anos atrás indicava seu uso como anestésico em cirurgias. Já na medicina Ayurvédica da Índia, a maconha é recomendada como hipnótico, analgésico e espasmolítico. A seguir, mais um pequeno trecho de Drogas: subsídios para uma discussão, onde Carlini e Masur tecem algumas considerações importantes a respeito do histórico desta droga:
Na verdade, apenas a partir de 1964 a comunidade científica começou a estudar a maconha de uma forma mais séria. Neste ano foi extraída da maconha o seu principal princípio ativo, o THC, pelo pesquisador Raphael Mechoulan, da Universidade de Tel Aviv. Ele ainda sintetizou o THC, tornando possível o estudo sistemático das ações da droga no organismo humano. Nos dias atuais ainda fortemente cercada por mitos e incertezas, o fato é que ainda se sabe muito pouco sobre a maconha. Quando os cientistas decifrarem as reações químicas causadas por seu uso é que poderemos discutir os hoje supostos "benefícios" para casos específicos da droga no organismo. Como sinais aparentes podemos destacar os olhos vermelhos (hiperemia das conjuntivas), boca seca e fome exagerada (a já citada larica) com vontade acentuada de ingerir doces. Apesar do THC ser um depressor do Sistema Nervoso Central (SNC), se a maconha for utilizada em grupos pode trazer sensação de euforia e risos. Quando usada individualmente costuma produzir relaxamento e sonolência. Esses efeitos aparecem logo após a droga ser ingerida (entre 5 e 15 minutos) e duram de uma a três horas.