PASSANDO PARA A EXPERIÊNCIA


Ao considerar a fase de passar para a experiência de ser justificado, é de auxílio observar a pergunta direta e positiva resposta que estão em registro no que concerne à experiencia.

"O que é justificação pela fé? É a obra de Deus em lançar por terra a glória do homem, e fazer pelo homem aquilo que não está ao seu alcance fazer por si mesmo. Quando os homens vêem sua própria inutilidade, preparam-se para ser revestidos com a justiça de Cristo." - Review and Heraid, 16 de setembro de 1902.

Esta experiência de ser justificado, ou considerado justo, é uma questão individual entre a alma e Deus. Não pode ser recebida por procuração. Há somente uma porta de entrada para essa experiência -A Portà da Fé

"Fé é a condição pela qual Deus julgou adequado prometer perdão aos pecadores; não que haja qualquer virtude na fé pela qual a salvação é merecida, mas porque a fé pode apegar-se aos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado."- Review and Herald, 4 de novembro de 1890.

"Quando estivermos revestidos da justiça de Cristo, não teremos nenhum prazer no pecado; pois Ele estará trabalhando conosco.... Uma porta foi aberta, e nenhum homem pode fechá-la, nem os mais elevados poderes, nem os mais baixos; somente você pode fechar a porta do coração de modo que o Senhor não possa alcançá-lo." - Review and Herald, 18 de março de 1890.

Bem junto a esta porta da fé, o inimigo de toda a justiça colocou outra porta, uma entrada mais ampla e mais evidente -

A Porta das Obras

Mediante esta porta muitos peregrinos que se dirigem à Canaã celestial entram inconscientemente e trilham em caminho que termina em destruição, e mais cedo ou mais tarde descobrem que as belas vestes da jústiça própria se tornaram "trapos de imundícia", inteiramente inadequadas para aparecer na presença do Rei. É dito sobre essa classe: "Muitos estão perdendo o rumo certo, em consequência de pensar que devem alcançar o Céu realizando algo meritório para obter o favor de Deus. Buscam tornar-se melhores por seus próprios esforços. Jamais lograrão isto. Cristo preparou o caminho, morrendo como nosso sacrifício e vivendo como nosso exemplo, e tornando-Se nosso grande sumo sacerdote. Ele declara: 'Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.' Se por quaisquer esforços de nós próprios pudéssemos avançar um passo na escada, as palavras de Cristo não seriam verdadeiras." - Review and Herald, 4 de novembro de 1890.

"Há muitos que julgam ter uma grande obra a fazer por si próprios antes de virem a Cristo para obter Sua salvação. Eles parecem pensar que Jesus virá a eles no derradeiro momento de sua luta, e os ajudará acrescentando-lhes o toque final a seu esforço vital. Parece difícil compreenderem que Cristo é um completo Salvador, capaz de salvar totalmente todos quantos vêm a Deus por meio dEle. Perdem de vista o fato de que o próprio Cristo é 'o caminho, e a verdade, e a vi-da'." - Review and Herald, 5 de março de 1889.

Possa o Senhor nos ajudar a entrar pela porta certa e ser cheios da justiça de Cristo! Por cada um deve ser efetuada "a obra de Deus em lançar por terra a glória do homem, e fazer pelo homem aquilo que não está a seu alcance fazer por si mesmo

Reconhecimento da Condiçao de Desesperança

Mas antes de tudo, ao ingressar nessa experiência, o homem deve ser levado ao reconhecimento de sua condição de desesperança; e isso se cumpre "mediante a comunicação da graça de Cristo".

"Sem a graça de Cristo, o pecador está numa condição desesperançada; nada pode ser feito por ele; mas mediante a graça divina, poder sobrenatural é comunicado ao homem, e opera na mente, coração e caráter. É mediante a comunicação da graça de Cristo que o pecado é discernido em sua odiosa natureza, e finalmente eliminado do templo da alma. É mediante a graça que somos levados à comunhão com Cristo, para com Ele nos associarmos na obra de salvação." - Review and Herald, 4 de novembro de 1890.

