O PERIGO MORTAL DO FORMALISMO


Intercalado por toda instrução dada no Espírito de Profecia no que concerne à grande importância de receber, experimentar, e proclamar a graciosa verdade da Justificação Pela Fé, encontramos impressionantes advertencias com respeito ao grande perigo do formalismo.

A Justificação Pela Fé não é formalismo. Ambas as coisas estão em direta oposição. Justificação Pela Fé é uma experiência, uma realidade. Envolve uma completa transformação da vida. Aquele que entrou nessa nova vida tem experimentado profunda contrição, e feito uma sincera e decidida confissão de repúdio ao pecado. Com seu divino Senhor, ele tem chegado a amar a justiça e odiar a iniquidade. E sendo justificado - considerado justo pela fé - tem paz com Deus. É uma nova criatura; as velhas coisas passaram; tudo se fez novo.

O formalismo é vastamente diferente. E algo da cabeça, e trata com exterioridades. Detém-se com a teoria da religião. Não vai mais fundo do que a forma e a pretensão. Daí assemelhar-se a sal sem sabor. É uma religião sem amor e sem alegria, pois não traz paz, segurança e vitória. O formalismo brota no coração natural e ali medra, sem ter raízes. É um daqueles males sutis e difusos que o Redentor veio para desarraigar e eliminar do coração humano.

O formalismo tem sido sempre um real perigo para a igreja. Um escritor cristão dos tempos modernos referiu-se a este sutil perigo da seguinte maneira:

"O evangelho de exterioridades é mais caro ao coração humano. Pode tomar a forma de cultura e moralidade; ou de 'cultos' e sacramentos e liturgias; ou de ortodoxia e filantropia. Tais coisas tornam-se em si mesmas nossos idolos, e a confiança nelas toma o lugar da fé no Cristo vivo. Não é necessário que os olhos do coração possam ter uma vez contemplado o Senhor, que noutros tempos possamos ter experimentado 'a renovação do Espírito Santo'. E possível esquecer, possível 'renunciar Aquele que nos chamou na graça de Jesus Cristo'. Com pequena mudança na forma de nossa vida religiosa, sua realidade interior de alegria em Deus, de filiação consciente, de comunhão no Espírito, podem-se desfazer completamente. O evangelho do formalismo brotará e florescerá no solo mais evangélico, e nas igrejas mais estritamente paulinas. Nunca é banido e barrado completamente; sabe como introduzir-se, sob as mais simples formas de culto e mais clara doutrina. A cerrada defesa de Artigos e Confissões edificados contra ele não impedirá sua intromissão, e podem até provar-se sua cobertura e respaldo. Nada importa, como declara o apóstolo, mas uma constante 'nova criação'. A vida de Deus nas almas humanas é sustida pela energia de Seu Espírito, perpetuamente renovado, sempre procedendo do Pai e do Filho. 'Esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.' Esta é a verdadeira ortodoxia A vitalidade de sua fé pessoal em Cristo manteve Paulo livre do erro, fiel em vontade e intelecto ao evangelho único." - G. G. Findlay, em sua exposição da epístola aos gaiatas (The Epistle to the Galatians - Expositor's Bible), págs. 42, 43.

As advertências do Espírito de Profecia tratam com este perigo em suas muitas fases, como as citações seguintes claramente indicam:

Formalismo na Pregação

"Dezenas de homens têm pregado a palavra quando eles próprios não têm fé nela, e não obedecem a seus ensinos. Eram não convertidos, não santificados, impuros. Mas se quisermos passar pelo teste, a piedade precisa ser trazida à luz. O que desejamos é inspiração da cruz do Calvário. Então Deus abrirá os olhos para ver que não podemos esperar realizar qualquer obra para o Mestre com êxito a menos que estejamos ligados a Cristo. Se somos realmente coobreiros com Deus não teremos uma religião morta e científica, mas nossos corações serão repletos de um poder vivente, o poder do Espírito de Jesus." - Review and Herald, 31 de janeiro de 1893.

"Muitos apresentam as doutrinas e teorias de nossa fé; sua apresentação, porém, é como o sal que não tem sabor; pois o Espírito Santo não está operando em seu ministério destituído de fé. Eles não abriram o coração para receber a graça de Cristo; desconhecem a operação do Espírito; são como a farinha sem lêvedo; pois não há princípio a operar em todo o seu labor, e deixam de ganhar almas para Cristo. Não se apoderam da justiça de Cristo; esta é uma veste não usada por eles, uma desconhecida plenitude, uma fonte intacta." - Review and Herald, 29 de novembro de 1892.

