Hgeocities.com/Heartland/Pond/3526/modernidade/ojovem.htmlgeocities.com/Heartland/Pond/3526/modernidade/ojovem.htmldelayedxNJϫOKtext/htmlhϫb.HThu, 30 Mar 2000 03:51:52 GMTMozilla/4.5 (compatible; HTTrack 3.0x; Windows 98)en, *NJϫ Assembleiano - O seu site evangélico na Web


Você é o visitante:
 

Sete reflexões sobre a maneira do cristão ser na virada do milênio.



Gláucio José de Souza

Você lerá aqui:
1. O que é modernidade e pós-modernidade
2. Cristianismo: somente um fato histórico?
3. Cristianismo: o que ele não é.
4. O que o cristianismo é
5. A crise de identidade.
6. A crise de prioridade.
7. A crise de integridade


PARTE 1

"No dia em que o Mundo e o Cristianismo tornarem-se amigos, o Cristianismo deixará de existir." Soren Kierkgaard

Introdução

Atualmente uma pessoa já nasce envolvida em uma cadeia de "informações globalizadas", sendo assim a quantidade de dados que uma pessoa recebe diariamente, pelos mais diversos meios, é no mínimo monstruosa. Esse processo desencadeado é tão maciço que uma pessoa para poder assimilar tal quantidade de informação em tão pouca quantidade de tempo , necessita produzir mecanismos de percepção e filtragem.

A partir daí desenvolve-se a característica de analisar as coisas mais rapidamente. A percepção das pessoas esta mais aguçada, mas ao mesmo tempo mais superficial. Tudo está "mais superficial", nossos relacionamentos, nossas obrigações, nossos valores e neste ambiente desaprendemos o significado do convívio, da fidelidade, da estabilidade. Como bem disse certo escritor Cristão: .."o cidadão... vai se transformando numa borboleta relacional. Pousa em uma flor pensando na outra."

A rapidez com que se muda de opção é tal qual a velocidade com que se pode mudar de uma estação de TV a outra usando um controle remoto. É isto, a modernidade nos trouxe a pluralização e a multiplicação das opções. Jean Pierre Dupuy, um especialista em informação disse: "Quanto mais nos comunicamos, como fazemos, mais criamos um mundo infernal. Nosso mundo é aquele sobre o qual pretendemos ter mais informação e, no entanto, é este mesmo mundo que de modo crescente perde seu significado".

A história humana é a história das lutas e conquistas . Luta pelo interesse de conhecer a natureza para dominá-la, para interpretá-la e assim cada geração foi recebendo da geração anterior um mundo interpretado.

A atual geração encontra, pois a seu dispor um mundo já pensado, já interpretado, "prontinho para o consumo". Temos a história interpretada; a sociedade organizada; as normas de moral estabelecidas; as religiões estruturadas; regulamentos diversos, etc.

No entanto, a geração de hoje não pode resignar-se a um conhecer o mundo de "segunda mão", não pode julgar-se dispensada de pensar naquilo que já pensaram e definiram como certo e inequivocado, sem possibilidade de erro. Estamos vivendo uma época bastante valorizada pelo que se chama "MODERNIDADE ou PÓS-MODERNIDADE. Mas o que é modernidade? É o que veremos a seguir.

O que é Modernidade e Pós-Modernidade

A fim de entendermos melhor o conceito de modernidade vamos partir de um pressuposto: "Uma mudança começa na Filosofia, reflete-se nas artes e chega ao homem comum , na forma de cultura popular. " (Francis Schaeffer)

Essa escada de disseminação de Idéias sugere que:

1. Existe uma interpretação e definição intelectual.

2. A idéia se propaga por um meio, inclusive artístico e de entretenimento.

3. Assume sua forma final de assimilação no comportamento do povo.

Seria certo então, dizer que modernidade e pós-modernidade se equivalem ao modernismo e pós-modernismo, que são naturalmente a designação histórica para o movimento filosófico e das artes nos últimos 200 anos. No entanto, na nossa concepção devemos ressaltar dois itens de importância sobre a modernidade:

· Primeiro: A Modernidade não é um período estático da história. No nosso ponto de vista a modernidade provém da tecnologia, está associada mais a revolução industrial que a rejeição dos padrões clássicos do movimento artístico-filosófico.

