Alma
 


Esmago sempre esta alma entre as mãos
quando procuro os segredos desta minha existência.

Abro a mente e o coração de par em par.
Enlouqueço momentos sempre breves e vagos.
Absorvo respirações latejantes como gotas de vida.

E paro o tempo,
sinalizando uma nova era,
entre mim e o mundo.
Nesta distância sem fim
feita de paixões e instintos,
de pressentimentos e intuições
das dúvidas que sempre terei.

Rasgo mais um poema.
Roubo as palavras dum livro.
Deixo meu sangue escorrendo numa parede branca.

Arranco o coração
esmagando, mais uma vez, a alma.


© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)


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