O SOLO DE
NICOLE
Mesmo abalada pela separação de Tom Cruise, Nicole
Kidman volta à cena em grande estilo. Estrela do filme Moulin Rouge, ela chega
ao topo com o mais importante trabalho de sua carreira, lança moda no mundo
inteiro e está pronta para se apaixonar de novo. A hora dela é agora
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| Ruiva, 1,78 m, olhos azuis: a atriz nascida no Havaí tem a pele branca como porcelana |
O fim do casamento de dez anos. Um aborto. A briga na Justiça pela guarda dos dois filhos adotivos. "Este é o pior momento da minha vida", admite Nicole Kidman, que fez 34 anos em junho. "E também o melhor", completa a atriz, um segundo depois. "Estou vivendo o caos e a glória ao mesmo tempo."
A glória é profissional. Nicole interpreta no cinema a cobiçada cortesã Satine, em Moulin Rouge, musical mais aguardado do ano, com estréia prevista no Brasil para o dia 24. Dirigido por Baz Luhrmann, o filme de US$ 50 milhões narra a história de amor entre o poeta Christian (Ewan McGregor) e a famosa dançarina do cabaré parisiense do bairro de Montmartre ícone do submundo do sexo, absinto e can-can nos últimos anos do século 19. "É o trabalho mais excitante que já fiz", revela Nicole. "Tenho muito orgulho desse filme." (Leia a crítica nesta reportagem.)
Já o caos a que Nicole se refere é pessoal e, apesar de todas as especulações, continua rodeado de mistério. Desde fevereiro, quando foi anunciado o fim de seu casamento com Tom Cruise, o mundo cobra do ex-casal mais glamouroso de Hollywood o porquê do desenlace. Na época uma nota oficial atribuía a decisão à velha história da "dificuldade de conciliar a vida a dois com os compromissos profissionais". Dias depois, uma avalanche de notícias derrubava essa justificativa.
O jornal inglês Sunday Mirror lembrou que o contrato de matrimônio assinado por eles previa uma pensão vitalícia para Nicole e divisão igualitária dos bens se Cruise pedisse o divórcio após dez anos de convivência. E o ator entrou com o pedido de separação três dias antes de o prazo vencer. Soube-se, também, que o astro exigiu de volta as jóias que havia dado à esposa. Questionado sobre tamanha cólera, Cruise esquiva-se: "Pergunte a Nicole". E ela responde: "Não posso falar dos motivos. Há duas crianças envolvidas nessa história. Só posso dizer que tudo foi muito duro e espero que isso tenha me dado mais sabedoria e compaixão".
Apesar do despiste, a atriz tem uma dificuldade confessa em guardar segredos. Nicole não conseguiu esconder da imprensa o aborto natural que sofreu seis semanas antes da separação. A notícia provocou todo tipo de rumores na mídia, já que as duas ex-esposas de Tom Cruise nunca ficaram grávidas dele. Sugeriu-se que a gravidez de Nicole seria fruto de um caso com o ator Russell Crowe. Tom Cruise está processando uma revista alemã por afirmar que ele é estéril. Outra ação judicial é movida contra um ator de filmes pornôs que garante ter vivido um caso com Cruise. Os tribunais ainda dão conta de acordos financeiros sobre a divisão da fortuna do casal, avaliada em mais de US$ 500 milhões, e da disputa pela guarda dos dois filhos adotivos, Isabella Jane, de 8 anos, e Connor Anthony, de 6. Atualmente as crianças alternam estadas com a mãe e o pai.
A guerra conjugal já dura meses e os tablóides do mundo inteiro continuam ávidos por fofocas. Um jornal americano chegou a oferecer US$ 250 mil a quem conseguir "desenterrar" alguma informação sobre as razões do divórcio. Além de Russell Crowe, entre os "suspeitos" amantes de Nicole apontados pela imprensa estão os atores George Clooney e Ewan McGregor (leia reportagem nesta edição), com quem ela contracena em Moulin Rouge. Todos os astros negam qualquer envolvimento com a ruiva. Em julho a novidade era que a atriz estaria namorando um produtor italiano. Nada confirmado.
