NADA PODEIS FAZER
"Eu Sou a videira, Vós os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer." S. Jodo 15:5.
Algumas pessoas temem
a religiao do tipo "nada-faça". Este verso de S. João
15 quase chega a propor tal tipo de atitude. "Sem Mim nada
podeis fazer." O verso começa com uma destas declaraçôes
de Jesus que se baseiam no "Eu sou". É interessante
acompanhar declarações desse tipo ao longo dos Evangelhos. Elas
indicam que Jesus era mais que meramente homem. Se qualquer outra
pessoa afirmasse: "Sem Mim nada podeis fazer", isso
representaria o cúmulo da arrogãncia. O fato de ser Ele capaz
de proferir tal afirmação, indica que Jesus era mais que um
simples homem. Bem sabemos, caso tenhamos estudado as Suas
palavras, que, embora Jesus vivesse como homem, falava como Deus.
A presente ocasião é uma daquelas em que tal posicionamento
acontece. Estas palavras foram proferidas diretamente pelos lábios de Jesus - o tipo de declaração
que aparece em letras vermelhas nas
edições que costumam apresentar nesta cor as expressões
diretas de Cristo. Observe os termos: "Eu sou a videira,
vós os ramos." Eu sou a videira. Vós não sois a videira.
Vós sois os ramos. E "sem Mim nada podeis fazer". [Em
ingiês.]
Conservemos em mente que Jesus dirigiu estas palavras a
Seus discípulos, aos doze (menos um), uma vez que momentos antes
haviam deixado o cenáculo superior, dirigindo-se ao Getsêmani.
Ele fala aqui do tipo de fruto que é produzido pela vida cristã
em crescimento. Não está Ele falando a respeito do fruto que é
produzido por uma pessoa capaz de ganhar muito dinheiro por seu
próprio talento. Não Se refere-se à pessoa que é capaz de
projetar seu nome nas manchetes ou de distinguir-se sob as luzes
da ribalta, enquanto é Deus quem conserva em pulsação o
coração desta pessoa. Jesus não fala aqui a céticos,
descrentes e ateus. Seu objetivo primário é alcançar a igreja,
os discípulos, os seguidores de Jesus. Isso tem um profundo
significado quanto àquilo que consideramos em termos de frutos.
Conforme salientamos antes, aqui a referência se faz ao fruto da
justiça. Com tais pensamentos em mente, observemos vários
pontos de relevante importância, relacionados com este verso. Em
pnmeiro lugar, ao Jesus dizer: "Sem Mim nada podeis
fazer", embora a declaração apareça em termos negativos,
é ela também positiva em seu intento. Quer dizer que com Ele
podemos realizar tudo. Veja Filipenses 4:13.
Portanto, existe esperança de se fazer algo. Maravilhosa como é
a salvação, e segura como é a nossa certeza de vida eterna,
assim também existe a esperança, para aqueles que a Ele se
submetem, de que Jesus cumpra o Seu propósito de viver a Sua
vida em tais pessoas, levando-as a produzir muito fruto. Existe
esperança de colheita, de produção, de resultados aqui e agora
na vinha do Senhor. É o próprio Deus que está interessado em
frutos. É Deus mesmo quem está ansioso por ver colheita, por
contemplar resultados. E, embora a nossa salvação coisa alguma
tenha a ver com os nossos feitos, em virtude de tão grande
salvação desejaremos produzir em gratidão Àquele que nos
salvou.
Há não muito tempo, um vizinho e eu discutíamos a
respeito da obra de Cristo, já completada, e de como a nossa
salvação e nosso destino eterno se completaram na cruz. O
vizinho perguntou: "Qual é, então, o propósito da
santificação? Qual o propósito que se deve alcançar mediante
o exercício da vida cristã?" Porventura os frutos têm um
propósito? Muitas vezes as pessoas, ao ouvirem as palavras de
Jesus, de que "sem Mim nada podeis fazer",
compreendem-nas mal e concluem que nada precisa ser feito.
Errado. O fruto é de importância vital. Examinemos em breves
termos quatro grandes razões pelas quais o fruto é importante.
1. Os Frutos Revelam o Agricultor a Outros. S. Mateus 5:16 diz:
"Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para
que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus." Quando
produzimos fruto, demonstramos o poder e amor de Deus a outros,
de modo que eles são aproximados dEle. A produção de frutos é
um dos métodos, divinamente escolhidos, para atrair outros à
vinha, à Videira verdadeira. Deseja você que outros compartilhem da ligação que você mantém com a Videira? Se for
este o caso, você terá interesse em produzir frutos, como
testemunho aos demais. Os frutos atraem outros à Videira.