"Necessitam-se ministros que sintam a necessidade de ser coobreiros de Deus, que avançarão para elevar o povo em conhecimento espiritual até à plenitude da medida de Cristo. Necessitam-se ministros que se educarão pela solene e reverente comunhão reservada com Deus, de modo a serem homens de poder em oração. A piedade está-se degenerando numa forma morta, e é necessário fortalecer as coisas que permanecem e que estão a ponto de morrer." - Review and Herald, 24 de maio de 1892.

"Um homem pode pregar sermões agradáveis e entretenedores, no entanto estar distanciado de Cristo no que respeita à experiência religiosa. Ele pode ser elevado ao pináculo da grandeza humana, contudo nunca ter experimentado a obra interior de graça que transforma o caráter. Esse tal é enganado por sua ligação e familiaridade com as verdades sagradas do evangelho, que alcançaram o intelecto, mas não foram levadas ao santuário interior da alma. Temos de ter mais do que uma crença intelectual na verdade." - Review and Herald, 14 de fevereiro de 1899.

"Se pudéssemos deixar agora os frios e tradicionais sentimentos que impedem nosso progresso, veríamos a obra de salvar almas sob luz inteiramente diferente." - Review and Herald, 6 de maio de 1890.

A Teoria da Verdade Não é Suficiente

"Nossas doutrinas podem estar corretas; podemos odiar a doutrina falsa, e não receber aqueles que não são fiéis ao principio: podemos trabalhar com incansável energia; mas mesmo isto não é suficiente. ... Uma crença na teoria da verdade não é suficiente. Apresentar esta teoria aos descrentes não o constituirá uma testemunha para Cristo." -Review and Herald, 3 de fevereiro de 1891.

"O problema com nossa obra tem sido o fato de nos contentarmos em apresentar uma fria teoria da verdade." - Review and Herald, 28 de maio de 1889.

"Quanto maior poder não acompanharia a pregação da palavra hoje, se os homens se demorassem menos nas teorias e argumentos de homens,e muito mais nas lições de Cristo, e na santidade prática.?' - Review and Herald, 7 de janeiro de 1890.

A Unica Maneira Pela Qual a Verdade se Torna de Valor Para a Alma

"A verdade não será de qualquer valor para a alma a menos que seja levada ao santuário interior, e santifique a alma. A piedade se degenerará, e a religião se tornará um sentimentalismo inconsequente, a menos que o arado da verdade seja levado a aprofundar-se no solo profundo do coração." - Review and Herald, 24 de maio de 1892.

"Um conhecimento teórico da verdade é essencial. Mas o conhecimento da maior de todas as verdades não nos salvará; nosso conhecimento deve ser prático.... A verdade deve ser levada para dentro de seus corações, santificando-os e purificando-os de todo mundanismo e sensualidade na vida mais privada. O templo da alma deve ser purificado." - Review and Herald, 24 de maio de 1887.

"O maior dos enganos do espírito humano, nos dias de Cristo, era que um mero assentimento à verdade constituísse justiça. Em toda experiência humana, o conhecimento teórico da verdade se tem demonstrado insuficiente para a salvação da alma. Não produz os frutos de justiça. Uma ciosa consideração pelo que é classificado verdade teológica, acompanha frequentemente o ódio pela verdade genuína, segundo se manifesta na vida. Os mais negros capítulos da história acham-se repletos do registro de crimes cometidos por fanáticos adeptos de religiões. Os fariseus pretendiam ser filhos de Abraão, e vangloriavam-se de possuir os oráculos de Deus; todavia, essas vantagens não os preservavam do egoísmo, da maliguidade, da ganância e da mais baixa hipocrisia. Julgavam-se os maiores religiosos do mundo, mas sua chamada ortodoxia os levou a crucificar o Senhor da glória.

"O mesmo perigo existe ainda. Muitos se têm na conta de cristãos, simplesmente porque concordam com certos dogmas teológicos. Não introduziram, porém, a verdade na vida prática. Não creram nela nem a amaram; não receberam, portanto, o poder e a graça que advêm mediante a santificação da verdade. Os homens podem professar fé na verdade; mas, se ela não os torna sinceros, bondosos, pacientes, dominados, tomando prazer nas coisas de cima, é uma maldição a seu possuidor e, por meio de sua influência, uma maldição ao mundo." - O Desejado de Todas as Nações, pág. 291.

