Em uma noite
de íntima solidão,
minha aliada tão algoz
revia minha vida,
das glórias e do sentimento
atroz.
Matéria fatigável, esse
corpo grosseiro
a mente desejando mas ele
vai cedendo
resistências quebradas, se
entrega por inteiro
aos braços de Morfeu, já
me envolvendo.
Ó, arrebatadora força
sem explicação plausível
encontrada
o que era um , dois agora é
tornado
matéria física repousando
abaixo,
corpo de luz sobre ela
projetado
luz viva projetada em facho
à sua frente se abre
celeste estrada.
Segue a Humana Alma
para trás deixando a
terrena casa
voa, mas sem asa
leveza de um espírito de
soberana calma.
Chega a um celeste
altiplano,
paisagens na Terra
inexistentes,
formas belas, formoso mundo
verdadeiro Éden de águas
reluzentes.
Habitado é este lugar,
povoado de divina criação,
formas de beleza sem par,
mas que Humanas Almas também
são.
Que mundo será este ?
Tão etéreo, mas pleno ao
mesmo tempo
matéria não mais se
corrompe
nem é ferido o sentimento.
Um nome, em língua humana não
tem
mas a Alma o chama "do
meu Pai a casa é"
a palavra defini-lo não
pode
e nem o tenta a Alma
mergulhada em fé.
À descrição dos Campos Elíseos
este lugar parece ter
afinidade
se na Terra lugar semelhante
existisse
De Paraíso não haveria
necessidade.
De súbito percebo algo,
algo tenho que aquelas Almas
não tem:
um fio de prata que sai de
mim
e do campo de visão se
perde além.
Tanta paz e serenidade ali
encontro
ficar ali meu desejo é
agora
se for possível ali para
sempre ficar
porque iria querer uma Alma
ir embora ?
Mas um excelso ser de mim se
aproxima,
chega perto de onde estou ;
tanta pureza nele se
encontra
que remorsos sinto de ser o
que sou.
Sem usar palavras consegue
me dizer
que minha hora não é
chegada ainda
retornar se faz necessário
agora
tempo de realidade, a visita
é finda.
Mas diz que dali toda Alma
provém
e para lá toda Alma
regressa.
Terminar a missão na Terra
convém
e a esse retorno não é
preciso ter pressa.
Me diz que depois desta vem
outras,
é apenas uma visita que
encerra
mas que, vivo e retornando
sou ainda visitante
pois até o desenlace meu
reino ainda é o da Terra.
Diz
"Retorna agora, doce
Alma,
retorna ao denso que tu detém
dá de novo a ele a vida,
agora
corpo sem Alma não se sustém
nem soou ainda a derradeira
hora."
"Volta ao humano mundo
mostra a tua mortal Arte.
À divisão o momento não
é fecundo
o Todo não existe sem a
Parte. "
Excelsa criatura agora em
mim tocou
inenarrável sensação,
profundo
um abalo súbito no fio de
prata
me traz de volta ao humano
mundo
indizível saudade me
restou.
Que terrível lamento tem a
Alma que retorna
linguagem humana agora lhe
parece bruta e mordaz
busca palavras mas não as
encontra
descrever o que viu a língua
humana não é capaz.
Paradoxo que paralelo não
tem
algo sobre o que muito tenho
meditado
mundo celeste, tão longe no
além
ao mesmo tempo tão perto,
aqui ao lado.
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