2. Os
Frutos Trazem Glória ao agricultor e à Videira. No Salmo 23:3 lemos: "Guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome." O resultado de nossas boas obras, nossa justiça,
nossos frutos, os quais produzimos em nossa vida, é a glorificação de Deus. E não seria o intuito de glorificar a Deus uma razão válida para que desejássemos produzir fruto?.
3. Os Frutos Advem Naturalmente Como Resultado da Ligação com a Videira.
Disse Jesus que a boa árvore produz bons frutos. Veja S. Mateus 7:17. Tiago afirma que uma fonte pura
produzirá água doce, e não amarga. Veja S. Tiago 3:11. Ellen White, escrevendo em O Desejado de Todas as Nações, pág. 668,
assegura-nos que, ao conhecermos a Deus na medida em que é privilégio nosso conhecê-Lo, o pecado se nos tornará odioso. Para o coração renovado, o fruto possui valor por si mesmo, porque combina com os
gostos, apetites, inclinações e desejos -agora convertidos. O fruto é atraente.
É belo. E desejável. Como resultado de nossa ligação com a Videira, não apenas produziremos fruto, como ainda descobriremos que a sua produção é o que mais almejamos. Tal fruto é importante porque se adapta muito bem aos nossos valores, na qualidade de ramos que estão ligados à genuína Videira.
4. Somos Salvos a Fim de Produzir Frutos. Por vezes nos preocupamos tanto com a salvação, que chegamos a esquecer do que estamos sendo salvos. Assemelhamo-nos a cavalos que são salvos de um estábulo em chamas, tão-somente para correr de volta a este no instante em que ficamos soltos. Somos parecidos com prisioneiros que são libertados da penitenciária e que retornam às suas celas. Procedemos como homens que estão a ponto de se afogar, são
puxados para a praia e então retornam, uma vez mais, às escuras profundezas. Jamais esqueça que a salvação siguifica que
você foi salvo de alguma coisa. Isto soa tão elementar, que quase parece um insulto dize-lo. Entretanto, não somos salvos do pecado tão-somente para prosseguirmos pecando. Somos salvos a fim de produzir fruto, cumprindo deste modo o propósito tanto de nossa
salvaçao quanto de nossa redenção. Temos assim em S. João 15, com base nos ensinamentos do próprio Jesus, a repetida esperança de colheita, o alvo da produção de frutos por parte da vide a glória de Deus e a felicidade da raça humana.
Nestes versos é nos relembrado que é Possivel vivermos sem Ele. De outra forma, por que haveria Jesus tido o trabalho de lembrar aos discípulos que, sem Ele, nada poderiam fazer? O que significa estar sem Ele? Bem, o texto não fala de estar sem Ele em termos de vida e saúde e vigor. Fala, antes, acerca da íntima união e comunhão dos ramos com a videira. Em outras palavras, é possível viver meramente como
membro da igreja, ser um seguidor de Cristo a certa distância, estar na vide por assim dizer sem desfrutar de união e comunhão com o Salvador. Jesus está advertindo contra isto ao dizer: Por bondade, permaneçam em Mim. Fiquem comigo. Mantenham o relacionamento e o companheirismo comigo. Uma das coisas que torna
tão fácil viver sem Ele, é o nosso conceito quanto ao que significa o fruto. Muitas vezes enganamos a nós mesmos ao imaginarmos que estamos produzindo frutos, quando em verdade não O estamos. Examinemos, pois, o que é O fruto. Vejamos a lista de frutos apresentada em Gálatas 5:22 e 23. "Mas o fruto ao Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei." Observe que todas as qualidades aqui
relacionadas são qualidades interiores, atitudes íntimas. Não se está falando tanto de comportamento, feitos e ações. Fala-se aqui das graças interiores do coração. O fruto não é primariamente algo externo.
