DOENÇAS MAIS COMUNS

Diarréia
Febre
Resfriado comum
Vômitos

Diarréia

A diarréia apresenta praticamente os mesmos problemas dos vômitos: perda de líquidos do organismo e incapacidade de substituí-los, já que os líquidos ingeridos pela boca atravessam o tubo digestivo tão rapidamente que não podem ser absorvidos. Às vezes, naturalmente, os vômitos e a diarréia ocorrem simultaneamente, agravando a situação. Na diarréia, é importante observar o número, a freqüência, a liquidez e odor das fezes. Outros sinais a serem observados são a presença de sangue e muco nas fezes, em quantidades que podem ir de médias a grandes e ;que indicariam talvez a gravidade do problema. Deve-se procurar na criança os mesmos sinais de desidratação referidos em vômitos.

Ofereça líquidos em pequenas quantidades e curtos intervalos. Não desaparecendo os sintomas ou agravando-se, consulte o pediatra.

Febre

Trata-se de um dos sintomas mais comuns em crianças pequenas, e um dos que mais causam preocupação aos pais. Mas, a febre não é necessariamente prejudicial: é o modo pelo qual o organismo reage a gérmens invasores. No caso de certas doenças, como o resfriado comum, a temperatura raramente sobe muito. No caso de outras porém, pode ocorrer uma febre alta. Os pais devem compreender que as crianças pequenas são mais sujeitas à elevação da temperatura que as crianças mais velhas ou mesmo os adultos. Temperaturas de 37,8°C (graus Celcius) são comuns em doenças de menor gravidade, e não é raro ocorrerem febres de 39,5° a 40,5°C, em crianças de 2 a 3 anos, em decorrência de infecções da garganta e dos ouvidos, ou até mesmo de infecções provocadas por vírus comuns no ambiente urbano.

Muitos pais são capazes de calcular a temperatura dos filhos, simplesmente tocando-lhes a testa ou outra parte do corpo. Este método, porém, nem sempre é seguro e, de qualquer modo, convém muitas vezes acompanhar o progresso de uma doença medindo a temperatura com exatidão. Para a maioria dos pais, a melhor maneira de fazê-lo é usando um termômetro soba a axila da criança, o que significa levantar-lhe o braço, colocar a extremidade certa do termômetro na axila e, em seguida, manter-lhe o braço apertado de encontro ao corpo durante cinco minutos. Embora a medida da temperatura tomada na axila seja menos exata que o método retal, ela é mais fácil, mais segura e causa menos complicações.

Em geral, não é só a intensidade da febre que é importante, mas também a maneira com a criança se comporta quando tem febre. Quase toda criança se mostra irritadiça quando tem febre, e este é um sinal muito menos grave do que se ele se mostrar sonolenta e desinteressada pelo que se passa ao seu redor. Se a criança se mostra bastante ativa e come razoavelmente bem, é provável que a doença não seja tão grave, não importa a intensidade da febre. Mesmo assim, caso a febre persista, os pais devem levá-la ao médico. Exceto no caso de uma criança que constantemente sofre convulsões quando tem febre, há necessidade de fazer baixar a febre rapidamente usando meios físicos.

Para controlar a febre pode ser usado o paracetamol. O médico lhe dirá qual a dose correta de medicamento para seu filho, e com que freqüência deve ser tomada. Algumas crianças reagem mal ao seu uso, mais existem outros remédios antipiréticos no mercado. Contudo, se seu filho pode tomar o paracetamol é provável que este seja o meio mais eficaz de controlar-lhe a febre.

Para maior comodidade da criança, os pais podem reduzir o número de roupa e cobertas que a agasalham. Podem também colocá-la numa banheira com água morna ou banhar-lhe o corpo com uma esponja mergulhada também em água morna. Não se deve usar álcool para limpar o corpo da criança: o álcool dá uma sensação de frio muito desagradável, além de ser inflamável e de vapor tóxico.

Preocupe-se com a criança quando ela se mostrar muito sonolenta, tiver dificuldade em acordar, não parecer interessada no que se passa à sua volta e não quiser que ninguém a toque.

