O FRUTO É UM DOM
"Tenho-vos dito estas coisas para que o Meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo." S. João 15:11.
Suponha que eu lhe oferecesse 10
milhões de dólares. Você aceitaria com a maior boa vontade,
alegre e instantaneamente? Ou sentir-se-ia perturbado com a
oferta? Provavelmente sua primeira reação seria: "Qual é
a armadilha?" Posso ainda lembrar da oportunidade em que um
pregador ofereceu um dólar a um grupo de alunos colegiais. Disse
ele: "Tenho aqui um dólar, que desejo dar a alguém."
A maioria dos garotos reagiu: "Há, há." E permaneceram
sentados.
Meu irmão, porém, ergueu-se rapidamente, caminhou
até o púlpito e apanhou o dólar. Fiquei transtornado por
aquela "encenação", pois ele era meu irmão. Mais
tarde descobri que ele já ouvira falar da "manobra"
praticada por aquele pregador, de modo que prontamente
acreditou nele. Ocorre que ninguém se moveu, exceto aquele que
já ouvira falar. Agora, multiplique aquele um dólar por dez 72
milhões, e perceberá a real dificuldade em tentar aceitar
semelhante dom. Estamos acostumados a querer merecer aquilo que
recebemos. Recebo um cheque mensal como pagamento por parte da
instituição para a qual trabalho. Jamais me dirigi ao
escritório a fim de agradecer pelo cheque! Certamente merecemos
os cheques que recebemos de nossos empregadores. Verdadeira
gratidão e reconhecimento ocorrem quando recebemos algo quando
nada fizemos por merecê-lo. É somente então que realmente agradecemos - isto é, quando conseguimos aceitar o presente!
Talvez isto constitua parte daquilo que o salmista quis dizer
com sacrificios de ações de graça. Veja o Salmo 107:22.
Agradecer equivale a admitir que você não merecia o dom ou presente, e isto pode representar um verdadeiro
sacrifício
para o coração orgulhoso. Em S. João 15:11 Jesus fala do gozo
que advém de permanecermos na videira e de encontrarmos o
genuíno fruto manifesto na vida. Perceba de quem é este gozo:
"Tenho-vos dito estas coisas para que o Meu gozo esteja em
vós, e o vosso gozo seja completo." Enfase suprida. Os
discípulos deveriam ser enchidos de gozo e de ações de graça
- mas mesmo este gozo provinha da Videiira, e não deles
próprios. Tudo constitui um dom, recebido por intermédio da
ligação com a Videira. Quando nos orgulhamos diante de um dom,
geralmente é porque sentimos que, de alguma forma, nós o merecemos. Dizemos: "Fulano
e Beltrano apreciaram minha ajuda, de modo que me deram este
lindo presente. Não é mesmo bonito?" Desta forma
honramos o presente - e a nós próprios. Quantas vezes, porém,
você ouviu alguém dizer mais ou menos o seguinte:
"Fulano e Beltrano deram-me este presente porque são
muito amáveis e generosos. Não fiz absolutamente nada por
eles, mas agora me presentearam desta forma, a despeito do fato
de eu os haver ferido e lhes causado pesar vez após outra.
Certamente me deram o presente porque estão cheios de amor, a
ponto de me amarem também. Não são eles maravilhosos?"
Existe alguma diferença entre as duas expressões? Cuidado,
não seja o caso de você imiscuir-se com os próprios presentes
que aceitou como sendo imerecidos!
A ação de graças genuína
deve ser voluntária. Deve ela ser motivada pelo amor, e não
pelo dever. E a genuína ação de graças aceita não apenas
o presente ou dom, como também o doador, uma vez que não é
possível separar dom e doador. Pessoas existem que desejam
aceitar o dom da salvação e todos os benefícios que daí
advêm, mas sem aceitar o Doador. Isto é simplesmente
impossível. Lembra-se de Caim e Abel? Ambos haviam recebido as
mesmas instruções. Mas Caim ofereceu frutos em lugar do
sacrifício de gratidão. Apresentou aquilo que se entrelaçava
com seus próprios labores, de modo que o sacrifício se tornou inaceitável. Ele não se sentia
realmente agradecido pelo que Deus fizera por ele; desejava ter parte
do crédito. Não aceitou a mensagem de S João 15, a mensagem
apresentada pela parábola da vinha, a de que nada poderia faer sem Deus, mas de que, através de ligação com o Doador,
receberia gratuitamente os frutos resultantes.
Abel seguiu as
instruções apresentadas por Deus, no sentido de trazer um
sacrifício. Este era um símbolo de que ele próprio nada
poderia fazer. O Cordeiro representava Aquele que teria de vir
para realizar tudo.
Tentar forçar a frutificação na vida
cristã, equivale a destruir o fruto. Se virmos a Cristo na cruz
e dissermos: "Ele morreu por mim; tenho de pagar-Lhe por
isso, esforçando-se por produzir frutos", estaremos com
isso revelando que de modo algum aceitamos o Seu dom. É impossível pagar pelo "dom inefável". Veja II
Coríntios 9:15. Quando O contemplamos na cruz e Lhe respondemos
em amor, em virtude de Sua bondade e misericórida para conosco,
não seremos orgulhosos e aceitaremos também o fruto de Sua
glória, que Ele deseja conceder-nos - e, por nosso intermédio,
ao mundo.
O problema é que existem muitas pessoas que não
desejam aceitar um dom pelo qual são incapazes de, em alguma
medida, retribuir. Como resultado, seguem o seguinte modelo:
Dizem: "Se não sou capaz de retribui-lhe pelo que você me dá não
deseso receber coisa alguma." Alguma
vez você percebeu isto ocorrendo em sua própria vida? Quando
desejamos genuinamente dar algo, e a pessoa insiste em
retribuir-nos por isto, deixamos de ter a alegria de dar. Alguma
vez isto ocorreu com você? Milhares de pessoas estão cometendo
este erro em termos de salvação. Recusam-se a aceitar o dom
de Cristo, a menos que possam fazer algo para Ele, como
retribuição. A verdade é que tudo aquilo que possamos tentar
produzir, nessa tentativa de retribuir-Lhe, é inaceitável.
Quando compreendemos a enormidade de Seu dom e a profundeza de
Seu amor e nos unimos a Ele diariamente por meio da fé, os
frutos desta experiência serão vistos em nossa vida. Seu amor
será manifesto em nós, Seu gozo encherá nosso coração, Sua
paz será mantida em nossos coração e mente. Oferecer-Lhe-emos verdadeira gratidão, em virtude de Seu inefável dom.