"Sem a graça de Cristo, o pecador está numa condição desesperançada; nada pode ser feito por ele." Isto é, o pecador não pode purificar-se. Nem pode qualquer outro pecador ajudá-lo. A lei que transgrediu não pode perdoá-lo ou passar seu pecado por alto; nem pode nada neste mundo ser achado que conceda libertação. Mas "mediante a graça divina, poder sobrenatural é comunicado ao homem, e opera na mente e coração e caráter". Quão iluminadora e asseguradora é esta palavra ao pecador! Mediante divina graça, mediante a grande misericórdia e compaixão de Deus, provisão foi feita para comunicar "poder sobrenatural" ao pecador desesperançado.

Mas o que é o "poder sobrenatural"? É um poder muito acima e além de qualquer coisa que reside no homem. Está além de qualquer coisa a que o homem possa se apegar neste mundo. E o "todo o poder... no Céu e na Terra" que Cristo declarou ter recebido - esse poder sobrenatural pelo qual todos os Seus milagres eram operados durante Seu ministério terrestre.

No que respeita a esse "poder sobrenatural", a seguinte declaração do Dr. Philip Schfff merece consideração: "Todos os Seus milagres [de Cristo] são apenas as manifestações naturais de Sua pessoa, e assim eram operados com a mesma facilidades com que nós reaiizames nossas tarefas diárias ordindrias. ...O elemento sobrenatural e miraculoso em Cristo, tenhamos em mente, não foi um dom emprestado ou uma manifestação ......... Uma virtude interior habitava Sua pessoa, e dEle saía, de sorte que mesmo a orla de Sua veste era curativa ao toque por meio da fé, que é o elo de união entre Ele e a alma- The Person of Christ, págs. 76, 77.

É esse mesmo poder sobrenatural que Cristo comunica ao homem, que atua na mente, coração e caráter.

Agora, observem os maravilhosos resultados, como declarado na citação adicional do Espírito de Profecia: "É mediante a comunicaçao da graça de Cristo que o pecado é discernido em sua detestável natureza, e finalmente removido do templo da alma. É mediante graça que somos levados à comunhão com Cristo, para ser associados com Ele na obra da salvação." Assim, vemos que o "poder sobrenatural" comunicado ao homem mediante a graça de Cristo, opera na mente e no coração, revelando-lhe a odiosa natureza do pecado, e levando-o a permitir que essa coisa corruptora seja expulsa do templo da alma.

O Consentimento e Escolha do Pecador

Mas esta maravilhosa obra operada no coração pelo poder sobrenatural de Cristo não é exercida sem o consentimento e decisão do pecador. Notem o seguinte:

"Fé é a condição pela qual Deus Se propõe a perdoar os pecadores; não que haja virtude na fé pela qual a salvação é merecida, mas porque a fé pode lançar mão dos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado. A fé pode apresentar a perfeita obediência de Cristo em lugar da transgressão e apostasia do pecador. Quando o pecador crê que Cristo é seu Salvador pessoal, então, segundo Suas infalíveis promessas, Deus perdoa seu pecado, e o justifica gratuitamente. A alma arrependida reconhece que sua justificação ocorre porque Cristo, como seu substituto e segurança, morreu por ele, é sua expiação e justificação." - Review and Herald, 4 de novembro de 1890.

O exercício da fé é nossa parte da grande transação pela qual os pecadores são transformados em santos. Mas devemos recordar que não há virtude na fé que exercemos "pela qual a salvação é merecida". Isso significa que não há virtude na fé em si, nem no ato de exercê-la. A virtude está totalmente em Cristo. Ele é o remédio provido para o pecado. Fé é o ato pelo qual o arruinado, desajudado e condenado pecador obtém o remédio. "A fé pode apresentar a perfeita obediência de Cristo em lugar da transgressão e apostasia do pecador." Este é verdadeiramente um pensamento sublime! E esta maravilhosa ciência da redenção em que os santos se regozijarão por toda a eternidade, contudo é tão simples em sua operação que o mais fraco e mais indigno pode nela ingressar em todo seu significado e plenitude.