Resfriado comum

Os resfriados são doenças infecciosas, transmitidas por outras pessoas. Não são transmitidos por correntes de ara nem por sapatos molhados, nem por excesso ou insuficiência de roupas. São causados pelos micróbios chamados vírus do resfriado. A pessoa que contrai o vírus de outra trona-se, ela própria, capaz de contagiar outras durante um dia ou dois, antes mesmo de apresentar quaisquer sintomas de resfriado – bem como um ou dois dias depois. É obvio que, se há possibilidade de apanhar-se um resfriado através de contágio por um pessoa que não dá sinal algum de estar doente, torna-se muito difícil evitá-lo. Além disso, existem centenas de vírus diferentes que podem causar o resfriado comum e o fato de uma pessoa ser contagiada por um deles não quer dizer que esteja protegida contra os outros. Assim, é possível que ela tenha uma série ininterrupta de resfriados. Estes podem correr durante todo o ano, mas são mais comuns no fim do outono, no inverno e no início da primavera.

Uma vez contraído, ele dura geralmente duas semanas – 1 a 2 dias de espirros e coriza intensa; 2 a 4 dias de nariz muito congestionado e início de tosse; e 9 a 10 dias de tosse e lenta recuperação. No tipo comum de resfriado, raramente ocorre febre de mais de 37,2° a 37,8° C. Quando porém a temperatura passa dos 38 ° C, é possível que tenha surgido outra infecção como complicação do resfriado. Nas crianças de baixa idade, a complicação mais comum é a infecção do ouvido.

As crianças tendem a engolir o muco que escorre da parte posterior do nariz para a garganta. Às vezes, vomitam esse muco, mas raramente os vômitos são graves ou repetidos no caso de um resfriado sem complicações. Não há necessidade de mantê-las na cama ou mesmo dentro de casa. Como ocorre com a maioria das doenças, as crianças controlam seu próprio nível de atividade. Quando se sentem realmente doentes, mostram-se menos ativas e repousam mais; quando estão melhores não há mal permitir que elas se tornem mais ativas.

Não existe cura conhecida para o resfriado comum isento de complicações. Todos os tratamentos recomendados são para ajudar a criança a sentir-se melhor enquanto o resfriado segue sua rotina. Caso ele exiba sintomas com febre ou dor de cabeça, então o paracetamol pode ser útil; se sente mal e não pode dormir em virtude da coriza ou do congestionamento do nariz, o uso de soro fisiológico às vezes passa os sintomas. Em condições atmosféricas muito secas, ou quando o nariz está muito entupido, talvez convenha usar vaporizador de água. Não se preocupe se ela se recusa a comer. Assim que os sintomas começarem a desaparecer, seu apetite voltará. Até lá, faça-a beber bastante líquido – especialmente sob a forma de sucos de frutas, água, sopas e chás.

O número de resfriados que a criança contrai está diretamente relacionado com o número de pessoas resfriadas com as quais ela tenha contato e com sua própria resistência. A resistência a resfriados e outras infecções depende do estado geral da criança no que diz respeito à nutrição e à saúde. Uma boa nutrição, repouso adequado, o tipo adequado de exercícios e isenção de doenças inatas contribuem para uma maior resistência.

Finalizando, não existem resfriados crônicos. A criança que está sempre com o nariz escorrendo provavelmente sofre de alguma alergia e, portanto, deve ser examinada por um médico.

Vômitos

Sintoma comum de doença na criança, os vômitos só se tornam perigosos quando persistem e quando a criança não pode reter líquidos no estômago durante certo tempo. Um ou dois vômitos durante uma doença provavelmente não causarão qualquer problema grave. Mas o organismo precisa Ter uma quantidade adequada de fluido em circulação a fim de seu organismo funcionar corretamente. Quando uma criança vomita muito, perde grande parte dos líquidos do corpo. E, se não consegue reter líquidos, não pode substituir a parte que perdeu. Quando isto sucede, a criança fica seca por dentro – os médicos chamam esta perda de líquidos de desidratação – e é possível notar vários sinais externos dessa carência. Os olhos da criança parecem secos e afundados ;nas órbitas, a boca fica ressecada por dentro e a pele se torna seca como papel. Ao mesmo tempo, ela urina com menos freqüência e chora sem verter lágrimas.

A fim de evitar a desidratação na criança que está vomitando ou que se recusa a beber líquidos, ofereça-lhe pequenas quantidade de líquido de cada vez e não em grandes quantidades com menos freqüência.

Caso ele pare de vomitar dentro de um tempo razoável e continue vivaz e ativa, provavelmente não há perigo em apenas observá-la e ver como está reagindo. Se os vômitos persistem durante um período mais longo, consulte um médico. Outros sintomas que justificam a chamada de um médico são a presença de sangue no vômito, inchação e rigidez na barriga da criança.