· Segundo: Modernidade tem conotação de contemporâneidade, de atualidade. Moderno é logo, algo que de certa forma reflete a última moda, a última invenção, a ideologia do momento.

Sem sombra de dúvidas este "é o melhor dos tempos e o pior dos tempos", ou seja estamos vivendo um período de contradição. Estamos vivendo o melhor dos tempos no sentido de que encontramos um ambiente propício a manifestação e desenvolvimento das nossas instituições, e no pior deles, estas instituições se encontram ameaçadas por muitos perigos.

Em toda a história do Cristianismo ele sempre soube como combater e enfrentar seus inimigos, mas como fazê-lo agora, quando a ameaça é trazida não necessariamente por um inimigo? Pelo menos não no sentido que os outros se demonstraram no decorrer da história.

O que estamos vendo hoje é um aliado que oferece recursos até certo ponto imprescindíveis ao crescimento do evangelho do que necessariamente uma ameaça. Mas é aí que mora o perigo, por se mostrar um aliado inofensivo, aceito e admirado por todos, tira da igreja a capacidade de perceber o que acontece a sua volta. E, sem que ela perceba vai devagar minando a sua identidade.

O que os imperadores com sua militaria, os hereges com suas falsas doutrinas não conseguiram em quase dois mil anos de história, a modernidade esta conseguindo sem grandes esforços. Vale a pena lembrarmos as palavras do Senhor à igreja de Laodicéia: "Dizes estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre , cego e nu."(Ap 3.17). Precisamos ter cuidado, a modernidade cega, empobrece e descaracteriza a Igreja.

Este tema é desafiante, ou esta geração de Cristãos o enfrenta com vigor, ou nós seremos fadados a ver o Senhor levantar uma outra que o faça.... se ainda houver tempo. Surge então a indagação: Como ser Cristão na virada do Séc. XX ? Afinal, o que é ser Cristão, e o que é o Cristianismo? Vamos meditar sobre isso no próximo estudo, confira....


PARTE 2

CRISTIANISMO: SOMENTE UM FATO HISTÓRICO?

Estamos em pleno final do Séc. XX, a humanidade se prepara para entrar em um novo milênio. Diz-se, nos círculos esotéricos que pregam "uma nova ordem mundial ", que a era do Cristianismo se findou. Para eles, o Cristianismo, é um fato histórico relevante que tende paulatinamente a fazer parte do passado.

Em parte eles estão certos, temos que concordar, o Cristianismo é um fato histórico de envergadura, que marcou definitivamente a história da humanidade. Assim como a era egípcia, a era grega e a era romana foram fixadas na história, assim também acontece com o Cristianismo.

Realmente, Cristo continua a ser o marco que divide o tempo. Sem possibilidade de retorno, a história humana se divide em dois períodos decisivos: Antes de Cristo (a.C.) ,depois de Cristo (d.C.). No entanto reduzir o Cristianismo a um período histórico é um erro de conotações tremendas.

A bem da verdade a humanidade nunca viveu sem Cristo. Viveu sim uma época onde se esperava que Ele viesse, uma era de esperanças , da qual dão um comovente e esplêndido testemunho os profetas do Antigo Testamento. Enfim surge então o instante da fidelidade profética. Passou-se da esperança, do aguardo, do anseio à realidade da existência: Cristo, o Verbo encarnado.

Se quisermos ser vitoriosos, precisamos ter este compromisso com o profético. Vejamos três elementos indispensáveis destas profecias:

1. "O que foi". Compromisso com o passado, com os Oráculos de Deus. Toda profecia mantém um pé no passado como referencial bíblico e histórico da vocação da Igreja.
2. "O que és". Analisar o presente a partir do passado, dos Oráculos de Deus e da sua Palavra. Não podemos avaliar e discernir a modernidade e sua influência sobre o Cristianismo a partir dela e por ela.