Por sua vez, Nicole alterna demonstrações de irritação e apatia quando questionada sobre tamanho bafafá. Quando se sente confusa, telefona para os pais, em Sydney, cidade onde cresceu Nicole nasceu em Honolulu, Havaí, o que parece estranho quando se olha para sua pele, branca como a mais pura porcelana.
Mas a Austrália é mesmo seu porto seguro. "Tenho medo de ficar sozinha." A mãe feminista e o pai psicólogo estão sempre disponíveis para a filha. Os amigos que mantém desde a infância são outro ponto de apoio. E nessas horas devora o que pode de chocolates, sorvetes e martinis de maçã, possíveis amparos em situações delicadas. A silhueta esguia não revela nenhum excesso. Nesta entrevista, Nicole só garante que está, sim, disposta a encontrar um novo amor e pronta para voltar a ser feliz. A hora dela é agora.
Por Sérgio Davila*
Nicole Kidman entra na sala de encontros com a
imprensa no Festival de Cinema de Cannes. Abraçada por um vestido branco com
detalhes vermelhos como seu cabelo, ela (com seu 1,78 m) é 5 centímetros mais
alta do que a média dos presentes e a mulher mais bonita do andar, do prédio
e, possivelmente, de todo o balneário francês neste maio de 2001.
| A atriz está aqui para involuntariamente ser sabatinada sobre sua separação de Tom Cruise e oficialmente promover seu novo filme, Moulin Rouge. O musical é o trabalho mais importante que fez desde que começou a brincar de bailarina com a mãe, Janelle, e a irmã, Antonia, há 30 anos, em Sydney. | Papel perfeito: na infância ela cantava ao lado do piano da mãe e brincava de bailarina com a irmã |
Desde então o filme foi exibido com doses iguais de sucesso e polêmica no festival, ganhou as telas dos Estados Unidos e faturou assombrosos US$ 60 milhões mundialmente até agora. Assombrosos para um musical que se passa na Paris da virada do século retrasado e mistura belle époque com canções de Elton John, Madonna e Nirvana.
Nicole Kidman é Satine, dançarina do lendário cabaré Moulin Rouge (ou "moinho vermelho", em francês), que está prestes a conquistar o duque de Montroth (Richard Roxburgh) e fazer com que ele transforme o lugar em um teatro de verdade. No meio do caminho, apaixona-se pelo poeta pobretão Christian (Ewan McGregor). O cupido dos dois é o pintor Toulouse-Lautrec, interpretado magistralmente por John Leguizamo.
Eis o pano de fundo para o diretor australiano Baz Luhrmann exercitar a criatividade e o exagero cênico que mostrara em Vem Dançar Comigo e Romeu & Julieta. Para tanto, vale-se da trilha sonora, contemporânea e interpretada pelos próprios atores. Não dá para não se emocionar com a versão para tango de Roxanne e rir muito com Nicole e McGregor fazendo dueto misturando Heroes e Your Song.
Até Moulin Rouge, Nicole Kidman passaria para a
história do cinema mais como "aquela mulher alta e ruiva do Tom Cruise".
Mas isso era antes. Depois de Moulin Rouge, Nicole é uma atriz pertencente à
lista AAA de Hollywood, como Julia Roberts, Jodie Foster e Meg Ryan.
| ELLE: Vamos falar sobre Tom
Cruise? Nicole Kidman: Sei que estou vivendo uma situação incomum e que as pessoas estão interessadas na minha vida pessoal. O.k., eu entendo essa curiosidade, mas prefiro não ir tão fundo nas questões familiares. Há duas crianças envolvidas nessa história e eu quero proteger a privacidade delas o máximo que puder. Agradeceria se você respeitasse, o.k.? Já disse o que queria e, então, vamos continuar com a entrevista. |
Em Moulin Rouge, como a cortesã Satine: "Com ela aprendi que viver é a única coisa que importa" |
Como você está enfrentando sua separação?
