Lento desalento
Deixo cair mais um poema
sem a leveza duma lágrima
palavras sem sabor
silêncios perturbantes
letras separadas
prantos abafados
dores perdidas
dispersas
Desabo todas as esperanças
frágil e desprotegido
desamparado caído
restos mortais
daquilo que sou
porto inseguro
desancorado
sem leme
Aprisiono-me dentro de mim
fecho os olhos ao mundo
atordoado pelo sentir
sempre tão fraco
e tão forte
desta vida ínvia
desencontrado
inverosímil
Inverto as palavras
falseio o poema
assassino cada sílaba
olho-me nas entrelinhas
e entrecortado
desencontro finalmente
o fim
infindável
Sem conseguir aliviar a dor
das letras p e r d i d a s
Sem palavras...
© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)