3. "O que vês". A profecia aponta para o desenrolar dos fatos da modernidade sobre a Igreja e a sua missão. Portanto, o desenrolar do Cristianismo em nosso século, como em qualquer outro.

Visto assim, pela Palavra, temos por certo que o Cristianismo não é somente um movimento que tende a se extinguir, mas sim uma intenção de Deus com propósitos decisivos para a humanidade. No entanto, a modernidade trouxe ainda outras características que queremos desmistificar.


PARTE 3

CRISTIANISMO: O QUE ELE NÃO É.

Antes de refletirmos sobre a verdadeira realidade do Cristianismo, vamos analisar algumas das interpretações modernas sobre este movimento que mudou, mantém e vai definir de uma vez por todas a sorte da humanidade. Vejamos o que ele não é.

1. O Cristianismo não é uma estrutura política: Sim, o Cristianismo não é uma mera formação política aos moldes de outros partidos, sejam eles quais forem. Ao ser indagado pela natureza políticas dos seus atos Jesus respondeu: .."o meu Reino não é deste mundo." ( Jo 18.36).

2. Cristianismo não é um mero preceito moral: Não preocupa-se tanto com a forma , quanto com o ser. Seu preceito não consiste apenas no aspecto formal, mas sim a uma existência levada a santificação. Segui a Paz com todos e a Santificação sem a qual ninguém vera a Deus"( Heb 12.14). Cristianismo é um decreto de excelência moral.

3. Cristianismo não é uma mera forma de Filosofia existencialista: Exato, a natureza do Cristianismo embora envolva a natureza do ser, não se restringe a simplificar e avaliar a existência somente pelo conceito filosófico. A esse respeito, deixemos a própria Palavra ecoar:

A minha palavra, e a minha pregação , não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder. (I Cor 2.4).

As minhas palavras são Espírito e vida. ( Jo 6.63).

"..Não me envergonho do Evangelho de Cristo por que é o Poder de Deus para salvação daquele que crê: primeiro do judeu e também do grego." ( Rm 1.16). O Cristianismo derruba qualquer rótulo que obstaculiza o relacionamento: "do Judeu e do grego"

4. O Cristianismo não é uma mera instituição com fim puramente social: Sem sombra de Dúvida Cristo teve seu ministério voltado as pessoas pobres, nota-se isto quando refere-se ao âmbito da sua missão lendo o livro do profeta Isaías :"......para evangelizar os pobres.." ( Lc 4.18). Também afirmou porém: "Os pobres sempre os tendo convosco" ( Mc 14.3-7)

Se todas estas coisas isoladas e comprometidas consigo mesmas não são o Cristianismo autêntico, logo o que é? Sem respostas evasivas queremos meditar em algumas questões que esclarecem a partir daquilo que já identificamos o não ser.


PARTE 4
O QUE O CRISTIANISMO É

O cristianismo pode ser descrito como a revelação de um caminho a percorrer, apontado por Cristo, de que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas. Logo, vejamos o que ele é de fato:

1. Cristianismo é uma fé:

Já que não é possível compará-lo a qualquer doutrina filosófica a qual se adere por um ato simples de inteligência, visto que, a adesão neste caso, passaria apenas ao nível das idéias.

No Cristianismo a minha adesão se aplica a minha fé na pessoa bendita de Jesus chamado o Cristo, reconhecendo-o como o verbo encarnado e redentor do gênero humano.

Jesus Cristo "... subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar,
mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. ( Fl 2.6,7)

Este é o mistério do Verbo Encarnado, que não se chega a não ser por fé, ora em Cristo o mistério do homem e o mistério de Deus se fundem: eis o suficiente para lançar a curta inteligência humana na mais completa confusão.