Nos versículos anteriores de Gálatas 5 são descritas as obras da carne, e ali o inverso é verdade a maioria delas refere-se a transgressões externas, embora existam também uma ou duas, na lista, que se referem a qualidades internas da vida, tais como ira e inveja. Os frutos do Espírito não se limitam ao desempenho exterior, e sim aos motivos e sentimentos e atitudes do íntimo. Se não tivermos isto bem claro em nossa mente, poderemos enganar-nos a nós próprios, pensando que estamos produzindo frutos ao estarmos praticando boas obras. Se a pessoa forte é capaz de produzir bons feitos exteriormente, engana-se a si mesma ao imaginar que está permanecendo na videira, quando em verdade isto poderá não estar, de modo algum, acontecendo. Ao você falar nos frutos da justiça, está falando a respeito dos frutos de Jesus, já que a mais ampla definição singular de justiça é Jesus.
Nós não temos justiça, de tal modo que, sempre que você se referir á justiça, deverá ter em mente a Jesus, o único que, neste mundo, não teve a vida manchada pelo pecado. Não é de admirar, Pois, que na parábola Jesus vincule tão intimamente os ramos com a videira, a ponto de dizer: "Sem Mim nada podeis fazer." Os frutos jamais são produzidos pela pessoa. Nunca são produzidos ao se trabalhar na produção de frutos. São eles os frutos do Espírito, e aparecem espontaneamente como
resultado de estar a pessoa ligada à Videira. O amor é fruto do Espírito, e nunca o fruto da pessoa. A única forma de se obter amor
é do próprio Senhor Jesus. Paz é fruto do Espírito. Você jamais verá a paz como resultado de conferências de cúpula ou conversações de paz. Não a verdadeira e permanente paz. Uma coisa é Israel e Egito pararem de guerrear-se um ao outro por já estarem esgotados e não mais lhes restarem recursos de combate e porque nem um, nem outro, suportariam mais uma guerra. Coisa muito diferente é dizer que, de fato, eles se amam mutuamente. A alegria tem de ser espontânea não é algo que você possa esforçar-se arduamente por desfrutar.
É apenas Jesus que pode produzir qualquer um destes frutos do Espírito amor, alegria, paz, longanimidade, e todos os demais. Não representa realmente uma boa nova saber que
é privilégio do cristão que vive em íntima relação com a Videira verdadeira, possuir natural e espontaneamente os frutos do Espírito? Sim, estas são boas novas ainda hoje, em pleno século vinte. O terceiro ponto a ser destacado a partir deste texto escriturístico, é que se não permanecemos em Cristo, ainda que sejamos discípulos, ou mesmo profetas tal qual Balaão findaremos no mais absoluto fracasso. Resultado zero.
Talvez sejamos escusados se falarmos agora um pouquinho a respeito da igreja. Quando falo de igreja, não estou
pensando primariamente na liderança eclesiástica. É o indivíduo que constitui o corpo de Cristo. Você é a igreja. Eu sou
a igreja. É Possível que ainda hoje, conforme Jesus indicou que seria possível no tocante à igreja primitiva, que a igreja venha a fracassar por completo. A igreja poderá ser capaz de apresentar determinados acréscimos estatísticos, impressionante
arquitetura, ou debates intelectuais. Existe, porém, algumas grandes catedrais do mundo que estão vazias, e a menos que Jesus Se constitua no foco central da igreja, findaremos no mais absoluto fracasso. Esta é uma das razões por que ainda estamos aqui. O que é o cristianismo sem Jesus? Coisa alguma, senão um clube ou alguma espécie de fraternidade. Podemos até mesmo crer que a vida de Jesus é bela e que Seu exemplo e Sua ética situam-se acima de qualquer reproche. Mas o que dizer quanto a ser Jesus o foco central? O que dizer de termos a Jesus como Supremo, a tal ponto de, aonde quer que alguém se deslocasse entre as pessoas cristãs, verificasse apenas a Jesus, Jesus e Jesus? Cristianismo sem Jesus é semelhante a pão sem farinha. Atualmente as pessoas estão produzindo pão sem uma porção de coisas sem açúcar, sem óleo, ou sem sal. Mas é um tanto difícil produzir
pão sem farinha! No que diz respeito a fé cristã, se Jesus não for erguido acima de tudo o mais, teremos errado completamente o aivo. Ocorre que demasiadas vezes nós o havemos errado, demasiadas vezes O havemos esquecido, e a única alternativa restante é finalizar no mais redundante fracasso.
