A GRANDE VERDADE PERDIDA DE VISTA


Que uma verdade tão fundamental e abarcante como a justiça imputada - justificação pela fé - tenha sido perdida de vista por muitos que professam santidade e terem sido incumbidos com a mensagem final do Céu a um mundo que perece, parece incrível; mas é-nos claramente dito, este é um fato.

"A doutrina de justificação pela fe tem sido perdida de vista por muitos que têm professado crer na terceira mensagem angélica." - Review and Herald, 13 de agosto de 1889.

"Não existe um dentre cem, que compreenda por si mesmo a verdade bíblica sobre este assunto [Justificação pela fe], tão necessário ao nosso bem-estar presente e eterno." - Review and Herald, 3 de setembro de 1889.

"Pelos últimos vinte anos, uma influência sutil e não consagrada tem conduzido homens a olharem aos homens, a ligarem-se a homens, a negligenciarem seu Companheiro celestial. Muitos deram costas a Cristo. Deixaram de apreciar Aquele que declara: 'Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.' Façamos tudo quanto estiver ao nosso alcance para resgatar o passado." - Review and Herald, 18 de fevereiro de 1904.

Vinte anos atrás, contando de 1904, nos introduziriam no auge da ênfase à mensagem da Justificação pela Fé em 1888, com as mensagens preparatórias que a precederam imediatamente. O que diremos, companheiros de Obra? Não faremos tudo ao nosso alcance para redimir o passado? Pode ter-se dado que ao retornar da festa tenhamos deixado a Jesus para trás, e torna-se-nos necessário buscá-Lo com aflição, como José e Maria fizeram em sua jornada rumo ao lar, partindo de Jerusalém. E-nos dito que:

"A razão por que nossos pregadores conseguem tão pouco é que não caminham com Deus.

Ele está a um dia de viagem de muitos deles." -Testimonies, vol. 1, pág. 434.

É uma questão individual. Façamos uma pausa e consideremos: É o Salvador uma presença viva e permanente em minha vida? Ou está Ele a um dia de viagem de distância, e são minha vida e obra o resultado da memória de Sua presença?

A penetrante advertência vinda mediante o Espírito de Profecia, no que concerne ao grande número de adventistas do sétimo dia que perderam de vista a "doutrina de justificação pela fé", foi escrita em 1889. Que alteração o tempo causou na proporção de nosso povo, que naquele tempo não se apegou a esta preciosa mensagem ou não a entendeu, ninguém tentará dizer; mas sabemos que cada crente na mensagem do terceiro anjo neste tempo deveria ter clara concepção da doutrina de justificação pela fé e uma experiência bem fundamentada na grande transação.

Que Significa Perder de Vista Tal Verdade

Perder de vista esta preciosa verdade da Justificação Pela Fé é perder o propósito supremo do evangelho, o que pode provar-se desastroso para (' indivíduo, não importa quão bem-intencionado e zeloso possa ser com respeito a doutrinas, cerimônias, atividades, e qualquer coisa ou tudo o mais que tenha que ver com religião. A advertência é claramente dada pela serva do Senhor:

"A menos que divino poder seja introduzido na experiência do povo de Deus, falsas teorias e idéias errôneas tornarão a mente cativa. Cristo e Sua justiça serão eliminados da experiência de muitos, e a fé deles será destituída de poder ou vida. Estes não terão uma experiência diária vital do amor de Deus no coração; e se não se arrependerem zelosamente, estarão entre aqueles que são representados pelos laodiceanos e que serão vomitados da boca de Deus." - Review and Herald, 3 de setembro de 1889.