2. Cristianismo é uma Vida:

Em outras palavras: É uma dinâmica que leva a um existir de visão universal prática. Não se move apenas por problemas particulares, mas pelo destino de um grupo, de uma cidade, de uma nação e até do MUNDO. " ....o Espírito do Senhor esta sobre mim para..." ( Lc 4.18)

3. Cristianismo é uma encarnação:

Esta é a grande diferença do Cristianismo em relação as outras mensagens religiosas, é que este apresenta como centro do mistério de Deus, um Deus que habita em nós, naqueles que como já dissemos possuem fé: "Cristo em mim". "...que é Cristo em vós, a esperança da glória..." (Col 1.27)

Antes de um Deus por nós e para nós, um Deus em nós.

4. Cristianismo é uma solução definitiva para os problemas da humanidade:

Cristo veio para sempre , para sempre o Evangelho foi pregado, a sua Palavra jamais se extinguirá. Neste contexto não há nada para mudar , nada para corrigir, nada para acrescentar, não temos que adaptá-lo a moda do dia.

"Pai está consumado, nas tuas mãos entrego meu Espírito." ( Jo 19.28,29,30)

"..e o que vive, fui morto , mas vivo para todo o sempre..." ( Ap 1.18)

5. Cristianismo é um estado de inconformismo:

Jamais podemos permitir que a "religiosidade" nos congele, nos engesse em um conformismo com relação ao cotidiano, como se estivéssemos empurrados por uma multidão, sem fazer esforço algum, sem refletir, sem pensar.

"E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." ( Rm 1.2)

Não precisamos necessariamente sonhar com feitos extraordinários, basta que sejamos lúcidos a respeito das possibilidades que a vida oferece, jamais devemos nos contentar no ponto onde estamos, mas progredir em saber e fazer a vontade de Deus.

Cristianismo, pois, é isso, uma moral por excelência, uma busca a santidade e uma existência que se preocupa em viver em Deus, mover-se em Deus e existir em Deus, regidos segundo a sua absoluta e perfeita vontade.

Longe de querermos esgotar o assunto pela grandeza dos elementos que o envolvem, podemos acertadamente dizer que ainda que nós tenhamos a ciência desses fatos, vivemos em uma cultura moderna, o molde com que fomos moldados é este, e assim só podemos reconhecer, rejeitar e mudar por meio da perspectiva exterior de Deus, isto é , ver as coisas como Deus as vê. A dificuldade de discernir o mundo moderno se encontra nisto: Nós somos modernos.


PARTE 5
A CRISE DE IDENTIDADE.

É fácil observar que o mundo está totalmente comprometido como que podemos chamar biblicamente de "este século."

Através da secularização, este mundo tenta e facilmente consegue ( se não nos posicionarmos), separar o cristão de Deus e seu propósito. O mundo e seu sistema é sutil. O apóstolo Paulo confiantemente declarou sua firmeza na luta contra o mundo ao perguntar: "Quem nos separará do amor de Cristo? " ( Rm 8.35) . Mas, espere aí:

Quem somos nós? Quem sou eu? A quem Paulo esta se referindo. Mais vivo do que nunca, o dilema da existência humana está aí: "Quem sou? Porque estou aqui ? "

Se não colocássemos essas indagações debaixo do escrutínio da Palavra de Deus, jamais teríamos resposta alguma. Parece uma pergunta simples e que de certa forma, merece uma resposta simples, mas não é.

Sem a existência de Deus nada faria sentido, o ser humano é identificado não pelo que aparenta e faz, mas sim pelo que representa para Deus.

Ao criar o ser humano, Deus criou um ser que se relaciona. O homem é um ser relacional. No entanto, essa é a grande crise neste final de século. Em meio aos avanços da técno-ciência, o homem se vê mais solitário e distante, inclusive de Deus.

O que somos esta intimamente ligado ao modo como nos relacionamos.

1. Como me relaciono com Deus (1 Jo 4.8): Conhecer a Deus é também conhecer a nós mesmos. Sua luz e verdade revelam não somente seu caráter de amor, mas também toda a nossa realidade mais íntima e secreta. Logo, quanto mais me aproximo de Deus, mais me aproximo de mim mesmo. Eis o grande segredo, o que sou, esta diretamente ligado ao modo como me relaciono com Deus. Quem eu sou? "Sou de Deus". Eis o fim de qualquer crise de identidade.

