Amor...te


Refiro-me a ti.
Nesta morte lenta.
Nesta dor turbulenta.
Neste tempo dissolvido.

Pego nas palavras aveludadas
e rasgo-as de sangue.
Tinjo-me de agonias,
insónias descontroladas,
destruições...

Por entre o nevoeiro
desesperado
acendo este fogo
periclitante
e acredito
neste instinto
em que te sinto
dentro de mim.

Abraço a solidão,
espécie de tormento,
desaforado.
Impinjo-me
de sonhos loucos
tresloucado,
deslocado,
confundindo-me
com águas abcissas
que sinto...

Espero momentos longínquos.
Agarro esperanças.
Trespasso meu corpo
de dores insolúveis.
Em meu cérebro
brilham estrelas
inalcançáveis.

Ultrapasso-me,
bêbado de vida
e de sentimento.

Amo.


© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)

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