Sou muito australiana, estou acostumada a pôr todas as cartas na mesa. Gosto de
falar de mim, do que estou vivendo. Espero estar aberta e livre para tratar de
todos os aspectos da minha vida. É assim que eu gosto de ser. Neste momento não
posso fazer isso e é difícil. Só posso dizer que o que aconteceu comigo foi
muito duro, mas espero que tenha me dado mais sabedoria e compaixão. Gosto de
pensar assim.
É uma maneira interessante de enfrentar uma situação difícil. Você ainda é romântica?
Sim, eu ainda sou romântica. Acredito em destino e creio que existe uma alma gêmea aí fora para cada um de nós. Estou determinada a pensar assim. Tenho 34 anos e vivo um dia de cada vez. Não tenho um plano traçado para a minha vida. Só faço o meu melhor como mãe e como mulher. E espero ser boa o bastante.
Você é sempre tão otimista?
Ainda acredito no amor. Não importa sua experiência, não importa o passado, ainda é possível se apaixonar mais uma vez. Eu adoraria que isso acontecesse comigo. É estúpido falar em casamento de novo, pelo amor de Deus! Mas eu poderia voltar a estar apaixonada. Tenho essa esperança, mesmo sabendo que as coisas podem não terminar como eu esperava. É uma atitude corajosa se apaixonar e dizer "eu te amo" para alguém. Quando se está apaixonada, acaba-se abandonando uma boa parte de si mesmo.
Sua família e seus amigos estiveram por perto depois da separação?
Tenho muita sorte em ter uma mãe e um pai que estão sempre disponíveis para mim e um grupo de amigos que foi extraordinário nos últimos meses. Vi a força das amizades e o que elas podem nos trazer de bom. Em momentos difíceis é que se percebe o quanto se é amada.
Isso me faz acreditar na bondade das pessoas. É muito fácil ficar reclusa e dizer "eu não quero sair, estou envergonhada e não gosto de ser observada". Eu luto contra isso o tempo todo porque não quero viver a minha vida dessa maneira. Adoro encontrar pessoas, conversar, estar rodeada de amigos. Gosto de fazer parte do mundo.
E seus filhos?
Eles são minha prioridade. Quero que meus dois filhos cresçam e digam: "Nós somos felizes, saudáveis e amamos você, mãe". Quero estar sempre por perto e estou decidida a desistir de tudo por eles. Seria ótimo equilibrar filhos e carreira, mas, se não der, eu já fiz a minha escolha. Ambos, Tom Cruise e eu, continuamos empenhados em não deixar as crianças fazerem parte de Hollywood. Queremos que elas experimentem a vida e criem sua própria identidade baseada em quem são, e não em quem são seus pais.
Como você define sua vida hoje?
Este é o melhor e o pior momento da minha vida. Estou num caminho imprevisível.
Nunca sei o que me espera na esquina. É como se eu tivesse alcançado a glória
e o caos ao mesmo tempo.
A glória tem a ver com Moulin Rouge...
O filme se passa no mais pecaminoso e
turbulento night-club do mundo, um lugar onde você pode viver suas fantasias,
se perder, ser quem bem quiser. Isso é muito fascinante. Se houvesse um lugar
como esse hoje em dia, eu adoraria ir. Estou muito
feliz por não ter nada além do filme na minha cabeça. Aprendi com a
personagem que interpreto, a cortesã Satine, que
viver é a única coisa que importa, mesmo naqueles
momentos em que você não sabe quem
realmente é.
Em uma cena você teve de cantar o clássico
de Marilyn Monroe, Diamonds Are a Girl´s Best Friend (Diamantes são os
melhores amigos de uma mulher). Como foi?
Cantei de maneira bem obscena, até mais obscena que Marilyn, e foi bem
divertido. Dei tudo de mim nesse filme, o mais emocionante em que já trabalhei
e aquele de que mais me orgulho.