O povo de Deus fracassou em grau lamentável quanto a trazer o poder divino a sua experiência, e o resultado predito tem sido visto:

1. Falsas teorias e idéias errôneas têm tornado mentes cativas.

2. Cristo e Sua justiça têm sido eliminados da experiência de muitos.

3. A fé de muitos é destituída de poder ou vida.

4. Não existe uma experiência diária vital do amor de Deus no coração.

E mais ainda, é-nos dito que muito tem sido perdido para a causa de Deus pela falha em obter essa experiência vital do poder divino - Justificação pela Fé:

"O povo de Deus tem perdido muito por não manter a simplicidade da verdade tal como é em Jesus. Esta simplicidade foi tornada complexa, e formas e cerimônias, e uma rotina de excessivas atividades de caráter mecânico tomaram o seu lugar. Orgulho e mornidão têm tornado o professo povo de Deus uma ofensa a Sua vista. Exaltada auto-suficiencia e complacente justiça própria têm mascarado e ocultado a mendicância e nudez da alma; para Deus todas as coisas se apresentam nuas e manifestas." - Review and Herald, 7 de agosto de 1894.

Assim, difundido e fatal engano foi trazido à tona:

"Que é que constitui a miséria, a nudez daqueles que se julgam ricos e abastados? A falta da justiça de Cristo. Em sua própria justiça são eles apresentados como vestidos de trapos de imundícia, e ainda nessas condições lisonjeiam-se a si mesmos de que são revestidos da justiça de Cristo. Poderia haver engano maior? - Review and Herald, 7 de agosto de 1894.

Martinho Lutero Temia Que Esta Grande Verdade Fosse Deturpada

O temor de que a doutrina da Justificação pela Fé - tão preciosa a seu coração e mediante a qual a grande Reforma veio a se passar - fosse perdida de vista, parece ter sido dominante na mente de Lutero ao ele ter uma visão de acontecimentos futuros ocorrendo no mundo. Lemos:

"Se o artigo de Justificação for alguma vez perdido de vista, então toda verdadeira doutrina cristã está perdida.... Aquele, pois, que se desvia dessa 'justiça cristã' deve cair na 'justiça da lei', o que quer dizer, quando ele perde a Cristo, deve cair na confiança de suas próprias obras." "Pois se negligenciamos o artigo de justificação, perdemo-lo totalmente. Portanto, supremamente necessário é ele, especialmente, e acima de todas as coisas, que nós ensinemos e repitamos este artigo continuamente." "Contudo, mesmo que o aprendamos e o compreendamos bem, não há ninguém que o domine perfeitamente, ou nele creia de coração." "Portanto, eu creio que esta doutrina será deturpada e obscurecida novamente quando morrermos. Porque o mundo deve estar repleto de horríveis trevas e erros, antes que venha o último dia." -Luther on Galatians, págs. 136, 148, 149 e 402.

Assim como Deus chamou a Lutero da escuridão da meia-noite do século XVI, e colocou-lhe nas mãos esta toçha de verdade - "O JUSTO VIVERÁ PELA FE", também terá Ele sempre Seus portadores do estandarte para sustentar esta base fundamental de salvação em ligação com a "verdade presente", nos vários estãgios da proclamação da última mensagem do evangelho em todo o mundo. É, portanto, oportuno que nós, hoje, dediquemos a esta verdade vital o mais dedicado e integral estudo. Devia ser tão claramente entendido como um pecador pode se transformar num santo quanto fomos ensinados como Adão, um homem sem pecado, tornou-se um pecador. A Justificação pela Fé deve ser tão clara à nossa mente quanto os ensinos sobre a lei, o sábado, a vinda do Senhor, e todas as demais doutrinas reveladas nas Escrituras. Mas não é assim entendida por muitos; e por não ser nem apreciada nem experimentada quanto deveria, há falha da parte de tais em apresentá-la em seus ensinos. Essa falha foi reconhecida e claramente assinalada já em 1889, pois lemos:

"Os ministros não têm apresentado a Cristo em Sua plenitude ao povo, seja nas igrejas ou em novos campos, e as pessoas nao têm uma fé inteligente. Não foram instruídas como deveriam ter sido, de que Cristo é para elas tanto salvação quanto justiça." - Review and Herald, 3 de setembro de 1889.

