F.Cavalcanti
O QUE ACONTECE NO INTERIOR DE UM CARRO QUANDO OCORRE UMA COLISÃO?
Para responder esta pergunta pesquisadores em diversos laboratórios da Europa e dos Estados Unidos, desenvolveram bonecos modelos projetados segundo critérios rigorosos de biomecanica. Estes modelos, conhecidos como "dummies" estão tão desenvolvidos que aproximam se muito das características dos seres humanos e quando são submetidos a um impacto sofrem deformações muito similares àquelas que um humano sofreria. ( veja alguns modelos).
Os órgãos internos do corpo humano também foram extensivamente estudados, modelados em computador e transferidos para bonecos, com o objetivo de avaliar os danos causados por colisões durante o teste de impacto.(veja a modelagem de um tórax).
Sem estes recursos jamais seria possível avaliar o que ocorre dentro de um carro durante uma colisão e consequentemente seria impossível projetar dispositivos de segurança.(veja a foto de um veículo em teste)
O "crash test" genericamente, consiste em colidir um veiculo com características físicas e dinâmicas conhecidas e carregado de bonecos com um obstáculo fixo e de características predeterminadas.
Veículo, bonecos e obstáculo são
extensivamente monitorados por sofisticados dispositivos e sensores.
CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS COM OS "CRASH TESTS"
Quando um carro colide com um obstáculo, digamos um outro carro, na realidade ocorrem três colisões:
Um veiculo em movimento possui determinada velocidade e aceleração que lhe transfere determinada energia cinética. Quando um carro colide com um objeto fixo (por exemplo) esta energia cinética é utilizada para sobrepor o obstáculo ( deformando-o) entretanto quando o obstáculo é mais resistente que o veículo, ele produz uma reação contraria que ira causar danos neste veiculo. Por essa e por outras razões que um "fusca" com uma velocidade de 10km/hora ao colidir com uma parede de papelão, apenas terá sua pintura arranhada. Sua energia cinética é mais que suficiente para sobrepor e destruir o papelão da parede.
Durante o impacto parte da energia retornada pelo obstáculo
é absorvida pelo carro fazendo com que ele se desmantele (deformação).
O diferencial entre a energia retornada pelo obstáculo e a energia
absorvida pelo carro, quando maior que zero, irá provocar danos
nos ocupantes do carro. Por essa e por outras razões que uma "batida
de para lamas", na maioria das vezes, não produz danos aos passageiros,
pois toda energia é utilizada para amassar o "para lamas". Por essa
e por diversas outras razões que um carro de Formula 1 bate a 300km/hora
e o piloto sai ileso, pois a estrutura do carro funciona mais ou menos
como um "fusível" que interrompe a transferencia de energia para
o piloto.
COLISÃO DOS PASSGEIROS COM O CARRO
Quando viajamos em um carro por, exemplo a 100km/hora, estamos com esta velocidade em relação solo porém estamos parados em relação ao carro.
Quando um carro colide abruptamente com um determinado obstáculo, sua velocidade tende a reduzir e dependendo da característica do obstáculo, pode reduzir-se a zero em um tempo muito curto. Entretanto os passageiros deste carro, continuam com os mesmos 100km/hora até encontrarem um obstáculo que reduza sua velocidade.
No momento da colisão os passageiros são arremessados contra o painel, o volante e contra outras partes do carro provocando lesões e ferimentos.
Os passageiros da parte traseira são arremessados contra os passageiros da frente com velocidade equivalente aos 100km/hora.
Como mencionamos acima os passageiros também estão submetidos a um valor de energia cinética proporcional à velocidade do veiculo. O valor aproximado desta energia para um adulto (dependendo de seu peso) no veiculo a 100Km/hora é aproximadamente igual ao valor da energia potencial da queda de uma altura de 40 metros. Não é difícil de imaginar as conseqüências do impacto de uma cabeça atingindo o painel de um carro, com tanta energia para ser dissipada.
É interessante notar que intuitivamente a maioria das pessoas procura eliminar as possibilidades de cair de alguma altura por menor que seja, entretanto poucos são sensibilizados de que o mesmo perigo da altura existe em relação à velocidade.
O cinto de segurança : age exatamente como
um dispositivo de absorção da energia do passageiro evitando
assim que ele se choque com outras partes do carro. Como o cinto é
um dispositivo "elástico", suas fibras têm grande capacidade
de absorção de energia e por esta razão não
causam danos graves ao passageiro.
COLISÃO DOS ÓRGÃOS INTERNOS
Aqui ocorre o mesmo fenômeno da energia cinética mencionado nos itens anteriores. Quando o corpo humano atinge algum objeto no interior do carro e tem sua velocidade reduzida a zero, os órgãos internos continuam viajando com a mesma velocidade que o corpo tinha momentos antes de parar. Estes órgãos internos estão então providos de uma energia que precisa ser dissipada e isto é feito por meio de choques com outros órgãos ou com o esqueleto. São estas "colisões internas" que na maioria dos casos provocam serias lesões ou morte.
Imagine o que acontece quando a cabeça de
um passageiro colide com o pára-brisas de um carro. Quando a pessoa
para por completo, o cérebro colide com a caixa craniana. O resultado
é imprevisível, poderá ser uma leve contusão
ou uma lesão grave e permanente.
COMO PREVINIR UM ACIDENTE E LESÕES
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