2. Como me relaciono com o mundo ( Mt 5.13-16):

Não há comentário que poderia ser mais prejudicial para um cristão do que as palavras: "Mas você não é diferente das outras pessoas!"

O propósito histórico de Deus em se relacionar com o homem é chamar um povo para si mesmo, santo, separado do mundo , para lhe pertencer e ser fiel a sua identidade, em todo o seu pensamento e comportamento. Ou seja:
· Ser o sal que da sabor e conserva.
· Ser a luz que ilumina.
· De um lado está a "terra"; do outro, "vós" que sois o sal da terra. De um lado está o "mundo"; de outro "vós" que sois a luz do mundo. A Igreja e o mundo são duas comunidades que estão relacionadas uma com a outra, mas esta relação "depende "da sua diferença.

3. Como me relaciono com o próximo. (Jo 13.35): A cobrança bíblica do amor recai sobre os crentes de hoje, mais do que nos tempos passados. Se o amor é o que identifica o verdadeiro cristão, a minha identidade se esconde nisso: que eu ame. Sim, que eu ame, ame a Deus, mas ame também ao próximo. No cristianismo, tudo começa no amor, se sustenta no amor e culmina no amor ( Jo 3.16).

4. Como me relaciono comigo mesmo:

Na nossa atuação como cristãos não podemos depender de desejos e sentimentos. Um dia eles estão lá em cima, outro lá em baixo.

Somos exortados continuamente ao domínio próprio. Essa premissa é básica e fundamental, só há possibilidade de "sermos" quando de fato entendemos a natureza dos nossos atos.

Essa questão esta longe de ser resolvida sem considerarmos outra indagação igualmente importante: Porque estou aqui?


PARTE 6
A CRISE DE PRIORIDADE.

Há no ser humano um anseio natural pelo suprimento de suas necessidades básicas. Ser amado, ter segurança e ter certeza constituem-se elementos de busca constante para o ser humano. Na tentativa de suprir-se, no entanto, o ser humano falha quanto às sua prioridades.

Em lugar algum na Bíblia temos a promessa de que a pessoa que vive segundo os princípios do Cristianismo tem uma vida imune a lutas e dificuldades.

Pelo contrário, enquanto estivermos vivendo aqui, neste mundo, estaremos sujeitos a sucumbir as suas investidas. Sem as prioridades do Reino, não há possibilidade de Vitória. Um escritor secular chamado Oscar Wilde, disse certa vez: "No mundo só há duas tragédias – uma é não se conseguir o que se quer, a outra é conseguir."

Ao observarmos ao nosso redor nos percebemos incluídos em um sistema cultural. Como , pois, o cristão deve priorizar o seu relacionamento com a cultura ao seu redor?

1. Mas, o que necessariamente é uma cultura? Vejamos:

Cultura é o ambiente secundário que a humanidade impõe a ordem natural (o mundo Físico). A cultura é composta de língua, hábitos, idéias, fé, costumes, organização social, invenções, processos tecnológicos e valores.

A suposta condição de independência de Deus, gerada em grande parte pela modernidade, propõe alguns conceitos de prioridades com relação ao mundo, que devemos considerar:

2. Prioridades com relação ao mundo:

O mundo se mostra naturalmente como um tesouro que se vale a pena conquistar e possuir. A modernidade intensifica isto.

Não há dúvida que o cristianismo está contaminado pelos valores do mundo, seu poder político e suas riquezas. Em sua oposição ao cristianismo, o mundo ganha outro título, "secularismo". Foram os valores seculares que fizeram com que Tiago e João perdessem o foco do que verdadeiramente consistia o reino de Deus. ( Mc 10.35-45)

3. Os modelos que o mundo oferece são os que se deve alcançar: A base do raciocínio moderno esta caracterizado pelo que os outros possam pensar. O consumismo desenfreado e a ganância são fatores preponderantes.

