Pequeno


Sinto-me pequeno
insignificante insecto
sem asas para voar...

Onde estou eu?
Se não me vejo mais
naquele espelho
onde a magia das florestas
iluminavam a terra
debaixo de sois coloridos
e luas enfeitadas...

Sinto-me este anão,
grão de pó indolor
ressequido pelas cinzas,
desbastado pelo tempo morto,
sobrevivente de angústias ao peito
e palavras de consolação
caídas em regatos ensanguentados...

Nada mais apagará esta dor
sem sentido nem razão,
sem casa ou andar...
Andar...perdido no céu
onde caíram flores de vida
e se sepultaram esperanças
nas cruzes erguidas
do meu sentimento.

Nada mais terá seu fim
ou será mais trágico.
Nada, nada mais...
Desafiará os deuses
a aceitar este nosso universo
assim humilhado.

Caiu a derradeira lágrima
deste falso paraíso,
neste sentir moribundo
de amar sem saber amar,
de gritar a paz
sem ser ouvido,
de voar
sem asas,
sem penas,
sem mais nada,
nada, nada, nada...

Este nada de nada
em que nos transforma-mos
descrentes,
incoerentes,
incongruentes,
e jamais inocentes...
 

© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)

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