"As tremendas questões da eternidade requerem de nós algo mais que uma religião imaginária - uma religião de palavras e formas, onde a verdade é mantida no pátio exterior, para ser admirada como admiramos uma bela flor; requerem algo mais do que uma religião de sentimento, que deixa a confiança em Deus quando surgem provas e dificuldades. Santidade não consiste em profissão, mas em erguer a cruz, fazendo a vontade de Deus." - Review and Herald, 21 de maio de 1908.

"Na vida de muitos cujos nomes estão nos livros da igreja não tem ocorrido genuína mudança. A verdade tem sido mantida no pátio exterior. Não tem havido conversão genuína, nenhuma obra positiva da graça feita no coração. Seu desejo de realizar a vontade de Deus baseia-se em sua inclinação própria, não em profunda convicção do Espírito Santo. Sua conduta não é posta em harmonia com a lei de Deus. Professam aceitar a Cristo como seu Salvador, mas não crêem que Ele lhes dará poder para vencer os seus pecados. Não têm um relacionamento pessoal com o Salvador vivente, e seu caráter revela muitas manchas." - Review and Herald, 7 de julho de 1904.

"Nossa esperança deve ser constantemente fortalecida pelo conhecimento de que Cristo é nossa justiça. ... A deficiente visão que muitos têm tido do ofício e caráter de Cristo, tem-lhes estreitado a experiência religiosa, prejudicando grandemente o progresso na vida divina. A religião pessoal entre nós como um povo, acha-se em baixo nível. ilá muita fama, muita maquinaria, muita religião de boca; mas algo mais profundo e mais sólido precisa ser introduzido em nossa vida religiosa. ... O que precisamos é conhecer a Deus e o poder de Seu amor, tal como se acham revelados em Cristo, mediante conhecimento experimental. Por meio dos méritos de Cristo, de Sua justiça, que pela fé nos são imputados, cumpre-nos atingir a perfeição do caráter cristão." - Testemunhos Seletos, vol. 2, págs. 339-341.

Religião Fria, Legalista - Uma Religião Sem Cristo

"Uma religião fria e legalista nunca poderá conduzir almas a Cristo; pois é uma religião sem amor e sem Cristo." - Review and Herald, 20 de março de 1894.

"O sal que salva é o puro primeiro amor, o amor que de Jesus, o ouro provado no fogo. Quando isto é deixado fora da experiência religiosa, Jesus ali não estará; a luz, o resplendor de Sua presença, não estará lá. De que, pois, vale a religião? - Tanto quanto o sal que perdeu o seu sabor. É uma religião sem amor. Há então um esforço para suprir a deficiência por intensa atividade, um zelo destituído de Cristo." - Review and Herald, 9 de fevereiro de 1892.

Religião Formal, Isenta de Fé Salvadora

"Elevadas pretensões, formas, e cerimônias, conquanto impressionantes, não tornam o coração bom e o caráter puro. O verdadeiro amor a Deus é um princípio ativo e uma agência purificadora.

A nação judaica havia ocupado a posição mais elevada; haviam edificado muros enormes para se isolarem da associação com o mundo pagão; haviam-se representado como um povo leal, especial, os preferidos de Deus. Mas Cristo apresentou sua religião como destituída de fé salvadora."- Review and Herald, 30 de abril de 1895.

"É possível ser um crente professo, ardoroso, e ainda ser achado em falta, e perder a vida eterna. É possível praticar alguns preceitos bíblicos, e ser considerado um cristão, mas perecer por falta das qualificações essenciais que constituem o caráter cristão." - Review and Heralel, 11 de janeiro de 1887.

"A aceitação de um credo de uma igreja não tem valor algum para quem quer que seja se o coração não estiver verdadeiramente transformado... . Os homens podem ser membros de igreja, e podem aparentemente trabalhar com zelo, realizando uma rotina de deveres ano após ano, e ainda assim ser inconversos." - Review and Herald, 14 de fevereiro de 1899.

"Há uma forma de religião que nada mais é do que egoísmo. Ela se contenta em divertimentos mundanos. Satisfaz-se em contemplar a religião de Cristo, e nada sabe quanto a seu poder salvador. Aqueles que possuem esta religião consideram o pecado como de pequena monta porque não conhecem a Jesus. Enquanto estão nessa condição, consideram o dever como de pouca importância." - Review and Herald, 21 de maio de 1908.