Pior ainda, o mundo moderno não permite que se aceite aquilo que não passa pelo crivo da ciência, da sua praticidade e de sua relevância.

O mundanismo do qual os cristãos devem fugir pode ter a aparência religiosa ou secular.

4. Quais são, então, as nossas prioridades?

a) Somos chamados a ser diferentes da cultura popular: Jesus nos incita a renunciarmos o sistema de valores do mundo. Os Cristãos devem ficar livres destas ansiedades materiais ego-centralizadas ( Mt 6.25).

b) Somos chamados a nos dedicarmos à expansão do Reino de Deus e sua Justiça. Deus deve estar acima de tudo o que possamos querer ou ganhar. É o mesmo que dizer que a nossa ambição suprema deve ser a Glória de Deus e não a nossa própria glória, nem mesmo nosso próprio bem estar material. É uma questão do que buscamos em primeiro Lugar. ( Mt 6.19,20)

Com certeza todos já ouvimos muito sobre isso, mas porque então tudo continua como sempre. Ora, a Palavra de Deus não deveria nos conscientizar e feito isto, mudarmos nós, as nossas atitudes. Deveríamos sim, mas nem sempre o fazemos. Existe ainda uma outra crise em que vivemos na modernidade.


PARTE 7
A CRISE DE INTEGRIDADE

A modernidade tem um poder indutor tremendo, parece que nunca um conceito como o de Maquiavel fez tanto sentido: "Os fins justificam os meios."

O Senhor não procura por obras e sim por corações. Se ele tem os nossos corações certamente não faltarão as boas obras. Há duas maneiras desta crise de integridade se manifestar, uma positiva e uma negativa.

1. Crise de integridade "negativa": Ela se caracteriza exatamente pela falta de sinceridade. Qualquer meio é válido para se chegar a um determinado fim, é o vale-tudo evangélico. Nos esquecemos que não basta chamá-lo "Senhor, Senhor" é necessário que "façamos a vontade do Pai que está no céu."

1. Crise de Integridade "positiva.":

Pode haver algum tipo de crise positiva? Ainda mais uma com características tão deletérias quanto a de Integridade. Na verdade quando usamos este termo, estamos nos referindo ao sentimento de que é comum entre os Cristãos modernos.

Um sentimento de fraqueza e inaptidão, o peso do pecado parece ser maior que as nossas forças. Nós nos pomos à prova e literalmente reprovamos, nos vemos como maus, como impossibilitados de realizar a obra.

Mas se estamos nos reconhecendo, nisso ela é positiva, no sentido de que a nossa consciência ainda dói, o nosso coração ainda sofre com o pecado, então nós nos preocupamos com a fidelidade. Se nos preocupamos é porque almejamos alcançá-la.

No entanto, para que ela se torne efetivamente positiva, deve nos conduzir ao arrependimento. Sem arrependimento não há concerto, sem concerto não há fidelidade, sem fidelidade não há chance. Deste compromisso depende o nosso destino eterno.

A finalizar essa meditação, ouso dizer: Só há verdadeira possibilidade de vencermos as vagas das ondas da modernidade, se atentarmos para a Palavra e seu teor profético, se nos entregarmos incondicionalmente a Deus e se confessarmos uns aos outros nossos pecados.

Assim haverá cura, assim haverá libertação, assim haverá perdão e acima de tudo, nosso Deus será glorificado. Amém!


Obras consultadas:
- ICABODE - Da mente de Cristo a Consciência Moderna
- Rubem Martins Amorese - Editora Ultimato

-Metodologia Científica
João Álvaro Ruiz - Editora Atlas

-Psicoterapia centrada na Bíblia
Remo Cardoso Machado - JUERP

-Moral Conjugal do Séc. XX
Paul-Eugène Charbonneu - CODIL

-O Mundo a Carne e o Diabo
Russel Shedd - Editora Vida Nova

- Ultrapassando barreiras
Ricardo Barbosa, et alli - Mundo Cristão