Retiro


Retiro os tiros que te dei
se ainda houver em teu peito
qualquer marca de sofrimento.
Porque nada é como seria,
nenhum crime é perfeito,
nenhum tempo se perde.
Tudo é inteiro dentro de mim.
Tudo tem a sua razão
e deixa de a ter...

Assumo coerências
mesmo as mais incoerentes.
Respondo pela responsabilidade de ser
a cada momento ou lamento.
Porque tudo é passageiro.
Tudo é tão falso e verdadeiro.
Tudo se enche de nada
e esse nada se confunde
com tudo.

Retiro-me sem tempo
de fechar a porta...


© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)

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