Pesadelo
Desperto para um pesadelo
incrédulo,
desconcertado,
amordaçado...
Levanto-me para o fundo,
onde infernos de estúpidas palavras
se cruzam e degladiam
numa guerra sem termo,
numa coisa insolúvel,
num conjunto de desperdícios
de vida supérfula e inútil.
Arrepio-me disto,
indescritível visão
dum tempo sem temperatura,
dum terror sem medo,
duma realidade irreal,
deste pedaço de vísceras
descarnadas,
em que me transformo.
Ouço gritos,
arrepios de mentiras,
turbulências,
tempestades inventadas,
coisas ocas,
arrancando-me este pensamento
dum pesar grave e saliente,
duma dó penosa,
de sermos
quando nada somos,
de errarmos
e destruirmos;
fazendo bens
que nada fazem.
Recuso-me a ouvir
estes ruídos de inteligências
que ja nada mais respiram
deste meu sentimento.
E de novo adormeço no meu sonho...
© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)