Silêncios


Há uma música no meu peito
que me rasga as veias
e derrama o sangue pelas ruas
em filas de desesperos.

Arrepiam-se os ritmos
duma viola vadia.
Um corpo despido de mulher
dança em nuvens de incertezas.

Uma pauta desabafa absurdos
descarrilando restos de vida.
Acendem-se estrelas sem luz.
Esbarram-se alegrias desencontradas.

Canto o canto do cisne.
Grito meu eco ao vento.
Abraço o tempo...

Há uma música no ar
dum coração que resiste...

Ah...
 

© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)

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