A Fé Viva Acompanhada Pela Ação

Ingressar pela porta da fé na plenitude da justiça imputada e comunicada envolve mais do que um mero assentimento mental às provisões estabelecidas. São os umbrais da "fé vivente, que opera por amor e purifica a alma". A fim de passar por esse portal, deve haver o preenchimento de certos requisitos:

1. Deve haver cessação da prática de todo pecado conhecido, e não mais negligência de dever conhecido.

"Conquanto Deus possa ser justo, e contudo justifique o pecador pelos méritos de Cristo, nenhum homem pode trajar-se com os vestidos da justiça de Cristo, enquanto praticar pecados conhecidos ou negligenciar deveres conhecidos. Deus requer a completa entrega do coração, antes que a justificação tenha lugar; e a fim de o homem reter a justificação, deve haver contínua obediência, mediante fé viva e ativa que opera por amor e purifica a alma." - Review and Heraid, 4 de novembro de 1890.

2. Disposição em pagar o preço - renunciar a tudo.

"A justiça de Cristo, qual pérola pura e alva, não tem defeito, não tem mancha nem culpa. Essa justiça pode ser nossa. A salvação, com seus inestimáveis tesouros adquiridos por preço de sangue, é a pérola de grande preço. Pode ser procurada e encontrada.... Na parábola, o negociante é representado como vendendo tudo que possuía para conseguir a posse de uma pérola de grande preço. É esta uma bela representação dos que apreciam a verdade tão altamente que renunciam a tudo quanto possuem para entrar de posse dela." - Review and Herald, 8 de agosto de 1899.

3. Inteira renúncia a maus hábitos.

"Alguns há que estão buscando, sempre buscando a boa pérola. Mas não fazem uma renúncia completa de seus maus hábitos. Não morrem para o próprio eu, para que Cristo neles viva. Por isso, não encontram a preciosa pérola." - Review and Herald, 8 de agosto de 1899

4. A força de vontade colocada em cooperação com Deus.

"O Senhor não tem por desíguir que o poder humano seja paralisado; mas por cooperar com Deus, o poder do homem pode ser eficaz para o bem. Deus não determina que nossa vontade seja destruída; pois é mediante esse atributo mesmo que devemos realizar a obra que Ele tem para fazermos tanto em casa quanto distante." - Review and Herald, 1. de novembro de 1892.

Quão sincera e ardentemente deveríamos seguir esta clara distinção, e entrar plenamente na experiência de ser considerados e feitos justos, justificados, e santificados mediante fé em Cristo! Quão profunda e penetrantemente deveríamos reconhecer nossa condição desesperançada, a ponto de não podermos fazer nada por nós próprios! É somente mediante a graça de Deus que podemos ser salvos. Como devemos acariciar a grande verdade de que mediante a graça divina, poder sobrenatural pode ser-nos comunicado! Devemos aceitar integralmente a segurança de que o pecado em toda sua hediondez pode ser eliminado do templo da alma. Devemos reconhecer que nossa parte nesta grande transação é escolher e aceitar pela fé, quando preenchermos plenamente as condições. E cada dia que vem e vai deveríamos humildemente pleitear perante o trono da graça os méritos, a perfeita obediência, de Cristo em lugar de nossas transgressões e pecados. Ao fazer isso, deveríamos crer e reconhecer que nossa justificação vem mediante Cristo como nosso substituto e segurança, que Ele morreu por nós, e que é nossa expiação e justificação.

Se, de nossa parte, esta instrução for seguida com sinceridade e inteireza de coração, Deus tornará os resultados reais em nossa vida; e "sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus -Rom. 5:1. Experimentaremos o gozo da salvação, e dia após dia conheceremos a realidade da vitória que vence o mundo, a nossa fé.

Não descansemos até que tenhamos entrado plenamente pela porta da fé, introduzindo-nos na abençoada experiência do perdão, justificação, justiça, e paz em Cristo.

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