Você quebrou duas costelas e feriu o joelho
durante as filmagens. É verdade que continuou trabalhando mesmo antes de se
recuperar?
Tinha de continuar filmando porque o novo Guerra nas Estrelas estava
previsto para usar o nosso estúdio. Nós não podíamos parar uma ou duas
semanas para eu me recuperar. Quebrei duas costelas (uma delas quebrada por seu
par em cena, Ewan McGregor) e foi horrível. Só de respirar dói. Nem podia
pensar em espirrar ou rir. Foi muito ruim, mas conheço quem já quebrou três.
Você se machucou as duas vezes ao mesmo
tempo?
Não, graças a Deus. No caso das costelas, não foi tão mal porque eu tive um
tempo para me recuperar entre um acidente e outro. Mas machuquei o joelho perto
do fim das filmagens e a equipe tinha de estar fora do estúdio logo. Não pude
parar. Me senti como um desses atletas que passam a vida toda treinando para a
Olimpíada, se machucam no dia decisivo e aí pensam: "Bem, esta dorzinha não
me incomoda, esse é o meu grande dia e vou até o fim".
Como foi cantar no filme?
Eu adorei. Minha mãe também ficou muito feliz. Quando eu era criança,
costumava cantar músicas de Natal e hinos ao lado do piano dela. Minha mãe
sempre quis que eu fizesse um musical. Essa foi a primeira vez que pude fazer
isso por ela, e adoraria fazer de novo. Talvez no teatro.
Seu próximo projeto é o filme The Hours (do
diretor Stephen Daldry, no qual atua ao lado de Julianne Moore e Meryl Streep),
em que você faz a escritora Virginia Woolf. Como é isso para você?
Virginia Woolf produziu um tipo de texto que é preciso estar em um determinado
momento da vida para ler. Para mim, é incrivelmente interessante ler sobre ela
atualmente. Virginia Wolf foi uma mulher que trouxe à tona grandes questões de
maneira muito profunda morte e loucura e amor... Estou muito nervosa por
interpretá-la, mas também sinto que este é o momento certo para fazer isso.
Todas as minhas emoções estão à flor da pele. Estou realmente ansiosa por
essa personagem.
Por Jussara Romão
Prepare-se. O corselete, típico do guarda-roupa feminino no final dos 1800, volta mais uma vez ao estrelato. Não é só em Moulin Rouge, modelado pelo corpo de Nicole Kidman, que você encontra a peça que, desde a Idade Média, comprime o tórax feminino com ilhoses, colchetes e cordões. A versão atualizada do corpete foi vista também nas coleções de verão 2001 da marca francesa Givenchy e da italiana Gucci. No Brasil, durante a última São Paulo Fashion Week, em junho, o corselete foi o queridinho dos estilistas André Lima, Carlos Miele (M.Officer), Glória Coelho e Ronaldo Fraga, e das marcas Cavalera e Triton.
Não é à toa. Sempre que a moda direciona seus holofotes para a valorização do corpo feminino surge o fenômeno "cintura fina, seios fartos e quadris proporcionalmente largos". Para conseguir esse efeito, nada melhor do que o velho corpete, que, por causa da antiga estrutura de metal, torturou muitas mulheres no fim do século 19, época retratada em Moulin Rouge. De tão apertada, a peça impedia qualquer movimento brusco, fazendo com que as damas (e cortesãs) desmaiassem por falta de ar, além de criar sérios desvios na coluna havia até mortes, quando costelas quebradas perfuravam o pulmão.
No século 20 o corselete deixou de ser roupa de baixo e passou a ser exposto. Na década de 80, por meio das criações de Thierry Mugler, Christian Lacroix e Azzedine Aläia, a cintura voltou a ser marcada com rigor. Além do próprio corpete, cintos muito largos faziam o mesmo papel. Agora, o corselete voltou, mas já não é o algoz de outros tempos. Suas estruturas são flexíveis. Os tecidos, leves. E sua utilidade é ser coadjuvante nos jogos de sedução.
Fonte: Elle 2001