Podem os cristãos reunir-se para assembléias, retiros e convenções. Havemos aprendido como proferir as palavras adequadas. Mas o fracasso completo torna-se óbvio diante de
nossos feitos. "Sem Mim nada podeis fazer." Sem Ele, sem união e comunhão com Ele, poderemos falar um bocado, poderemos planejar bastante, poderemos discutir muito, mas ao chegar o momento de fazer algo em termos de produção de frutos nada! Isso nos traz ao quarto ponto principal: temos de chegar ao estágio em que
conheçamos que sem Ele nada pqdemos fazer, submetendo-nos então à videira. É
por isto que a cruz se torna um foco bastante comum. Quando paramos de fazer certas coisas , muitas vezes falamos em termos de submissão e entrega. Mas a entrega tem muito mais a ver com a desistência de nós mesmos do que com a desistência de se praticar certas coisas. Romanos 9 apresenta um trágico quadro do povo de Deus. O verso 31 afirma que Israel estava tentando produzir algum fruto, e não o
conseguiu. No verso 30, porém, você lê acerca de um grupo de pessoas que nada estava tentando produzir, e no entanto demonstrou frutos. Como pode isto ser explicado? porque um dos
grupos não tentou produzir frutos pela fé, ou por sua conexão com a videira, e sim através de seus próprios esforços. Romanos 10:3 diz que eles, ignorando o modo pelo qual Deus produz frutos e insistindo em produzir
seus próprios frutos, não submeteram a si mesmos ao fruto que provém de Deus, ou da Videira. Para todo
aquele que entra em contato com a vinha, Cristo deve ser o fim de Qualquer tentativa em se produzir uvas à arte a videira. (Esta é a Versão Revista e Parafraseada de Venden!) Cristo é o fim da tentativa de produzir fruto separado da videira. Ao vermos a nossa condiçao, perceberemos nosso total fracasso em produzir fruto separados dEle. Mesmo se formos capazes de levar a efeito um bom programa de atividades na igreja, mesmo quando somos capazes de conservar as atenções dos pequeninos nas reuniões da igreja, mesmo quando alcançamos êxito financeiro e trabalhamos para o bem-estar da comunidade, se o fizermos separados do
relacionamento pessoal com Jesus, será um completo fracasso, não importa o que apresentem os relatórios. A igreja, como um todo, e nós, enquanto membros individuais, temos de chegar ao ponto de admitir nosso fracasso e de desistir de qualquer tentativa em produzir nosso próprio fruto. Temos de dobrar os joelhos, como o fez Paulo, admitindo que todo o bem que formos capazes de executar, nada representa. Até
que isso ocorra, não seremos capazes de descobrir o que significa estar verdadeiramente ligados à Videira. Ao Paulo afirmar em Romanos 7:18: "Pois o querer o bem, está em mim; não, porém, o efetuá-lo", não se referia ele a obras exteriores. Evidentemente, estas não lhe faltavam. Em Fuipenses 3, apresenta ele uma boa lista de
sucessos exteriores. Paulo obtivera, entretanto, um lampejo do fruto real, o fruto interior. Em
resultado, pôs-se sobre os joelhos e disse: "Admito meu total fracasso separado de Jesus. Não sou capaz de produzir não posso desempenhar-me bem." Assim, pois, podemos estar ali, ao
lado do apóstolo, rendendo-nos a Jesus na vinha, admitindo nossa necessidade, clamando pela graça que provém do alto. Aqui existe uma visão final bastante encorajadora. Se, sem Cristo, os Seus seguidores nada podem fazer, então sem Cristo os Seus oponentes podem fazer ainda menos que nada! Sem Cristo, aqueles que se colocam contra a fé cristã, os que se opõem à igreja remanescente de Deus, são capazes de executar menos que nada. Esta é também uma boa nova. Há alguns anos um desvairado ergueu-se na igreja. Falando muito, dirigiu-se ao corredor. Gritou em voz alta, dirigindo-se ao pregador. Espumejava pela boca e dizia que faria a igreja em pedaços. Enquanto falava, dirigiu-se a um dos pilares, com o intuito de derrubar a igreja tal como Sansão fizera na antiguidade. As pessoas entraram em pânico, até que um dos presentes falou com a mais natural calma: "Deixem-no tentar. Deixem-no tentar." Repentinamente todos voltaram a sentar. A causa de Deus avança a despeito daquilo que o homem faça no sentido de evitar o seu progresso. A causa de Deus está avançando, e não lhe pareceria uma idéia positiva avançar
junto com ela? Sem Ele nada podemos fazer, mas com Ele, todas as coisas são possíveis.