"É penoso ver a descrença que existe nos corações de muitos dos professos seguidores de Deus. Temos as verdades mais preciosas já confiadas a mortais, e a fé daqueles que receberam essas verdades deveria corresponder a sua grandeza e valor." - Review and Herald, 5 de março de 1889.

"Há muitos que não são avessos ao sofrimento, mas não exercitam fé viva e simples. Dizem não saber o que significa tomar a Deus por Sua palavra. Têm uma religião de formas e observâncias exteriores." - Reviev and Herald, 5 de março de 1889.

"Todos quantos assumem os ornamentos do santuáno, mas não estão revestidos com a justiça de Cristo, aparecerão na vergonha de sua nudez." - Testimonies, vol. 5, pág. 81.

"As cinco virgens loucas tinham lâmpadas (isto quer dizer o conhecimento da verdade da Escritura), mas não tinham a graça de Cristo. Dia a dia passavam por uma rotina de cerimônias e deveres formais, mas seu serviço era destituído de vida, vazio da justiça de Cristo. O Sol da Justiça não brilhava em seu coração e entendimento, e não tinham o amor da verdade que se adapta à vida e ao caráter, a efígie e inscrição de Cristo. O óleo da graça não era misturado com os seus esforços. Sua religião era uma casca seca, sem a amêndoa interior. Apegavam-se a formas de doutrinas, mas enganavam-se em sua vida cristã, cheia de justiça própria, deixando de aprender lições na escola de Cristo, as quais, praticadas, tê-los-iam feito sábios para a salvação." - Review and Herald, 27 de março de 1894.

O Perigo de Depender de Planos e Métodos Humanos

"Enquanto formos envoltos em justiça própria, e confiança em cerimônias, e dependermos de regras rígidas, não poderemos realizar a obra para este tempo." - Review and Herald, 6 de maio de 1890.

"A observância de formas exteriores nunca preencherá a grande necessidade da alma humana. Uma mera profissão de Cristo não é suficiente para preparar alguém para suportar o teste do juízo." - Review and Herald, 25 de janeiro de 1887.

"Não olvidemos que, à medida que aumenta a atividade, e somos bem-sucedidos em fazer a obra que tem que ser realizada, há o perigo de confiar em planos e métodos humanos. Haverá tendência para orar menos, e ter menos fé." - Review and Herald, 4 de julho de 1893.

"As coisas espirituais não foram discernidas. Aparência e maquinaria têm sido exaltadas como elementos de poder, enquanto as virtudes da verdadeira bondade, nobre religiosidade e santidade de coração têm obtido consideração secundária. Aquilo que deveria ter sido feito em primeiro lugar tem sido deixado por último e de menor importância." - Review and Herald, 27 de fevereiro de 1894.

"Quando jejuns e orações são praticados num espírito de justificação própria, tornam-se abomináveis ao Senhor. A solene assembléia do culto, a rotina de cerimônias religiosas, a humilhação exterior, o sacrifício imposto - tudo proclama ao mundo o testemunho de que o fazedor dessas coisas se considera justo. Tais coisas chamam a atenção ao observador de deveres rigorosos, declarando: 'Este homem está qualificado para o Céu.' Mas tudo não passa de um engano. As obras não nos adquirirão entrada no Céu. ... A fé em Cristo será o meio pelo qual o espírito e motivo corretos impulsionarão o crente, e toda bondade e mentalidade celestial procederão daquele que olha para Jesus, autor e consumador de sua fé." - Review and Herald, 20 de março de 1894.

"Há muitos que parecem imaginar que as observâncias exteriores são suficientes para a salvação; mas o formalismo, o rigoroso apego aos exercícios religiosos, falharão em trazer a paz de Deus que supera todo entendimento. Somente Jesus pode dar-nos a paz." - Review and Herald, 18 de novembro de 1890.

"Aqueles que não têm uma experiência diária nas coisas de Deus não agem com sabedoria. Podem ter uma religião legalista, uma forma de santidade, pode haver uma aparência de luz na igreja; toda a maquinaria - muito disso de criação humana - pode parecer estar operando bem, e ainda a igreja pode estar tão destituída da graça de Deus quanto as colinas de Gilboa careciam de orvalho e chuva." - Review and Herald, 31 de janeiro de 1893.

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