O Dever de Ministros em Apresentar a Mensagem de Justificação Pela Fé

Os parágrafos seguintes fornecem o mais excelente e apropriado conselho a ministros e outros obreiros evangélicos, apontando claramente ao triste fato de que o centro de atração, Jesus, tem sido tornado secundário para muitos, enquanto teorias e argumentos têm obtido o primeiro lugar. Que erro fatal!

"Os que laboram na causa da verdade devem apresentar a justiça de Cristo, não como nova luz, mas como a preciosa luz que tem sido perdida de vista por um tempo pelo povo. Temos de aceitar a Cristo como nosso Salvador pessoal e Ele nos imputa a justiça de Deus em Cristo." - Review and Herald, 20 de março de 1894.

"Não permitais que vossa mente seja desviada do tema importantíssimo da justiça de Cristo pelo estudo de teorias. Não imagineis que a execução de cerimônias, a observância de formas exteriores, vos farão herdeiros do Céu. Desejamos manter a mente firmemente no ponto para que estamos trabalhando; pois este é o dia da preparação do Senhor, e devemos submeter nossos corações a Deus para que possam ser abrandados e subjugados pelo Espírito Santo." - Review and Heraid, 5 de abril de 1892.

"O grande centro da atração, Jesus Cristo, não deve ser deixado de fora da mensagem do terceiro anjo. Por muitos que têm estado empenhados na obra para este tempo, Cristo foi tornado secundário, e teorias e argumentos tomaram o Seu lugar." - Review and Heraid, 20 de março de 1894.

"O ministério da encarnação de Cristo, a conta de Seus sofrimentos, Sua crucifixão, Sua ressurreição, e Sua ascensão, abrem a toda a humanidade o maravilhoso amor de Deus. Isto comunica um poder à verdade." - Review and Herald, l8 de junho de 1895.

"As pequenas igrejas me foram apresentadas como destituídas de alimento espiritual a ponto de estarem quase a perecer, e Deus vos diz: 'Sê vigilante, e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença de meu Deus.' " - Review and Herald, 4 de março de 1890.

"Isto, porém, eu sei, que nossas igrejas estão perecendo por falta de ensino sobre o assunto da justiça pela fé em Cristo, e verdades semelhantes." - Obreiros Evangélicos, pág. 301.

"O tema que atrai o coração do pecador é Cristo, e este crucificado. Sobre a cruz do Calvário, Jesus é revelado ao mundo em amor sem paralelo. Apresentai-O assim às multidões famintas, e a luz de Seu amor tirará os homens das trevas para a luz, da transgressão para a obediência e verdadeira santidade. A contemplação de Jesus sobre a cruz do Calvário desperta a consciência quanto ao horrendo caráter do pecado como nada mais poderá fazer." - Review and Herald, 22 de novembro de 1892.

"Cristo crucificado - falai sobre isto, orai a respeito, cantai-o e isto quebrantará e ganhará corações. Frases normais e sem vida, a apresentação de meros assuntos argumentativos produz pequeno bem. O enternecido amor de Deus no coração dos obreiros será reconhecido por aqueles por quem eles trabalham. Almas estão sedentas pela água da vida. Não permitais que se retirem de vós vazios. Revelai-lhes o amor de Cristo. Conduzi-as a Jesus, e Ele lhes dará o pão da vida e a água da salvação." - Review and Herald, 2 de junho de 1903.

Este capitulo estará adequadamente encerrado com as seguintes declarações inigualáveis, que sumariam o cabedal da mensagem do Espírito de Profecia, e nos dão a pista para a linha de nossa investigação:

"Se mediante a graça de Cristo Seu povo se tornar novos odres, Ele os encherá com o novo vinho. Deus dará mais luz, e velhas verdades serão recuperadas e postas na moldura da verdade; e onde quer que forem os obreiros hão de triunfar. Como embaixadores de Cristo, cumpre-lhes investigar as Escrituras, procurar as verdades ocultas sob o pó do erro. E todo raio de luz recebido deve ser comunicado aos outros. Um interesse predominará, um assunto absorverá todos os outros -CRISTO, JUSTIÇA NOSSA." - Review and Herald, Extra, 23 de dezembro de 1890.

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